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Webinar do MPMT reúne lideranças indígenas e debate saúde pública

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Com a participação de cerca de 150 indígenas diretamente da aldeia Wamariwê, no município de Canarana (a 823 km de Cuiabá), o webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte de Indígenas” abriu, nesta terça-feira (9), um espaço de escuta, denúncia e reflexão sobre os desafios enfrentados por esses povos no acesso à saúde pública. O evento virtual reuniu aproximadamente 300 participantes de diferentes regiões do país, entre integrantes do Ministério Público, especialistas, lideranças e representantes indígenas e representantes da sociedade civil, em um debate interdisciplinar sobre dignidade humana, justiça social e a defesa dos direitos indígenas. Na abertura do evento, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, explicou que a iniciativa surgiu após sua participação no 12º Encontro Indígena Intercultural, realizado em Cuiabá, no mês de abril. Ele relatou ter sido impactado pelos cantares fúnebres apresentados durante o encontro e reforçou o compromisso institucional do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) com os povos originários. O procurador de Justiça destacou que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) está presente em 74 comarcas e nos 142 municípios do estado, e reforçou que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve garantir atendimento universal a todos. Segundo ele, nas questões relacionadas aos povos indígenas, a atuação ocorre de forma articulada entre o Ministério Público estadual e o Ministério Público Federal (MPF). “Temos um enunciado, uma ordem superior do nosso Conselho, que diz ser atribuição do Ministério Público estadual atuar nas demandas individuais e coletivas que envolvam a saúde de pessoas indígenas, quando não estiverem relacionadas à disputa sobre direitos essencialmente indígenas previstos no artigo 231 da Constituição Federal, quais sejam: a organização social, os costumes, as línguas, as crenças, as tradições e as terras que tradicionalmente ocupam”, explicou. A iniciativa do MPMT foi enaltecida pela palestrante do dia, a advogada e subprocuradora-geral da República aposentada Deborah Duprat, que falou sobre “A saúde dos povos indígenas: especificidades e desafios”. “Quero saudar como muito entusiasmo essa iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso. Apesar de a Constituição Federal ter atribuído um papel importantíssimo ao Ministério Público Federal isso não exclui, de modo algum, as iniciativas de Ministério Público estaduais e de Defensorias Públicas na defesa e promoção dos direitos indígenas. Aliás, em matéria de Direitos Humanos, devemos sempre nos somar e nunca buscar espaços de exclusividade”, iniciou. Deborah Duprat iniciou abordando os pressupostos do processo de colonização, que são da inferioridade dos povos indígenas, do ideal de assimilação cultural, da negação do pluralismo étnico e cultural, e da invisibilização e do apagamento indígena. Na sequência, afirmou que a Constituição Federal de 1988 representa uma ruptura com essa lógica colonial ao reconhecer o Brasil como um Estado pluriétnico e ao garantir os direitos originários dos povos indígenas sobre seus territórios. Segundo a palestrante a Carta Magna reconheceu que a principal questão relacionada aos povos indígenas era territorial e também assegurou o direito ao uso das línguas nativas.. No entanto, nada foi dito com relação à saúde desses povos. Ela observou que embora a normativa previsse um sistema de saúde único e universal, isso não seria o bastante para atendimento aos indígenas. “Os povos indígenas começaram a desconfiar de um sistema de saúde universal. Já tinham consciência de que universal significava, em certa medida, assimilação e integração. Universal não dava conta das particularidades dos seus modos de vida, saberes ancestrais e modos específicos de cuidar da saúde”, disse. A situação começou a mudar com a Lei Arouca (Lei nº 9.836/1999), que instituiu o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A legislação passou a garantir atendimento universal e diferenciado aos povos indígenas, respeitando as especificidades culturais e a organização territorial das comunidades. Segundo a palestrante, a norma possibilitou a criação de 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis), estruturados em polos-base, além dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi), responsáveis pelo controle social da política pública. Apesar dos avanços, o obstáculo passou a ser a dificuldade de fixar médicos nas aldeias, sobretudo nas regiões de difícil acesso. Esse cenário mudou com a criação do Programa Mais Médicos. Para Deborah Duprat, a situação se agravou após a aprovação da Emenda Constitucional nº 95 de 2016, que instituiu o teto de gastos públicos e foi classificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das políticas de austeridade mais severas do mundo. Segundo ela, a medida afetou diretamente o Programa de Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde Indígena. “As quedas no financiamento foram terríveis e a chegada do governo Bolsonaro foi ainda pior”, apontou. De acordo com a subprocuradora-geral da República aposentada, o desfinanciamento das políticas públicas, aliado à pandemia da Covid-19, contribuiu significativamente para o aumento das taxas de mortalidade entre