Ministério Público MT

Ferramentas que salvam vidas são pautas da campanha Juntos Por Elas

Publicado em

“Em média, uma mulher sofre violência doméstica durante oito anos para quebrar o ciclo de um relacionamento abusivo. Cada uma tem o seu tempo”, afirmou a promotora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela, nesta quarta-feira (13), durante a jornada de entrevistas da campanha #JuntosPorElas. Embora cause espanto, a titular da 16ª Promotoria Criminal de Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá reforçou que esse é um prazo médio, que há casos em que a vítima demora décadas para se libertar. 

A promotora de Justiça foi uma das entrevistadas do dia no estúdio bolha, localizado no Shopping Pantanal, ao lado da tenente-coronel da Polícia Militar Vanessa Regina Cícero de Sá Pombo. Elas falaram sobre “A importância das medidas protetivas e o trabalho realizado pela Patrulha Maria da Penha”. 

Elisamara Portela explicou que a violência doméstica e familiar contra a mulher pode se desdobrar em cinco procedimentos diferentes. “O boletim de ocorrência dá origem ao inquérito policial. A medida protetiva de urgência é um procedimento autônomo e independente que pode, inclusive, ensejar a prisão do agressor. A mulher pode pedir também o acompanhamento da Patrulha Maria da Penha. Pode ainda baixar o aplicativo SOS Mulher, que só existe nas cidades onde tem Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), e acionar diretamente o 190. E por último, temos o processo cível, que tramita também nas varas de violência, relativo ao divórcio, dissolução de união estável e regulamentação de guarda”, contou. 

Conforme a promotora de Justiça que atua há mais de 14 anos em processos de violência doméstica na capital, a medida protetiva de urgência foi uma inovação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). “A mulher registra a ocorrência na delegacia e pede, se quiser, a medida protetiva de urgência, que tem como principal objetivo salvaguardar a integridade física e psicológica da vítima. A grande vantagem é que a concessão é extremamente rápida e atende aos interesses da mulher”, pontuou, revelando que em Mato Grosso as medidas protetivas são virtuais há bastante tempo, antes do início da pandemia, o que contribui significativamente para a análise e concessão. 

Leia Também:  Promotora orienta atuação policial em casos de violência doméstica

“Costumo dizer que o processo é bom e válido independente do resultado, mesmo que não haja uma sentença condenatória. Ele sempre dá um resultado positivo, basta olharmos as estatísticas. As mulheres mortas são, normalmente, as que nunca registraram ocorrência e não pediram medida protetiva. Entre mulheres com medida protetiva em vigor, o índice de feminicídio é muito baixo”, explanou. De acordo com Elisamara Portela, em 2023 foram registradas no sistema do Ministério Público de Mato Grosso quase 9,6 medidas protetivas concedidas no estado e, de janeiro ao início de março deste ano, já foram aproximadamente 2 mil. 

Segundo a integrante do Ministério Público de Mato Grosso, as medidas protetivas mais importantes são as que determinam o afastamento do agressor do lar e proíbem a aproximação da vítima. Para ela, o importante é que a vítima tome uma medida e jamais subestime o agressor. “Inteirem-se da Lei Maria da Penha, procurem conhecer e não se permitam sofrer nenhum tipo de violência. Procurem ajuda, a medida protetiva de urgência existe para salvar vidas”, conclamou. 

A tenente-coronel da Polícia Militar Vanessa Regina Cícero de Sá Pombo lembrou que, infelizmente, é uma prática a vítima de violência voltar atrás após acionar a polícia em uma ocorrência de Maria da Penha, falando que queria apenas “dar um susto” no companheiro. Ela defendeu que essa pode ser uma prática perigosa “Normalmente, quando a vítima aciona a polícia não é a primeira vez que sofre violência, é que naquele dia ela teve a coragem de ligar para o 190. Se ela não der prosseguimento com o atendimento da ocorrência, afastando o agressor do ambiente familiar, a situação tende a piorar e ela pode vir a sofrer um feminicídio”, alertou.   

Leia Também:  Primeira etapa termina com apresentações em Nova Canaã do Norte

A oficial falou sobre o programa Patrulha Maria da Penha, que foi desenvolvido como projeto-piloto em Cuiabá nos anos de 2018 e 2019, e oficialmente homologado e instituído pela Polícia Militar de Mato Grosso em 2020. Hoje, a iniciativa está presente nos 15 comandos regionais da corporação e atende 97 municípios. Conforme Vanessa Pombo, a Patrulha Maria da Penha foi criada para que a vítima de violência doméstica tenha acompanhamento ao solicitar a medida protetiva. “Toda vítima que tem medida protetiva de urgência em andamento é assistida pela Patrulha Maria da Penha. Ela recebe visitas periódicas de uma equipe especializada”, narrou. 

A tenente-coronel revelou que o número de acionamentos da Polícia Militar por denúncias de violência doméstica é maior aos domingos, vésperas de feriados e em datas comemorativas como o Dia dos Pais. “Um dia que era para ser festivo normalmente termina em violência com o excesso de ingestão de bebida alcoólica”, indicou. Por fim, declarou que sonha com um mundo de paz e livre do crime de violência doméstica, onde a Lei Maria da Penha se torne obsoleta e desnecessária. 

