Tribunal de Justiça de MT

Mitos, preconceitos e capacitismo: o que ainda precisa ser superado

Publicado em

Ideias equivocadas sobre deficiência ainda são comuns na sociedade e, muitas vezes, passam despercebidas no cotidiano. Associar automaticamente a deficiência à incapacidade, dependência ou limitação absoluta são exemplos de mitos que reforçam o capacitismo, uma forma de discriminação baseada na desvalorização da pessoa com deficiência.
Esses estereótipos não surgem por acaso. Eles são construídos historicamente a partir de um padrão que considera corpos, comportamentos e formas de comunicação sem deficiência como “normais”, enquanto tudo o que foge desse modelo é visto como inferior ou inadequado.
MITOS E PRECONCEITOS MAIS COMUNS
Algumas crenças equivocadas ainda muito presentes merecem atenção especial:
Sobre o autismo
Ideias como “autistas não têm empatia”, “autismo é uma doença” ou “todas as pessoas autistas têm super-habilidades” são falsas. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve uma grande diversidade de perfis, formas de comunicação e interação social, e não define a capacidade emocional ou intelectual de uma pessoa.
Sobre sexualidade e afeto
É comum a crença de que pessoas com deficiência são assexuadas, infantis ou incapazes de manter relacionamentos afetivos. Esse mito nega direitos fundamentais, como o direito ao afeto, à sexualidade e à construção de vínculos.
Sobre capacidade e participação social
Ainda persiste a ideia de que uma deficiência impede a pessoa de estudar, trabalhar ou participar plenamente da sociedade. Na prática, o que limita essa participação não é a deficiência em si, mas a ausência de acessibilidade e de oportunidades.
Quatro jovens caminham juntos ao ar livre; um deles está em cadeira de rodas enquanto conversa e sorri com os amigos.O que é capacitismo?
O capacitismo é a discriminação ou o preconceito contra pessoas com deficiência, baseado na crença de que elas são menos capazes, menos produtivas ou têm menos valor do que pessoas sem deficiência.
Ele se sustenta em um padrão corpo-normativo, que estabelece um modelo único de corpo, mente e comportamento como referência. Tudo o que foge desse padrão passa a ser visto como problema, exceção ou desvio, reforçando hierarquias e exclusões sociais.
Silhuetas brancas de diferentes perfis de pessoas, incluindo uma em cadeira de rodas, sobre fundo laranja.Como o capacitismo se manifesta no dia a dia
O capacitismo pode aparecer de diversas formas, muitas vezes naturalizadas:
Exclusão: quando pessoas com deficiência deixam de acessar espaços, serviços ou informações por falta de rampas, elevadores, sinalização, audiodescrição ou comunicação acessível.
Pré-julgamento: supor que alguém não conseguirá exercer determinada função ou atividade por causa da deficiência, sem oferecer oportunidade ou adaptações adequadas.
Linguagem ofensiva ou excludente: uso de expressões capacitistas como “deu mancada”, “cego de raiva”, “retardado” ou frases como “você não parece ser autista”, que invalidam experiências e reforçam estigmas.
Infantilização e superproteção: falar com acompanhantes em vez da própria pessoa com deficiência ou demonstrar surpresa excessiva diante de atos cotidianos como estudar, trabalhar, casar ou ter filhos.
Caminhos para combater o capacitismo
Superar o capacitismo exige um processo contínuo de mudança cultural, que passa por ações individuais e institucionais:
Educação e conscientização: a inclusão começa com informação. Desde cedo, é fundamental ensinar sobre diversidade humana, respeito às diferenças e direitos das pessoas com deficiência.
Acessibilidade como regra, não exceção: garantir rampas, piso tátil, intérprete de Libras, audiodescrição, documentos acessíveis e tecnologias assistivas é assegurar igualdade de oportunidades.
Dar voz e protagonismo: pessoas com deficiência devem ser ouvidas e participar das decisões que impactam suas vidas. Ninguém melhor do que elas para definir suas necessidades.
Desconstrução linguística e reflexão pessoal: abandonar expressões capacitistas, rever julgamentos automáticos e questionar comportamentos cotidianos são atitudes essenciais para promover inclusão real.
No serviço público e no Judiciário, enfrentar o capacitismo é compromisso com a dignidade humana, a igualdade e o acesso pleno a direitos.
Desembargador Nilza Pôssas fala ao micrfone durante TJMT Inclusivo, em Cuiabá. Atrás dela está um telão com arte de fundo verde e a palavra Autismo escrito em letras coloridas. Ao lado da desembargadora está uma intérprete de Libras🟦 Comissão de Acessibilidade e Inclusão em Ação
Presidida pela vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, a Comissão de Acessibilidade e Inclusão reafirma a prioridade do Tribunal em promover um ambiente judicial mais acessível.
Ao longo de 2025, foram realizados encontros sobre inclusão em Cuiabá, Rondonópolis, Cáceres, Sinop e Sorriso, fortalecendo a conscientização sobre o tema. A Comissão também conduziu vistorias e implementou melhorias estruturais em fóruns e cartórios, com adequações como rampas, banheiros acessíveis e melhorias em varas e tribunais do júri. Também foram realizadas oficinas visando a ampliação da comunicação clara e acessível para todos os públicos do PJMT.
Recortes de pessoas de mãos dadas, sendo uma delas representada com estampa de quebra-cabeça, símbolo relacionado ao autismo.🟦 DICAS ANTI-CAPACITISTAS
– Evite generalizações sobre o que a pessoa “consegue” ou “não consegue” fazer.
– Não trate a pessoa com deficiência como exemplo de superação apenas por viver sua rotina.
– Questione atitudes, comentários e práticas que reforcem preconceitos.
– Lembre-se: deficiência não define valor, competência ou potencial.

