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Justiça Restaurativa chega a Alto Taquari e mobiliza comunidade para construção da cultura de paz

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A construção de uma cultura de paz ganhou um novo capítulo em Alto Taquari com o início da implantação da Justiça Restaurativa na comarca. A aula magna realizada na Câmara Municipal de Alto Taquari, nesta quarta-feira, 25.02, marcou o lançamento da iniciativa que reuniu cerca de 200 participantes, entre professores, gestores da rede municipal, Polícias Militar e Civil, Defensoria Pública, servidores da rede estadual de ensino e membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Com foco inicial no ambiente escolar, a proposta busca enfrentar desafios contemporâneos como o aumento de conflitos, episódios de bullying e a fragilização dos vínculos, apostando na escuta, na corresponsabilização e na manutenção das relações.

O juiz diretor do Fórum de Alto Taquari, Luís Otávio Tonello, destaca que a proposta não substitui o modelo tradicional de justiça, mas o complementa, especialmente no campo preventivo.

“Os resultados que esperamos alcançar estão entrelaçados com o propósito da justiça restaurativa, que é ser um instrumento de pacificação social, que não substitui o modelo tradicional de justiça, mas atua de forma preventiva e complementar. No primeiro momento, o objetivo é diminuir os conflitos no âmbito escolar, trabalhar questões como bullying e fortalecer vínculos. A médio e longo prazo, queremos consolidar uma cultura de diálogo, entendimento e empatia. Acredito muito na eficácia da justiça restaurativa como meio de paz social e acredito que o judiciário tem nas mãos a oportunidade, para além de solucionar os conflitos já instaurados, de buscar meios de também prevenir a ocorrência de novos conflitos, trabalhando o diálogo como principal via de construção comunitária. A ideia é expandir para áreas como segurança pública, família e infância, consolidando uma cultura de paz no município”, refletiu o magistrado.

A implantação da Justiça Restaurativa em Alto Taquari é resultado de um trabalho que começou muito antes, ainda na gestão do então juiz diretor do Foro da Comarca, Anderson Fernandes. O percurso teve como marco a assinatura da Lei n. 1.506/2025. 1.506/2025, de 16 de julho de 2025, que instituiu o Programa Municipal de Práticas de Construção de Paz nas Escolas, consolidando a construção no município. O trabalho do magistrado foi reconhecido publicamente por seu sucessor, o juiz Luís Otávio Tonello, que assumiu a comarca em janeiro deste ano e destacou a relevância das bases estruturadas para a continuidade e expansão da Justiça Restaurativa.

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Para a secretária de Educação de Alto Taquari, Juliana Bellodi, é no campo da educação, onde os desafios são conhecidos e urgentes, que a iniciativa dos círculos surge como expectativa real de transformação no ambiente escolar.

“Apesar de trabalharmos com crianças pequenas na rede municipal de ensino, da educação infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental, é perceptível que cada vez mais cedo as crianças têm apresentado dificuldades de convivência, alto índice de indisciplina e sinais de violência nos comportamentos. Esperamos que nossas equipes, nas escolas, tenham conhecimento e experiência no uso desta metodologia, melhorando a convivência em toda a comunidade escolar. Acredito inclusive que os círculos de paz ajudarão a melhorar a relação e os vínculos entre os adultos envolvidos, a relação da escola com as famílias e não apenas com os alunos”.

A aula magna, que deu início à formação, foi ministrada pela instrutora em Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de Paz, Marina Borges, que, durante a palestra “Justiça Restaurativa: Estratégias para o contexto escolar e outros espaços públicos”, refletiu sobre a extensão da Justiça Restaurativa que não se limita a uma técnica ou a um ambiente restrito de aplicação, mas propõe uma mudança de cultura, evidenciando a dimensão transformadora da abordagem que cabe em todo lugar.

“Quando falamos de justiça restaurativa, não estamos falando apenas de uma metodologia para administrar conflitos, mas de uma mudança cultural. Inspirada em princípios sistematizados por autores como Howard Zehr, a justiça restaurativa nos convida a sair da lógica da punição e entrar na lógica da responsabilidade, do diálogo e da reconstrução das relações. O cuidado com as relações não é apenas pedagógico, é também estratégico. A escola é, por essência, um espaço de formação humana, e isso começa pelos adultos. Um corpo docente que se sente ouvido trabalha com mais colaboração, reduz disputas e constrói alinhamento pedagógico com mais maturidade emocional. Cuidar da conexão entre professores e coordenação é uma estratégia de gestão. Uma escola que aprende a administrar conflitos de forma restaurativa torna-se, ela mesma, um espaço de respeito, cidadania e responsabilidade compartilhada”, frisou Marina.