os povos indígenas. Ela citou estudos que registraram crescimento nas internações de indígenas por síndrome respiratória aguda grave durante o período pandêmico, além de apontarem que os indígenas tinham 4,5 vezes mais chances de contágio pela doença e taxa de mortalidade 150% superior à da população em geral. Deborah Duprat também abordou os impactos da mineração ilegal (garimpo) e do desmatamento em terras indígenas. “Temos problemas severos de escolhas políticas que causaram impactos significativos no desenho da saúde indígena. Um desenho muito bonito, resultado da luta indígena, mas que teve um impacto absolutamente desproporcional em razão da emenda do teto de gastos, do desfinanciamento da política e da falta de medidas severas para garantir a integridade territorial. Nós não temos um sistema que sobreviva a terras invadidas”, finalizou. O líder indígena, professor e ativista ambiental Dário Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, agradeceu ao MPMT pela iniciativa do evento. Como debatedor, argumentou que a política de saúde do país não atende, na prática, os indígenas. Disse que é um sonho receber atendimento adequado e de qualidade, mas que a realidade é outra, de esquecimento. “Temos que falar a verdade do que está acontecendo. Os dados são antigos e estão desatualizados. Quem conhece muito bem a saúde e sofre somos nós, povos indígenas, que vivemos nas aldeias, longe, onde não tem acesso e onde os médicos não chegam”, afirmou. Ele classificou como irresponsável a postura do Governo Federal diante da crise enfrentada pelos povos indígenas. “Nós estamos sofrendo com a falta de assistência e de compromisso, especialmente nas terras yanomamis, que embora estejam demarcadas e homologadas, estão desprotegidas e sendo invadidas por garimpeiros ilegais. É uma situação vulnerável, a nossa saúde não está sendo cuidada”, alertou. De acordo com Dário Kopenawa, a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro representou um período trágico para o povo yanomami. “Morreram pelo menos 570 crianças yanomamis por irresponsabilidade do governo Bolsonaro. Fico muito triste porque nossas crianças querem viver, conhecer a floresta. Por isso é importante que o Ministério Público investigue essa irresponsabilidade, má organização da saúde pública”. Outro ponto destacado pelo debatedor foi o avanço do garimpo ilegal em terras indígenas, apontado por ele como o principal vetor de mortes entre a população indígena, devido à disseminação de doenças e à contaminação dos rios. “Cadê os nossos governantes para proteger as nossas terras demarcadas?”, questionou. O líder indígena também chamou atenção para a presença crescente do crime organizado e de facções criminosas nas aldeias, cenário que classificou como preocupante. “Nossa saúde não está melhorando, mas, como lutadores, como povos da floresta, vamos continuar cobrando do governo federal os nossos direitos”, asseverou. Segundo ele, apesar de o discurso predominante apontar a fome como principal causa das mortes entre os yanomamis, a origem da crise está diretamente relacionada aos impactos do garimpo ilegal e às consequências provocadas pela atividade nos territórios indígenas. Atuando como mediador do debate, o promotor de Justiça Fabrício Miranda Mereb, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Campinápolis, manifestou solidariedade à causa indígena e afirmou compartilhar da mesma realidade enfrentada na região onde atua, marcada por elevados índices de mortalidade infantil entre os povos. “Quando uma criança morre, nós morremos juntos, internamente, e isso é muito dolorido. Saiba que estamos juntos nessa luta para construir uma rede de saúde e sanitária abrangente, que tenha uma escuta qualificada do povo indígena”, considerou. O promotor de Justiça acrescentou que a questão sanitária não pode ser compreendida apenas sob a perspectiva do acesso a medicamentos e atendimento médico, mas também envolve saneamento básico, qualidade dos rios e segurança alimentar. “É necessário que tenhamos um olhar holístico para toda a situação e, junto com o povo indígena, construamos um futuro melhor para essa população”, defendeu. Participaram do debate indígenas das etnias Xingu, Xavante, Karajá, Nawá, Yanomami, Paresi, Nambiquara, Juruna, Arara, Waurá, Apyãwa e Wamariwê, além de quilombolas e representantes do Ministério dos Povos Indígenas, dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis), da Polícia Judiciária Civil, da Secretaria de Cultura de Diamantino e alunos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) de Diamantino. Programação – O webinar “SUS Negado, Povo Apagado: A Biopolítica da Morte de Indígenas” é promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT). A programação segue até o dia 11 de junho. Na quarta-feira (10), a socióloga Haya Del Bel ministrará a palestra “Saúde Indígena e Território: o corpo-terra sob ataque”. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio doutoral na Universidad Complutense de Madrid, a pesquisadora participará de debate ao lado da liderança indígena e professora Lucila da Costa Moreira Nawa e do missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott. A mediação será conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho. Encerrando a programação, no dia 11 de junho será realizada a Escuta Pública dos Usuários, mediada pela promotora de Justiça Maria Coeli Pessoa de Lima.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT capacita servidores sobre planejamento de contratações e uso de IA