Autor: Ana Assumpção

Leia Também:  Do modelo biomédico ao biopsicossocial: mudança que transforma olhares em relação às deficiências

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

25 de Julho: Judiciário de MT destaca o mês das Pretas e valoriza o protagonismo das mulheres negras

Published

on

O mês de julho é dedicado ao protagonismo das mulheres negras e ao fortalecimento da luta pela equidade racial. Em Mato Grosso, a Lei 11.577/2021 reconheceu o dia 25 de julho como o Dia Estadual de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Em âmbito nacional esse reconhecimento veio por meio da Lei Federal nº 12.987/2014.Para a presidente do Comitê de Equidade Racial do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, o julho das pretas é um importante marco de reflexão, reconhecimento e valorização da trajetória das mulheres negras que desempenharam papel fundamental na construção da sociedade brasileira.

“Como mulher negra, tenho a convicção de que ocupar hoje a Presidência do Comitê de Promoção da Equidade Racial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso representa muito mais do que uma conquista individual. Minha trajetória teve início no trabalho de cuidado, realidade que ainda marca a vida de tantas mulheres negras brasileiras. Por isso, chegar a este espaço de decisão reafirma que a transformação é possível quando há oportunidades, compromisso institucional e reconhecimento da dignidade de todas as pessoas”, sublinhou.

Leia Também:  Prazo e regras seguem os mesmos para solicitações no novo sistema

Atuação do Comitê de Equidade Racial

A magistrada ressalta que ainda há muitos desafios decorrentes das desigualdades raciais e de gênero. Por isso, o Judiciário mato-grossense atua no combate ao racismo e estimula práticas antirracistas não apenas no âmbito interno, mas também para toda a sociedade.
“É essa perspectiva que orienta a atuação do Comitê: contribuir para que o Poder Judiciário seja agente de promoção da equidade racial, fortalecendo ações de letramento racial, conscientização e valorização da diversidade. O Julho das Pretas nos lembra que promover igualdade de oportunidades não significa apenas reconhecer a história e as contribuições das mulheres negras, mas também assumir a responsabilidade coletiva de construir instituições cada vez mais inclusivas, representativas e comprometidas com a justiça social”, pontuou.

Conheça no link abaixo as ações do Comitê de Promoção da Equidade Racial

https://www.tjmt.jus.br/pagina/comite-promocao-equidade-racial-poder-judiciario-mato-grosso

Autor: Lídice Lannes

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Judiciário orienta pais e responsáveis quanto às regras para viagens de crianças e adolescentes
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA