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Construção de políticas públicas ainda é desafio para legisladoras

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Muito além do direito ao voto, passando pela participação nos partidos políticos, chegando à ocupação das cadeiras nos Poderes Executivo e Legislativo, a jornada da mulher na política ainda é um caminho trilhado com muita resistência, resiliência e compromisso. E para debater sobre representatividade feminina e a construção de políticas públicas visando o enfrentamento da violência contra a mulher, a jornada de entrevistas da campanha #JuntosPorElas recebeu a deputada estadual Janaína Riva e as vereadoras por Cuiabá Maysa Leão e Michelly Alencar, no estúdio bolha localizado no Pantanal Shopping, em Cuiabá.

As entrevistadas desta terça-feira, 12 de março, destacaram os desafios enfrentados no parlamento, as conquistas e principalmente o desenvolvimento de ações para reduzir a desigualdade contando com parceiros importantes no cumprimento da legislação, como o Ministério Público.

“Nosso papel é cobrar e exigir que as coisas aconteçam na celeridade que merecem. Como é difícil o combate à violência contra a mulher. É muito complexo. São um conjunto de fatores. Trabalhamos para que essa mulher tenha liberdade, capacitação, independência financeira. É isso que dá condições para a mulher sair de relacionamentos abusivos. O Tribunal de Justiça e o Ministério Público são aliados nessas pautas que tratam de questões ligadas à vulnerabilidade das mulheres”, reforçou a única deputada estadual por Mato Grosso, Janaína Riva, responsável pela criação da Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa.

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A presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara de Cuiabá, Michelly Alencar, lembra que os avanços são pequenos, mas o legislativo cuiabano tem apresentado proposições voltadas para melhorar as condições das mulheres que buscam apoio na saúde e no enfrentamento à violência. “Ainda travamos uma luta para seguir com aprovação de projetos. Nós temos atendimento às mulheres todos os dias. E todos os dias temos demanda. As mulheres chegam à Câmara por todos os canais, isso mostra que elas querem ajuda”, disse.

A vereadora Maysa Leão disse que ações de combate à violência contra a mulher são uma de suas pautas prioritárias durante o seu mandato. “A gente percebe que, hoje, há na Câmara um interesse maior em defender essa causa com mais prioridade. Nós estamos ali levando pautas reais de mulheres que estão à margem, mulheres que sofrem e carecem de muita coisa. Ainda faltam programas robustos também voltados à saúde da mulher, já que todos os tipos de violência paralisam as mulheres. Esse é um cuidado essencial que precisamos ter”.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Projeto FloreSer retoma atividades na Escola Raimundo Pinheiro

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O projeto FloreSer, desenvolvido pelo Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, iniciou uma nova etapa de rodas de conversa com estudantes da rede pública estadual. A Escola Estadual Raimundo Pinheiro, localizada no bairro Shangri-lá, em Cuiabá, foi incluída na programação e deverá receber atividades com 14 turmas dos 1º e 2º anos do Ensino Médio.A iniciativa, que conta com a parceria da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), promove diálogos com adolescentes sobre violência contra a mulher, prevenção e relacionamentos abusivos, especialmente entre jovens que estão iniciando suas primeiras relações afetivas.Nesta sexta-feira (24), 39 estudantes participaram de uma roda de conversa com a equipe técnica do Espaço Caliandra. A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra também esteve presente e alertou os adolescentes sobre a importância de reconhecer, desde o início de um relacionamento, os sinais de violência psicológica e moral.“É importante que, desde o início do relacionamento, saibam identificar os sinais de violência psicológica e moral, que são formas de violência tão ou mais graves do que a física e que, em muitos casos, podem levar ao feminicídio”, alertou.Machismo e influência das redes sociais – Durante o encontro, a promotora de Justiça destacou que a equipe do FloreSer tem identificado, nas atividades realizadas nas escolas, a presença de comportamentos machistas entre adolescentes, além da influência de discursos misóginos disseminados nas redes sociais.“Temos percebido que a atual geração é mais machista do que a anterior. Há estudos que mostram isso, e temos verificado a disseminação de discursos machistas e misóginos nas redes sociais, que exercem uma influência muito grande sobre os nossos jovens, além da dificuldade de lidar com a rejeição”, afirmou.Claire Vogel Dutra ressaltou ainda que comportamentos de controle e posse podem começar a ser reproduzidos ainda na adolescência e, posteriormente, contribuir para a escalada da violência nos relacionamentos.“Grande parte dos feminicídios ocorre porque o agressor não se conforma com o término do relacionamento e enxerga aquela pessoa como uma propriedade, como alguém que não tem vontade própria. Esse comportamento não começa na idade adulta. Ele se inicia muito cedo, dentro de casa, na forma como os pais se relacionam e educam os filhos, e acaba sendo reproduzido”, explicou.A inclusão da Escola Estadual Raimundo Pinheiro nas atividades do FloreSer ocorreu a partir de uma solicitação da Seduc, que identificou a necessidade de ampliar a abordagem sobre a violência de gênero entre os estudantes, especialmente adolescentes com idade entre 15 e 17 anos.A professora de Matemática Letícia Brito de Souza cedeu parte do horário de sua aula para a realização da roda de conversa e acompanhou o diálogo entre os estudantes e a equipe do Espaço Caliandra. Para ela, a abordagem preventiva é fundamental, principalmente porque muitos adolescentes convivem com situações de violência sem saber reconhecer os sinais ou buscar ajuda.“Desde cedo, eles precisam saber identificar situações que podem representar riscos à própria segurança e entender como evitá-las. Muitos deles vivem em contextos de violência dentro de casa e não sabem a quem pedir ajuda ou mesmo reconhecer os sinais”, destacou.A professora também ressaltou a proximidade dos educadores com os estudantes e a importância de criar espaços seguros para o diálogo. “Nós, como professores, convivemos bastante com eles e ouvimos relatos, principalmente das meninas, sobre situações de machismo e violência nos relacionamentos”, frisou.O projeto FloreSer busca contribuir para a prevenção da violência contra a mulher por meio da educação e da conscientização de adolescentes, promovendo reflexões sobre respeito, igualdade, masculinidades e relações saudáveis. A proposta é estimular os jovens a reconhecer comportamentos abusivos e romper, ainda na adolescência, com padrões de violência e de desigualdade de gênero.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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