Ministério Público MT
Capacitação do MPMT aborda desafios e práticas da educação inclusiva
Publicado em
7 de agosto de 2026por
Da Redação
Painéis temáticos sobre planejamento pedagógico inclusivo, comunicação alternativa, atendimento educacional especializado e articulação da rede de proteção integram a programação da capacitação “Abraçando as Diferenças – Escola para Todos”, promovida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT). A atividade também contará com o lançamento de um curso na modalidade de Educação a Distância (EaD) e de uma campanha de conscientização sobre o autismo. O evento será realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá.A iniciativa é promovida pelo Centro de Apoio Operacional (CAO) da Educação, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, com apoio da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT).Voltada a membros e servidores do MPMT, profissionais da educação e integrantes da rede de proteção que atuam na promoção e garantia dos direitos de crianças e adolescentes, a formação foi estruturada para oferecer subsídios teóricos e práticos aos participantes. O objetivo é ampliar conhecimentos sobre educação inclusiva e fortalecer estratégias voltadas à garantia do acesso, da permanência, da participação e da aprendizagem de todos os estudantes no ambiente escolar.A capacitação terá início no dia 20 de agosto, com credenciamento dos participantes às 8h e abertura oficial às 9h. Na sequência, às 9h30, será realizado o lançamento do curso EaD “Abraçando as Diferenças – Escola para Todos”, conduzido pela promotora de Justiça e coordenadora-adjunta do CAO Educação, Patrícia Eleutério Campos Dower, e pelo promotor de Justiça e coordenador da Escola Institucional do MPMT, Caio Márcio Loureiro.Às 10h, ocorrerá o lançamento da campanha “Autismo: o respeito começa com a compreensão”, apresentado pela promotora de Justiça e coordenadora do CAO Pessoa com Deficiência, Daniele Crema da Rocha de Souza, e pela promotora de Justiça e coordenadora-adjunta do CAO Pessoa com Deficiência, Sasenazy Soares Rocha Daufenbach.Às 11h, o coordenador-geral da Política Pedagógica da Educação Especial do Ministério da Educação, Marco Antônio Melo Franco, ministrará a palestra de abertura sobre a “Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva”.No período da tarde, a partir das 14h, será realizado o Painel 1, composto por quatro temas e presidido pela promotora de Justiça e coordenadora do CAO Educação, Caroline de Assis e Silva Holmes Lins. A diretora de Educação da Turma do Jiló, Adriessa Aparecida dos Santos, abordará o tema “Planejamento Pedagógico Inclusivo: caminhos para construir experiências de aprendizagem para todos os estudantes”. Em seguida, a educadora Beatriz Santiago Santos apresentará a palestra “Educação Inclusiva: Pontes entre Direitos e Experiências Reais”.Após o intervalo, a consultora Juliana Barica Righini conduzirá a palestra “Articulação entre Escola, Família e Rede de Proteção”. Encerrando o painel, a especialista em Inclusão e Diversidade Carolina Santos Silva Pimentel apresentará o tema “A estrutura da educação inclusiva no contexto escolar”.As atividades serão retomadas no dia 21 de agosto, às 9h, com o início do Painel 2, presidido pelo promotor de Justiça Fernando de Almeida Bosso. O painel contará com três palestras: “Fundamentos Teóricos para Compreensão da Necessidade – Uso da CAA”, ministrada pela fonoaudióloga Candida Rosa de Lima Andrade; “Desenvolvimento Humano como Base para Compreender Comunicação e Aprendizagem”, conduzida pela psicóloga Maraíze Aparecida Zorlon Dias Hernandes; e “Avaliação e Suporte à Implementação de CAA no Contexto Escolar”, apresentada pela fonoaudióloga Alessandra Gomes Buosi.No período da tarde, o Painel 3 será aberto pelo estudante Fernando Murilo Bonatto, às 14h, sob a presidência do promotor de Justiça Alexandre Balas. Na sequência, o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Júnior falará sobre “Atendimento Educacional Especializado (o que é, público-alvo, profissionais envolvidos e suas respectivas funções)”. Encerrando a programação, a promotora de Justiça Patrícia Eleutério Campos Dower ministrará a palestra “Desafios à implementação do Atendimento Educacional Especializado”.Conforme a promotora de Justiça Caroline de Assis e Silva Holmes Lins, coordenadora do CAO Educação, a programação foi estruturada para promover reflexões e apresentar ferramentas capazes de contribuir para a construção de ambientes escolares mais inclusivos. “Reunimos especialistas e profissionais com ampla experiência prática para discutir temas fundamentais à efetivação da educação inclusiva. Nosso objetivo é fomentar o diálogo e fortalecer ações que garantam o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes”, destacou.A coordenadora do CAO Pessoa com Deficiência, promotora de Justiça Daniele Crema da Rocha de Souza, acrescentou que a capacitação também busca ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelos estudantes público-alvo da educação especial. “A inclusão escolar exige conhecimento, planejamento e atuação integrada entre diferentes instituições. A programação foi pensada para fortalecer essa rede de apoio e contribuir para a construção de uma sociedade mais acessível, respeitosa e inclusiva”, afirmou.Com carga horária de 16 horas/aula, a capacitação integra o projeto estratégico institucional “Abraçando as Diferenças – Escola para Todos”, voltado ao fortalecimento das políticas públicas e das ações de promoção da educação inclusiva em Mato Grosso.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Ministério Público MT
Proteção às vítimas deve orientar atuação do MP, defende palestrante
Published
34 minutos agoon
7 de agosto de 2026By
Da Redação