Assista à entrevista completa aqui
 

Fonte: Ministério Público MT – MT

Advertisement

Ministério Público MT

Várzea Grande inicia mobilização para conquistar Selo Lixo Zero

Published

on

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) lançou, sexta-feira (11), a Jornada rumo ao Selo Lixo Zero na sede das Promotorias de Justiça de Várzea Grande. A iniciativa marca o início de uma nova etapa de mobilização e engajamento de membros, servidores, residentes, estagiários e colaboradores para a adoção de práticas voltadas à destinação correta dos resíduos e à redução dos impactos ambientais. O evento integra o cronograma de expansão do Protocolo Lixo Zero, desenvolvido pelo Programa MPMT Sustentável no âmbito do Projeto Estratégico Vitória Régia. Durante a abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, destacou que a iniciativa reforça a coerência institucional entre a atuação do Ministério Público na defesa do meio ambiente e as práticas adotadas internamente. “Para cobrar a transformação da sociedade, precisamos também estar dispostos a transformar a nossa própria casa. É este compromisso com a coerência que nos trouxe até aqui”, afirmou. Ela lembrou ainda que o MPMT já conquistou o Selo Lixo Zero e o Prêmio Lixo Zero 2025, tornando-se o primeiro Ministério Público do Brasil a receber a certificação. O coordenador administrativo das Promotorias de Justiça de Várzea Grande, promotor de Justiça Thiago Scarpellini Vieira, ressaltou a importância do envolvimento de todos os integrantes da unidade para o sucesso da iniciativa. “Eu peço a todos aqui de Várzea Grande para que a gente possa abraçar esse projeto e que a gente possa também conseguir o selo e evoluir nessa questão tão importante”, disse. Responsável pela apresentação sobre a metodologia Lixo Zero, o diretor da Teoria Verde, Jean Peliciari, destacou que a mudança depende do comprometimento coletivo. “Não vamos ficar esperando. Vamos começar por nós mesmos. Depois temos mais força ainda para cobrar”, enfatizou, ao abordar a necessidade de ampliar as práticas de sustentabilidade mesmo em cidades que ainda enfrentam desafios relacionados à coleta seletiva.Representando a empresa Nature Ambiental, parceira do projeto na gestão dos resíduos rejeitos, Lucas Ferreira Keunecke reforçou que pequenas atitudes podem gerar impactos positivos dentro e fora do ambiente de trabalho. “Quem sabe levamos um pouquinho desse tema para casa no final de semana também e compartilhamos com os familiares, porque isso é bastante importante”, observou. A presidente da Coopercba, Lucimeire de Jesus Santana, destacou a relevância social da separação adequada dos resíduos e o impacto da reciclagem na geração de renda para famílias de catadores. “O que vocês acham que é lixo, para nós lá é renda. Para a família delas, para quem tem filhos e precisa sustentar a casa”, afirmou. Já a representante da empresa Origem Compostagem, Yasmin Rojas Fonseca, explicou como os resíduos orgânicos podem ser reaproveitados por meio da compostagem. “A gente faz a coleta e a transformação do que seria lixo em adubo. Restos de frutas, verduras, borra de café e outros materiais podem retornar como algo útil para a sociedade”, explicou. O gerente do Programa MPMT Sustentável, Marcos Aurélio Borges Nogueira, também participou do lançamento e destacou os avanços proporcionados pela integração entre os diversos parceiros envolvidos no projeto, fortalecendo ações ambientais e promovendo mais dignidade aos trabalhadores que atuam na cadeia da reciclagem. A implantação da metodologia em Várzea Grande envolverá ações de educação ambiental, campanhas de conscientização, monitoramento dos resíduos gerados e orientações sobre o uso adequado dos residuários. O trabalho será desenvolvido com base nos cinco indicadores avaliados pelo Instituto Lixo Zero Brasil: redução e reuso, educação e conscientização, reciclagem, compostagem e ações sociais. A expectativa é fortalecer a corresponsabilidade ambiental e consolidar práticas sustentáveis no cotidiano institucional. A Jornada Lixo Zero é um processo de transformação cultural que busca reduzir ao máximo o envio de resíduos para aterros sanitários, priorizando a não geração, a reutilização, a reciclagem e a compostagem dos materiais. A metodologia, desenvolvida pelo Instituto Lixo Zero Brasil, incentiva mudanças de hábitos e a participação ativa de todos os envolvidos para que os resíduos deixem de ser vistos como descarte e passem a ser tratados como recursos que podem retornar aos ciclos produtivos ou gerar benefícios sociais e ambientais. No MPMT, a iniciativa integra a política institucional de sustentabilidade e dá continuidade aos resultados alcançados desde a certificação obtida pela Procuradoria-Geral de Justiça em 2025 e pela sede das Promotorias de Justiça da Capital.

Leia Também:  Abertura da campanha "21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra Mulher" aborda as diversas manifestações de violência de gênero

Fonte: Ministério Público MT – MT

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA