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Audiência píblica cobra políticas efetivas para o as pessoas com Transtorno do Espectro Autista

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Foto: Luiz Alves/ALMT

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu a primeira a primeira audiência pública com o tema “A realidade, as perspectivas e os desafios das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”, nesta terça-feira (1°), que reuniu um grande público para debater o assunto. A audiência foi requerida pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD) que é defensor da inclusão social e assistência às pessoas com dificuldades no neurodesenvolvimento. Estiveram presentes autoridades políticas e públicas, representantes de associações que atuam no setor, pais e mães que tiveram a oportunidade de expor experiências e solicitar por mais políticas públicas.

“Nós temos feito na Assembleia provavelmente o maior conjunto de leis sobre o tema, em relação às outras casas legislativas do país. Lei é o que não falta, são quase 30, só precisamos fazer com que seja cumprida. Cobramos das autoridades responsáveis que cumpram as suas tarefas e suas missões. Por exemplo, Mato Grosso até hoje, não conta com um Centro de Diagnóstico público para casos suspeitos de autismo. Não é toda família que tem dinheiro para pagar”, disse o parlamentar que possui mais de 10 leis vigentes, projetos de lei em tramitações e ações sobre a causa.

Ele aponta que as dificuldades enfrentadas pelas famílias são no momento do diagnóstico – quanto mais precoce, melhor – e, o mais difícil, é a escassez de profissionais especialistas na área, a falta de formação adequada aos profissionais de educação e saúde, como, também, de recursos pedagógicos adequados.

“A Seduc (Secretaria de Estado de Educação) começou há quase dois anos a investir em materiais específicos para os alunos autistas e com outros diagnósticos para garantir uma educação inclusiva. Mas, ainda há muito a se fazer. Estamos aqui para trocarmos experiências e compreendemos melhor a realidade enfrentada pelas famílias com pessoas com TEA”, explicou o parlamentar.

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De acordo com o diretor de Políticas de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva do Ministério de Educação (MEC), Francisco Dourado, o trabalho desenvolvido pela esfera federal. “É função da educação especial, desde a educação infantil até a pós-graduação, preparar as escolas através de recursos multifuncionais, mas também na formação de professores para prepará-los no atendimento aos estudantes autistas e com outras deficiências. A educação especial não substitui a educação de uma escola comum, ela vem para complementar e suplementar – promove estratégias para eliminar as barreiras e garantir o atendimento das demandas do público específico”, explicou, Dourado, O diretor também apresentou as iniciativas realizadas e os investimentos aplicados pela União.

A primeira dama de Cuiabá e vereadora Samantha Iris (PL), representando também o prefeito, Abílio Brunini (PL), expôs que um estudo a que teve acesso aponta que 70% das famílias se desfazem após o diagnóstico. Ela frisa que não é uma luta fácil e vive essa experiência de perto, por ter um filho de 4 anos, com autismo.

“Temos um pai presente e sei que é uma realidade distante para muitas famílias que enfrentam essa situação. Não é uma luta fácil e mais ainda quando falta alguém da família. Ouvi atentamente a cada relato nesta audiência e, em nome do (prefeito) Abílio, temos buscado saber como podemos ajudar. O tema autismo é muito recente na nossa vida. Começamos a ter uma proximidade na causa após o diagnóstico do nosso filho. Há 90 dias na gestão pública, buscamos soluções para ajudar as famílias e nos deparamos com muita burocracia no poder público”, disse a parlamentar.

Juliana Fortes, presidente do Instituto Psicossocial Renascer do Autismo (IPRA), disse que representa grande parte da comunidade autista de Mato Grosso e que chegou, em 2018, a peregrinar nos corredores da Assembleia Legislativa para pedir socorro, em busca de políticas públicas inclusivas e efetivas para os autistas e seus familiares.

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“Agradeço ao deputado Wilson Santos que nos acolheu, que nos deu voz, nesta Casa de Leis. Eu ia correr pela cidade para gritar socorro. Quando meu filho foi diagnosticado, em 2015, antes diziam que o meu filho não tinha nada”, contou.

Na programação do evento, pais e mães puderam contar as suas experiências e desafios enfrentados no dia-a-dia para cuidar dos filhos autistas. O técnico de enfermagem Jairo Castro, que tem dois filhos gêmeos autistas, relatou que a casa dele é praticamente uma clínica e hoje não tem apoio financeiro por parte do poder público.