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O Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, uma capacitação voltada aos servidores da área-meio sobre planejamento de contratações públicas e o uso de novas tecnologias no desenvolvimento dos documentos exigidos pela legislação. Com o tema “O planejamento da contratação com base na Lei 14.133/2021 – construindo ETPs e TR com uso do ChatGPT e outras tecnologias para servidores do MPMT”, o curso foi ministrado pelo professor Sandro Bernardes, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU).Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram contato com aspectos relacionados ao planejamento das contratações, especialmente à elaboração de documentos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e o Termo de Referência (TR), além de conhecerem possibilidades de aplicação da inteligência artificial e de outras ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho.Para o assessor especial da Subprocuradoria-Geral de Justiça Administrativa, José Fabrício Silva, a capacitação ocorre em um momento importante de adaptação às exigências trazidas pela nova legislação de contratações públicas.“Esse tipo de capacitação é fundamental por dois aspectos essenciais. O primeiro é que as equipes que constroem essas demandas de contratação ainda precisam de formação sobre a estrutura dos documentos e tudo o que precisa ser preparado para que uma contratação seja realizada”, explicou.José Fabrício também destacou a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta capaz de auxiliar os servidores diante do volume e da complexidade dos documentos produzidos no processo de contratação. “São documentos, às vezes, de muitas páginas, de uma estrutura que a lei exige que seja feita. A capacitação realmente veio para ajudar no dia a dia”, afirmou.Na avaliação do servidor, a incorporação de novas tecnologias à administração pública tende a fazer parte cada vez mais da rotina. “Quanto mais capacitadas as pessoas para darem conta de acompanhar esse avanço, que não é só no setor público, mas também no setor privado, melhores serão os resultados para a administração e, consequentemente, para a população”, ressaltou.A servidora Débora Luz, que atua na Coordenadoria de Engenharia e acompanha atividades relacionadas ao departamento, também destacou a importância da formação continuada. Entre suas atribuições estão o assessoramento na elaboração de documentos relacionados às contratações de engenharia, com atenção à legislação e às normas aplicáveis.Para ela, cursos dessa natureza são fundamentais para o aprimoramento dos processos de contratação do Ministério Público. “Não só importante, como essencial, fundamental. Uma condição sem a qual não é possível nós evoluirmos nossas contratações e licitações aqui no Ministério Público”, afirmou.Débora defendeu ainda que a capacitação seja realizada de forma permanente, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos e a aplicação prática dos conteúdos. “A cada etapa, a cada curso, você permite se aprofundar mais na matéria e aplicar na sua prática. Então, sem uma reincidência, um retorno disso, eventualmente até com alguns mesmos professores ou mesmas temáticas, a gente não consegue andar evoluindo os resultados”, explicou.Para a servidora, a participação de especialistas com experiência na administração pública federal também contribui para aproximar o conteúdo apresentado da realidade enfrentada pelas equipes do MPMT.O professor Sandro Bernardes ressaltou que a atualização dos servidores é essencial diante das transformações pelas quais passa a administração pública. Segundo ele, o curso integra um processo de desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias aos profissionais que atuam em todas as etapas da contratação pública, desde o planejamento até a entrega do objeto à sociedade. “Não existe retrocesso” no uso da inteligência artificial, afirmou o professor, ao destacar que essas ferramentas tendem a ser incorporadas cada vez mais ao cotidiano profissional.O instrutor também chamou atenção para o papel da tecnologia como instrumento de apoio ao trabalho dos servidores, e não como substituta da atuação humana. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem potencializar o trabalho, proporcionando maior celeridade e novas possibilidades de pesquisa e análise, mas a supervisão humana permanece indispensável. “O que as plataformas, os chats e as IAs que temos à disposição vão fazer por nós é potencializar o nosso trabalho”, explicou.Sandro Bernardes destacou ainda que a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana, especialmente no serviço público, que tem como finalidade atender às necessidades da sociedade. “A supervisão humana ainda é necessária, primeiro pela responsabilidade que a gente tem diante da comunidade civil. A plataforma nunca vai se comportar como ser humano; ela vai emular, vai usar algoritmos, números para tentar traduzir aquilo que considera como interesse público”, afirmou.Segundo o professor, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de atuação dos servidores, mas não substitui aspectos próprios da experiência humana, como a capacidade de compreender contextos, interpretar situações e manter proximidade com a sociedade.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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