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Em consonância com a reflexão apresentada pela instrutora sobre a ausência de limites para os Círculos de Paz, a secretária de Assistência Social de Alto Taquari, Vanessa Vieira, destacou a aplicabilidade da Justiça Restaurativa no cotidiano da política de assistência, ampliando estratégias de prevenção e cuidado com famílias e comunidades.

“Os círculos são intersetoriais, ou seja, atendem públicos diversos e múltiplas camadas. Na Assistência Social, lidamos diariamente com situações de vulnerabilidade, conflitos familiares, violência e dificuldades de convivência. Por isso, a Justiça Restaurativa e os círculos chegam como uma ferramenta muito importante para qualificar esse atendimento, especialmente na prevenção. Os círculos nos permitem trabalhar a escuta, o diálogo e a corresponsabilização não só com as crianças e adolescentes, mas também com suas famílias e com a comunidade. Isso fortalece vínculos, amplia o sentimento de pertencimento e nos ajuda a construir soluções mais coletivas e duradouras. Ter esse suporte metodológico também vai contribuir para fortalecer os profissionais, que muitas vezes enfrentam esses desafios sem ferramentas adequadas”, defendeu.

Autor: Naiara Martins

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Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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“Selo Imprensa por Elas” destaca adesão de veículos de comunicação e busca proteger mulheres

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O troféu e o “Selo Imprensa Por Elas”, entregues aos 27 veículos de comunicação presentes no “Café com a Imprensa – Diálogo e Proteção à Mulher”, marcam o início de novas ações de enfrentamento à violência de gênero a serem desenvolvidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso. O evento, realizado nesta quarta-feira (15) no Tribunal de Justiça, em Cuiabá, foi o primeiro passo para jornalistas e magistrados construírem juntos um protocolo de cobertura jornalística que proteja as vítimas da violência doméstica e feminicídio.

“Podemos juntos fazer uma transformação cultural. Precisamos do apoio e da parceria dos meios de comunicação para evitar que mais mulheres sejam mortas em seus ambientes íntimos. Esse encontro foi essencial para ouvirmos as dúvidas e sugestões dos profissionais presentes e debatermos questões sensíveis”, ressaltou a coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), desembargadora Maria Erotides Kneip.

Durante o café, foi distribuído o “Guia Rápido –Jornalismo que protege e dignifica” como primeira minuta de um trabalho maior a ser construído, conforme a juíza Ana Graziela Vaz de Campos, membro da Cemulher e vice-presidente do Fórum Nacional de Juízes e Juízas (Fonavid).

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“O ‘Selo Imprensa Por Elas’ destaca os veículos que investem na qualificação de suas equipes e na melhora contínua da cobertura responsável dos casos de violência doméstica. Desse diálogo, vamos construir juntos um protocolo de cobertura jornalística para evitar o chamado efeito copycat, quando se divulga a forma como ocorreu o feminicídio e um caso gera outros similares”, pontuou.

Para a desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque, a iniciativa tem como objetivos a “proteção da dignidade das mulheres, a prevenção da revitimização e o estímulo a práticas que contribuam para a responsabilização e reeducação de agressores, inclusive por meio de Grupos Reflexivos”.

Durante o evento, o delegado do Distrito Federal Marcelo Zago trouxe dados de pesquisa científica sobre os impactos da cobertura midiática sobre o assunto, bem como da violência de gênero e feminicídios.

Também estavam presentes o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira; os desembargadores Márcio Vidal e Jonnes Gattas; o secretário-geral do Tribunal de Justiça, juiz Agamenon Alcântara Moreno; a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, que preside a Rede de Enfrentamento de Cuiabá; além dos juízes Marcos Terencio Agostinho Pires, de Cuiabá; Leonísio Salles de Abreu Júnior, de Chapada dos Guimarães; Rosângela Zacarkim, de Sinop; Suelen Barizon Hartmann, de Tangará da Serra; Djessica Giseli Kuntzer, de Pontes e Lacerda; Juliano Hermont Hermes da Silva, de Várzea Grande; Luciana Sittinieri Leon, de Rio Branco e Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, de Barra do Garças.

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Autor: Lídice Lannes

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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