AGRONEGÓCIO

Exportações de “Beef Offal” geram mais de R$ 520 milhões

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Dizem que do boi só não se aproveita o berro. Em Mato Grosso, a máxima ganha tradução econômica: apenas com miúdos bovinos, o Estado gerou cerca de R$ 524 milhões em exportações em 2025, ao embarcar 53,5 mil toneladas para 53 países, segundo dados do Comex Stat (sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC, que consolida os dados do comércio exterior brasileiro).

O crescimento do setor ocorre em um contexto mais amplo de reconfiguração do comércio global de proteínas. O Brasil, já líder nas exportações de carne bovina in natura, também figura entre os principais fornecedores de miúdos, ao lado de Estados Unidos, União Europeia, Austrália e Índia. Diferentemente dos cortes nobres, esses produtos encontram forte demanda em mercados emergentes e em regiões onde há tradição de consumo integral do animal, como África, Ásia e Oriente Médio.

Dados de comércio internacional indicam que o mercado global de Beef Offal, termo em inglês do que chamamos de “miúdos bovinos” (fígado, coração, língua, rim, rabo, etc.) movimenta cerca de oito bilhões de dólares por ano, com fluxos pulverizados e menos concentrados que os da carne convencional. Nesse ambiente, a competitividade está diretamente ligada à eficiência industrial e à capacidade de acessar nichos específicos de consumo, uma vantagem comparativa que o Brasil vem ampliando.

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Dentro desse cenário, Mato Grosso, maior produtor de gado do País, tem se destacado pela escala e pela eficiência no processamento. O crescimento de 29,6% no volume exportado em relação a 2024, quando os embarques somaram 41,2 mil toneladas, veio acompanhado de um salto de 102% na receita, sinalizando não apenas maior demanda, mas também valorização dos उत्पादtos no mercado internacional.

Itens como fígado, língua, tripas e vísceras diversas vêm ganhando espaço em diferentes mercados. O fígado bovino, por exemplo, foi enviado a 29 países, totalizando 8,5 mil toneladas no ano, com presença relevante em destinos africanos e do Leste Europeu. Já a língua bovina, tradicionalmente de menor consumo no Brasil, alcançou 27 mercados, com 4,6 mil toneladas exportadas, incluindo países da América do Sul, Ásia Central e Oriente Médio.

A diversificação geográfica é um dos principais vetores desse crescimento. Ao atingir 53 países, o Estado reduz a dependência de compradores tradicionais e amplia sua resiliência comercial, estratégia semelhante à adotada pelo Brasil nas exportações de carne bovina como um todo, que hoje têm a China como principal destino, mas buscam ampliar presença em mercados secundários.

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A tendência, segundo especialistas, é de continuidade desse avanço. Com demanda global aquecida e maior integração do Brasil às cadeias internacionais de proteína, os miúdos bovinos tendem a ocupar espaço crescente na pauta exportadora, funcionando como complemento relevante à receita gerada pelos cortes tradicionais e reforçando a competitividade do setor no longo prazo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Expansão de área e liderança na exportação sustentam safra de 770 mil toneladas de banana

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A produção catarinense de banana deve atingir 770 mil toneladas no ciclo 2025/2026, consolidando o Estado na liderança das exportações nacionais da fruta. O resultado representa um crescimento de 0,3% em comparação com o ciclo anterior, impulsionado por um avanço de 3,2% na área cultivada. Por outro lado, a produtividade média na lavoura aponta uma retração de 1,9%, estimada em 26.490 quilos por hectare. O desempenho da safra atua como indutor econômico no Norte do Estado e no Vale do Itajaí, regiões que concentram 84,7% do volume total colhido.

A dinâmica do mercado local permanece dividida entre o volume produtivo e o valor agregado da fruta na ponta da venda. A banana-caturra, conhecida como nanica, mantém o predomínio absoluto nos plantios, ocupando 72,6% da área e respondendo por 82,4% da colheita estimada. A variedade prata, embora represente uma fatia menor — 27,4% da área e 17,6% do volume —, ganha relevância pelo preço superior pago ao produtor no mercado físico. No recorte regional, o Sul de Santa Catarina apresenta menor eficiência técnica se comparado ao Norte: a região detém 24,4% da área destinada à cultura, mas participa com apenas 15,3% do volume final.

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No front externo, Santa Catarina responde por cerca de metade de toda a banana exportada pelo Brasil, tendo como principais destinos os parceiros comerciais do Mercosul, especialmente a Argentina e o Uruguai. Internamente, o município de Corupá lidera a engrenagem econômica do setor no Norte catarinense, ocupando o posto de terceiro maior produtor nacional.

Com um volume de 153,1 mil toneladas registrado no balanço de 2024, a atividade movimenta R$ 324 milhões anuais na economia local. O município partilha, junto com Jaraguá do Sul, Schroeder e São Bento do Sul, o selo de Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem, certificado que atesta o amadurecimento mais lento e o maior teor de açúcar natural da fruta devido às condições climáticas de relevo da região.

O resultado projetado para a safra atual ocorre após períodos de estresse nos pomares causados por eventos climáticos extremos nos últimos anos, como ciclones, ventos de grande intensidade e geadas recorrentes. A estabilização das lavouras foi garantida pela introdução de manejo especializado e ferramentas de monitoramento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

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O suporte técnico foca no controle fitossanitário da sigatoca-amarela, principal doença fúngica que atinge os bananais, e na previsão de perdas. A perspectiva para o encerramento do ciclo aponta para a manutenção da qualidade comercial da fruta diante de um clima mais ameno, sustentando o fluxo de caixa das pequenas propriedades rurais que formam a base social da atividade no campo.

Fonte: Pensar Agro

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