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PopRuaJud rompe a invisibilidade e leva esperança à população vulnerável de Rondonópolis

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Ainda quando o sol raiava, a movimentação já indicava que a quinta-feira (9) não seria mais um dia comum em Rondonópolis. Na fila formada na porta do Ganha Tempo, pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social que nas mãos seguravam as senhas e no olhar deixavam transparecer o desejo de serem vistas, ouvidas e, principalmente, acolhidas.
Para elas, aquele papel com um número gravado, que para muitos representa algo simples e até burocrático, era na verdade sinônimo de esperança. Uma esperança fomentada e correspondida pela Justiça de Mato Grosso, que realizou mais uma edição do Mutirão PopRuaJud. Durante um dia inteiro, a ação promoveu acesso a direitos básicos, cuidados pessoais, novas oportunidades e, acima de tudo, quebrou o padrão de invisibilidade tão presente na rotina dessa população.
De um simples banho até um atendimento especializado de saúde. De um corte de cabelo até uma nova vaga de emprego. Da regularização de documentos até a inserção em programas sociais de acordo com a necessidade de cada um. Os motivos da busca pelo PopRuaJud eram diversos e, em grupos ou de forma individual, nenhum cidadão saiu do local sem receber o atendimento procurado.
Um dos exemplos foi o aposentado Alaor Alves Pereira, de 80 anos. Junto com a esposa, ele vive apenas com o benefício da aposentadoria, o que dificulta manter a constância no tratamento do quadro de trombose e diabetes. No entanto, quando ficou sabendo do mutirão, Alaor não pensou duas vezes e foi o primeiro a chegar no local para passar por uma consulta médica.
“A consulta foi muito boa. Me ajudou a conseguir a receita para comprar o remédio correto para trombose e o de diabetes vou conseguir pegar de graça. Só o de diabetes custa mais de R$ 140 e tenho que comprar todo mês. A minha ‘velhinha’ também tem problemas de saúde. A gente não dá conta de ter que juntar os dois para comprar remédio”, explicou.
Satisfeito com o atendimento que recebeu, Alaor enfatizou que valeu a pena ter procurado o PopRuaJud. “Valeu a pena ter vindo aqui hoje. Para mim foi maravilhoso. Sempre vejo que em Cuiabá é feito esse trabalho e aqui agora já foram duas vezes e eu participei das duas. Agradeço ao Judiciário de coração, porque esse pouquinho que vai sobrar a gente agora vai gastar com comida”, relatou.

Justiça próxima da população
Membro do Comitê Nacional PopRuaJud, o desembargador Mário Kono de Oliveira destacou que a ação cumpre com a Resolução 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aproximando o Judiciário da população que mais precisa do poder público. Ele explicou que o objetivo da iniciativa é proporcionar uma atenção concentrada para atender a necessidade de todos os cidadãos.
“A mudança de fazer com que o Judiciário atue além das decisões está acontecendo, e cada vez melhor. Assim, o Judiciário deixa de ser um agente que espera ser provocado para poder atuar, passando também a ser um protagonista que vai em busca de soluções. No final, isso também acaba resultando em redução de processos, sejam novos ou dos conflitos já existentes”, argumentou.
O juiz coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Rondonópolis e coordenador do PopRuaJud, Wanderlei José dos Reis, também apontou que o Judiciário está cada vez mais de portas abertas às comunidades. “O que vimos hoje é mais um exemplo de que o Judiciário vai à sociedade, vai ao encontro dela, interage e presta serviços que são essenciais para as pessoas”, comentou.

Longa preparação
Para alcançar os objetivos do mutirão, o Judiciário de Mato Grosso conta com uma série de parceiros que, muitos dias antes debatem, alinham e planejam cada atividade que será ofertada. Quem passou pelo local e, logo nas primeiras horas do dia, observou toda a estrutura física e de pessoal montada, não imagina, por exemplo, que foram 60 dias de preparação.
Nessa caminhada, entre os parceiros do Judiciário está a Defensoria Pública de Mato Grosso. Conforme a defensora pública Jacqueline Gevizier Ciscato, essa união de esforços foi fundamental para conseguir atender a demanda da cidade do interior do estado que possui a maior concentração de pessoas em situação de rua.
“Rondonópolis tem aproximadamente 200 pessoas nessa situação. A cidade foi eleita para sediar o PopRuaJud exatamente por conta disso. A Defensoria e o Tribunal de Justiça intensificaram a organização nos últimos 15 dias. No entanto, o nosso trabalho começou há mais de 60 dias. E hoje conseguimos reunir parceiros públicos e privados dentro de um único local para poder desburocratizar serviços importantes à essa população”, pontuou.

Autor: Bruno Vicente

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Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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“Selo Imprensa por Elas” destaca adesão de veículos de comunicação e busca proteger mulheres

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O troféu e o “Selo Imprensa Por Elas”, entregues aos 27 veículos de comunicação presentes no “Café com a Imprensa – Diálogo e Proteção à Mulher”, marcam o início de novas ações de enfrentamento à violência de gênero a serem desenvolvidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso. O evento, realizado nesta quarta-feira (15) no Tribunal de Justiça, em Cuiabá, foi o primeiro passo para jornalistas e magistrados construírem juntos um protocolo de cobertura jornalística que proteja as vítimas da violência doméstica e feminicídio.

“Podemos juntos fazer uma transformação cultural. Precisamos do apoio e da parceria dos meios de comunicação para evitar que mais mulheres sejam mortas em seus ambientes íntimos. Esse encontro foi essencial para ouvirmos as dúvidas e sugestões dos profissionais presentes e debatermos questões sensíveis”, ressaltou a coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), desembargadora Maria Erotides Kneip.

Durante o café, foi distribuído o “Guia Rápido –Jornalismo que protege e dignifica” como primeira minuta de um trabalho maior a ser construído, conforme a juíza Ana Graziela Vaz de Campos, membro da Cemulher e vice-presidente do Fórum Nacional de Juízes e Juízas (Fonavid).

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“O ‘Selo Imprensa Por Elas’ destaca os veículos que investem na qualificação de suas equipes e na melhora contínua da cobertura responsável dos casos de violência doméstica. Desse diálogo, vamos construir juntos um protocolo de cobertura jornalística para evitar o chamado efeito copycat, quando se divulga a forma como ocorreu o feminicídio e um caso gera outros similares”, pontuou.

Para a desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque, a iniciativa tem como objetivos a “proteção da dignidade das mulheres, a prevenção da revitimização e o estímulo a práticas que contribuam para a responsabilização e reeducação de agressores, inclusive por meio de Grupos Reflexivos”.

Durante o evento, o delegado do Distrito Federal Marcelo Zago trouxe dados de pesquisa científica sobre os impactos da cobertura midiática sobre o assunto, bem como da violência de gênero e feminicídios.

Também estavam presentes o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira; os desembargadores Márcio Vidal e Jonnes Gattas; o secretário-geral do Tribunal de Justiça, juiz Agamenon Alcântara Moreno; a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, que preside a Rede de Enfrentamento de Cuiabá; além dos juízes Marcos Terencio Agostinho Pires, de Cuiabá; Leonísio Salles de Abreu Júnior, de Chapada dos Guimarães; Rosângela Zacarkim, de Sinop; Suelen Barizon Hartmann, de Tangará da Serra; Djessica Giseli Kuntzer, de Pontes e Lacerda; Juliano Hermont Hermes da Silva, de Várzea Grande; Luciana Sittinieri Leon, de Rio Branco e Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, de Barra do Garças.

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Autor: Lídice Lannes

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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