Mãe de quatro filhos autistas, Julien Steffani, pediu ajuda às autoridades presentes para ajudar no tratamento e falou sobre as dificuldades para conseguir atendimento. “Olhem para nós e para outras mães que ainda não sabem caminhar e não aceitam o diagnóstico. Peço, encarecidamente, um olhar profundo para as nossas crianças autistas. Abram as portas e disponibilizem mais profissionais especialistas para ajudar as famílias”, reivindicou.

Uma das principais queixas das famílias durante a audiência pública foi a invalidação, por parte da Seduc, dos laudos médicos que comprovam o diagnóstico de autismo de seus filhos. Como consequência, muitas crianças autistas são inseridas no ambiente escolar sem qualquer assistência especializada. Além disso, os participantes relataram as dificuldades de acesso a profissionais capacitados para o tratamento adequado.

O evento reuniu diversas autoridades, incluindo os deputados estaduais Lúdio Cabral (PT) e Marildes Ferreira (PSB), representantes da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Governo Federal, da Secretaria de Educação de Mato Grosso (Seduc), da Defensoria Pública, do Ministério Público Estadual (MPE) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), além de associações que atuam na defesa dos direitos das pessoas com autismo.

Fonte: ALMT – MT

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Cattani critica proposta de restringir biomassa nativa e diz que medida pode prejudicar setor florestal

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O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) criticou, durante a sessão desta quarta-feira (10), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a possibilidade de o governo do estado restringir o uso de biomassa de origem nativa para abastecimento de indústrias. Segundo o parlamentar, a medida pode prejudicar o setor florestal e gerar impactos negativos para produtores rurais, madeireiras e áreas de manejo sustentável.

Ao comentar o incentivo ao uso de biomassa proveniente exclusivamente de florestas plantadas em novos empreendimentos industriais, Cattani afirmou ser favorável ao reflorestamento, mas contrário a qualquer iniciativa que enfraqueça atividades já consolidadas no estado. “Eu acredito que nós possamos e devemos sim, ter as florestas plantadas. O reflorestamento tem que ser incentivado pelo Estado. Mas nós não podemos, de forma nenhuma, acabar com um setor para promover o outro”, afirmou.

O deputado também destacou a importância do manejo florestal sustentável e afirmou que a atividade contribui para a conservação ambiental. “Se você entra numa área de manejo, percebe que nunca o meio ambiente é agredido quando se trata do manejo florestal. Pelo contrário, o meio ambiente é promovido pelo manejo florestal”, declarou.

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Cattani demonstrou preocupação com os impactos que uma eventual restrição poderia causar ao setor e aos produtores rurais que realizam a abertura legal de áreas previstas na legislação.

“Uma pessoa comprou uma área de mata hoje e tem direito, pela nossa legislação, de abrir 20% em área de floresta. Esse cidadão pode não fazer isso agora, porque está pagando a terra e vai fazer daqui dez anos. Será que daqui dez anos ele será impedido de abrir esses 20%? E quando abrir, vai jogar fora toda a biomassa que colocou no chão?”, questionou.

Durante o discurso, o parlamentar também citou o aproveitamento dos resíduos gerados pelas serrarias e alertou para o que considera um possível retrocesso ambiental. “Será que o resíduo das serrarias vai ter que voltar a ser queimado para gerar carbono? Será que nós vamos fazer um retrocesso desse tamanho na questão florestal do nosso estado?”, indagou.

O debate ocorre em meio às discussões sobre o acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual para regulamentar o uso da biomassa e garantir o abastecimento da indústria.

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Gilberto Cattani afirmou que acompanhará o tema e avisou que a Assembleia Legislativa poderá reagir caso alguma medida chegue ao Parlamento prejudicando o setor. “Eu não acredito que o governador vai levar isso adiante, mas quero deixar bem claro, se um decreto do Governo do Estado chegar a esta Casa, com certeza, no mesmo instante, teremos um decreto legislativo para sustá-lo, porque não podemos deixar perecer um setor tão importante, que é o setor agroflorestal do nosso estado”, concluiu.

Fonte: ALMT – MT

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