AGRONEGÓCIO

Ciclone, calor de 40°C e ar polar impõem desafios diferentes ao campo

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A formação de um ciclone extratropical no Sul, o calor próximo de 40°C no Centro-Oeste e a chegada de ar polar até a Amazônia mostram os contrastes climáticos que o produtor rural enfrentará nos próximos dias. Enquanto o tempo seco favorece a reta final da colheita do milho segunda safra, temporais, ventos fortes, baixa umidade e risco de geada exigem atenção em diferentes regiões do País.

O ciclone começa a se organizar nesta quinta-feira (20), entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, e deverá provocar chuva forte, granizo e rajadas de vento nos três estados do Sul. Na sexta-feira (21), o sistema ganha força sobre o oceano e se afasta da costa, mas deixa uma frente fria que avançará pelo Centro-Sul.

No Rio Grande do Sul, os temporais podem atingir todas as regiões. Os acumulados devem variar entre 10 e 50 milímetros na maior parte do estado, mas podem chegar a 80 milímetros no Oeste, na Campanha e no Sul. O risco é maior nas áreas onde rios e arroios já receberam volumes elevados de chuva.

As rajadas podem variar de 70 km/h a 90 km/h em pontos do Sul, especialmente entre as serras gaúcha e catarinense. Para o produtor, os principais riscos são o acamamento de lavouras, a queda de estruturas, danos a silos e galpões, interrupções no fornecimento de energia e dificuldade para a movimentação de máquinas.

A chuva também alcança Santa Catarina e Paraná, inicialmente pelas regiões oeste e sul. O excesso de umidade pode interromper colheitas, impedir a entrada de equipamentos e ampliar a pressão de doenças em cultivos de inverno.

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Depois dos temporais, a entrada de ar polar deverá provocar forte queda das temperaturas. Há possibilidade de geada no sul do Rio Grande do Sul e do Paraná e de temperaturas negativas em áreas de Santa Catarina durante o fim de semana. Lavouras sensíveis, hortaliças, fruticultura e animais jovens ou debilitados exigem acompanhamento mais próximo.

O frio avançará pelo interior do continente e atingirá Mato Grosso do Sul, São Paulo e partes de Mato Grosso. A massa de ar polar também deverá alcançar Acre e Rondônia, provocando friagem no sudoeste da Região Norte. A mudança brusca de temperatura pode elevar o desconforto dos rebanhos e exige cuidado com alimentação, abrigo e disponibilidade de água.

Ao mesmo tempo, grande parte do Centro-Oeste continuará sob calor intenso e baixa umidade. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê máximas entre 34°C e 38°C, com possibilidade de temperaturas superiores a 40°C em áreas de Mato Grosso e do norte de Mato Grosso do Sul.

A umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 20% em partes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A combinação de calor, vegetação seca e vento aumenta o risco de incêndios em lavouras, pastagens, reservas, palhadas e áreas próximas a armazéns.

O tempo firme, por outro lado, favorece a conclusão da colheita do milho segunda safra. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 84,7% da área nacional já foi colhida. Em Mato Grosso, os trabalhos estão praticamente encerrados, com produtividades superiores às estimativas iniciais.

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Em Goiás, a colheita avança principalmente nas regiões norte e leste. Mato Grosso do Sul deverá retomar o ritmo das operações depois das chuvas que limitaram a entrada das máquinas em parte do estado. A redução da umidade dos grãos no campo também pode diminuir a necessidade de secagem artificial e os riscos de deterioração durante o armazenamento.

O cenário é menos favorável para talhões tardios ainda em enchimento de grãos. A falta de água no solo, associada ao calor e à baixa umidade, eleva a perda de água pelas plantas e pode reduzir o peso final dos grãos.

Na pecuária, o período seco limita a rebrota das pastagens, reduz a oferta de forragem e piora a qualidade nutricional do pasto. O produtor pode precisar reforçar a suplementação, ajustar a lotação e garantir água em quantidade e qualidade adequadas. O calor também aumenta o risco de estresse térmico, principalmente em rebanhos mantidos em sistemas extensivos sem áreas suficientes de sombra.

No interior do Nordeste, o calor e a baixa umidade continuam predominando, enquanto as chuvas permanecem concentradas no litoral. No Norte, além da friagem no Acre e em Rondônia, há previsão de pancadas isoladas no Amazonas, Roraima, Amapá e norte do Pará. Tocantins e o sul paraense continuam sob tempo predominantemente seco e elevado risco de propagação do fogo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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