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Promotores compartilham vivências na carreira no MP com acadêmicos

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As vivências, os sonhos, os valores e o caminho percorrido na carreira no Ministério Público do Estado de Mato Grosso foram o fio condutor das palestras desta segunda-feira (16) do projeto MP Sem Mistério, que recebeu 35 alunos do curso de Direito da Universidade de Cuiabá (Unic), do primeiro ao décimo semestre. 

A turma ouviu os relatos dos promotores de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, titular da 27ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá, e Caio Márcio Loureiro, coordenador-geral dos Centros de Apoio Operacionais (CAOs), sobre como é ser um promotor de Justiça e quais os desafios no cumprimento dos seus deveres e obrigações funcionais.

A palestra ocorreu no auditório da Sede das Promotorias de Justiça da Capital. O grupo foi liderado pela professora Gioavana César Scherner, coordenadora de Eventos Jurídicos do curso de Direito da Unic Beira Rio. O projeto é uma iniciativa do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT.

O promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro deu boas-vindas à quinta turma atendida pelo projeto, lançado em maio deste ano. Ele explicou também que o objetivo do MP Sem Mistério é justamente aproximar a instituição da comunidade acadêmica e difundir o papel do Ministério Público e de que forma atua na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais individuais indisponíveis.

Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo falou dos valores de vida e do Ministério Público. “O mais importante em ser promotor é perseguir, buscar a justiça. E justiça é algo relevante para todas as sociedades, mesmo aquelas em que no passado, o Estado não estava presente, tiveram o senso de justiça.  E o senso de justiça é inato às pessoas humanas. Crianças de dois ou três anos já conseguem fazer juízos de equidade e de Justiça”, pontuou.

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Ao citar o livro “Uma Teoria da Justiça”, de John Rawls, o qual classificou como a mais importante publicação da área do Direito nos últimos 60 anos, Rinaldo Segundo lembra que a tentativa do autor é propor um modelo para as sociedades serem justas. “Chamo a atenção para a busca da justiça porque agir com justiça deve ser parte de quem o promotor de Justiça é: isso é o mais importante, perseguir a justiça. Mas é claro que nem sempre esse objetivo é alcançado. As instituições são formadas por pessoas. Não existe instituição perfeita, não existem pessoas perfeitas. Mas não é pelo fato de a justiça não ser perfeita que não devamos avançar para melhorar”, pondera.

Na análise dele, o caminho do Ministério Público para avançar na promoção da Justiça é defender valores. Ele citou como exemplo um caso em que um homem matou outro por causa de uma ficha de 50 centavos de sinuca, no qual atuou pelo Tribunal do Júri.  “Qual o valor, por exemplo, por detrás do julgamento pelo Tribunal do Júri? O valor da vida, um valor muito caro a nós. Todas as sociedades tiveram alguma forma de punir, mesmo as sociedades tribais, quem tirasse a vida de uma outra pessoa”, completa.

O promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro reforçou a importância do compartilhamento das vivências profissionais para que elas auxiliem na carreira escolhida e na realização dos sonhos profissionais. “O Ministério Público faz parte do Sistema de Justiça. Ele exerce uma missão pública. Há um chamamento nesse contexto na busca de proteger, de tutelar os valores essenciais do povo. Ele traz consigo valores essenciais compartilhados com essa visão que a Constituição Federal estabeleceu”, completou.

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A coordenadora de Eventos Jurídicos da Unic Beira Rio, Gioavana César Scherner, enalteceu a importância do MP Sem Mistério e elogiou a proposta do projeto. “É de grande valia criar essa oportunidade de os alunos estarem em contato com as instituições. Projetos como o MP Sem Mistério traduzem a chance de diminuir a distância entre as instituições e a academia, pois ele representa a quebra de paradigmas. A gente aprende o que é o Ministério Público quando lê a Constituição Federal, mas é essa vivência, esta oportunidade, este corpo a corpo que a gente precisa ter para compreender o que é esse trabalho na prática”.

Ao término do evento, foi sorteado o livro “Sonhando com Harvard”, de autoria de Rinaldo Segundo. A acadêmica Ramine Victória dos Santos Rodrigues, de 20 anos, do quarto ano noturno foi a contemplada. Ela comemorou o presente autografado do palestrante. “Eu já conhecia o trabalho do Ministério Público porque sou estagiária no Fórum de Cuiabá, aqui do lado. Esse trabalho é importante para nossa formação porque é através desses contatos que poderemos reunir elementos de qualquer carreira que seguirmos na área do Direito”, concluiu.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Tribunal do Júri condena autor de feminicídio e furto contra companheira

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O Tribunal do Júri da Comarca de Juscimeira (158 km de Cuiabá) condenou, nesta quarta-feira (22), Claudemir Ferreira dos Santos, conhecido como “Baiano”, a 16 anos de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de feminicídio e furto. O réu foi condenado pelo assassinato de Rosângela Oliveira da Silva, sua companheira, ocorrido no dia 1º de abril de 2024.O crime aconteceu na residência do casal, localizada no município de Juscimeira. De acordo com a acusação sustentada em plenário pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o crime foi praticado por motivo fútil, com emprego de meio cruel e por razões da condição de sexo feminino, em contexto de violência doméstica e familiar, o que caracterizou o feminicídio.Segundo consta nos autos, o casal mantinha relacionamento há aproximadamente dois anos e, no dia dos fatos, uma discussão motivada por ciúmes evoluiu para extrema violência. Durante o desentendimento, Claudemir desferiu pelo menos 11 golpes de faca contra Rosângela, deixando a arma cravada no pescoço da vítima, causando sofrimento intenso e levando-a à morte ainda no local. Conforme a denúncia, após o homicídio, o réu fugiu levando o veículo da vítima, um Fiat Cronos, além de um aparelho celular e um cartão bancário, configurando também o crime de furto.Durante a sessão de julgamento, a defesa apresentou teses de desclassificação do crime e de homicídio privilegiado, alegando domínio de violenta emoção após suposta injusta provocação da vítima em razão de uma suposta traição da vítima. Mesmo sendo o privilégio incompatível com o reconhecimento do feminicídio e das qualificadoras imputadas diante da vedação da tese da legítima defesa da honra pelo julgamento da ADPF 779, a defesa insistiu na formulação do quesito correspondente. Submetido à deliberação do Conselho de Sentença, o quesito foi rejeitado de forma absoluta, com votação unânime contrária, demonstrando que os jurados não acolheram qualquer argumento que pudesse atenuar a responsabilidade penal do acusado.O Conselho de Sentença reconheceu, por maioria, a materialidade e a autoria do homicídio qualificado, bem como todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público sendo, motivo fútil, meio cruel e feminicídio. Também foi reconhecida a prática do crime conexo de furto, igualmente com rejeição integral das teses absolutórias.Na sentença, o juiz presidente Alcindo Peres da Rosa fixou a pena definitiva em 16 anos de reclusão, somadas as penas do homicídio qualificado e do furto, além de 10 dias-multa, determinando o início do cumprimento em regime fechado. O magistrado também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade e autorizou a execução provisória imediata da pena, diante do quantum aplicado e da gravidade concreta dos crimes.A promotora de Justiça Cynthia Quaglio Gregorio Antunes destacou, ao longo da acusação, a importância do julgamento para a responsabilização de crimes praticados contra mulheres no âmbito doméstico, ressaltando que a condenação reforça o papel do MPMT na proteção da vida e na efetivação da política de enfrentamento à violência de gênero. O MPMT considerou ainda que, diante da brutalidade do crime, a pena não foi proporcional à culpabilidade do réu, e por isso recorreu da sentença para aumentar a pena.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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