A defesa da vida não termina com a condenação no plenário do Tribunal do Júri. Essa foi uma das principais mensagens transmitidas pelo procurador de Justiça Antonio Sergio Cordeiro Piedade durante a palestra “Tribunal do Júri nas Cortes Superiores – a atuação estratégica do Ministério Público”, que abriu a programação do X Encontro do Tribunal do Júri, promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O evento, destinado a membros da instituição, teve início na noite de quinta-feira (6), na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá.Ao abordar os desafios contemporâneos da persecução penal, o procurador de Justiça defendeu uma atuação articulada entre primeira e segunda instâncias, além de uma presença mais estratégica do Ministério Público nos tribunais superiores para evitar a reversão de decisões e fortalecer a proteção às vítimas.“Não adianta nada um plenário feito com altivez, com convicção, e esse trabalho ir se esmaecendo no Tribunal de Justiça ou se perdendo nos tribunais superiores”, afirmou. Segundo ele, a integração institucional é indispensável para consolidar teses jurídicas e garantir que o esforço empreendido por promotores de Justiça nos julgamentos tenha efetividade até as últimas instâncias do Poder Judiciário.Antonio Sergio Cordeiro Piedade dividiu a exposição em quatro eixos temáticos. No primeiro momento, apresentou o referencial teórico das obrigações positivas do Estado, com ênfase na proteção à vida, nos direitos das vítimas e na aplicação de entendimentos da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ele explicou que a proteção dos direitos humanos não se resume à contenção de abusos estatais, mas também exige uma atuação eficaz para investigar, processar e responsabilizar autores de crimes. “Punir é civilizatório. Punir acautela a sociedade. A impunidade é antônimo de direitos humanos”, defendeu, acrescentando que proteger direitos humanos também significa proteger as vítimas.Ao tratar das 21 condenações impostas ao Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, observou que apenas uma decorreu de excesso estatal, enquanto as demais tiveram origem em falhas na proteção de direitos fundamentais, especialmente pela demora ou ausência de respostas adequadas aos crimes. Conforme o expositor, são situações em que o “Estado brasileiro não conseguiu, dentro de um prazo razoável, dar uma resposta penal”.Ainda dentro desse primeiro eixo, o palestrante estimulou os colegas a humanizarem os processos, levando para o plenário e para as peças processuais o conceito de “dano ao projeto de vida”. Segundo ele, esse referencial teórico, adotado pela Corte Interamericana, evidencia os impactos profundos que o crime causa no destino, nos projetos e nas possibilidades de realização pessoal da vítima e de seus familiares. “Esse deve ser o mantra no Tribunal do Júri: o dano ao projeto de vida. Isso tem que ser trazido ao plenário, demonstrando, no devido processo legal, a necessidade do aumento da pena-base”, orientou.No segundo bloco, o palestrante abordou questões processuais penais controvertidas que vêm sendo debatidas nos tribunais superiores. Nesse contexto, reafirmou o protagonismo institucional do Ministério Público na proteção dos direitos fundamentais e na defesa das vítimas. “O Ministério Público é uma instituição de garantia. Nós somos a espada e o escudo da proteção dos direitos fundamentais. Nós somos os primeiros a nos insurgir contra um excesso, mas somos os primeiros a não permitir que se peque por uma proteção deficiente”, destacou.Um dos pontos centrais dessa etapa foi o Tema 1311, de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute o uso do habeas corpus para contestar decisões de pronúncia mesmo após condenação pelo Tribunal do Júri. Para o procurador de Justiça, a ampliação desse instrumento pode comprometer a soberania dos veredictos e a segurança jurídica. Ele classificou o fenômeno como “efeito hiperbólico do habeas corpus” e alertou para o risco de anulação de julgamentos já concluídos. “Nós estamos em um momento em que o óbvio precisa ser dito, precisa ser debatido e nós precisamos trabalhar de forma articulada com relação a esse tema”, afirmou.No terceiro bloco da palestra, o procurador de Justiça apresentou casos concretos e resultados alcançados pelo Núcleo de Apoio para Recursos aos Tribunais Superiores (Nare), destacando decisões relevantes obtidas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a partir da atuação articulada com membros do MPMT. Entre os exemplos citados, estavam recursos que restabeleceram qualificadoras excluídas na fase de pronúncia e decisões que garantiram a manutenção de medidas cautelares em processos de homicídio.Ao defender o fortalecimento da atuação institucional perante as Cortes Superiores, destacou ainda o papel da Linha Unificada do Ministério Público Estratégico (Lume), criada no âmbito do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça. Segundo ele, a iniciativa contribui para a construção de teses jurídicas comuns e para a defesa de pautas prioritárias do Ministério Público brasileiro.No quarto e último eixo, Antonio Sergio falou sobre linguagem, comunicação e estratégias de atuação em plenário, compartilhando experiências acumuladas ao longo de sua trajetória no Tribunal do Júri.A mesa da palestra foi presidida pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos, que atua no Tribunal do Júri. Ao apresentar o palestrante, ela destacou a trajetória acadêmica e institucional do procurador de Justiça, de quem recebeu a titularidade da promotoria em que atua. “A união que a gente tem, a experiência de vida, o quanto você amadurece, o quanto se torna uma pessoa melhor”, afirmou ao destacar os aprendizados proporcionados pela atuação na área e pela convivência com colegas do júri. O coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) do Júri e presidente da Confraria do Júri, promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais, participou como debatedor. Durante sua manifestação, destacou a complexidade da atuação ministerial nos crimes dolosos contra a vida e a necessidade de aperfeiçoamento contínuo dos membros da instituição. Ao elogiar a trajetória e a contribuição do palestrante para a formação de promotores de Justiça, afirmou que a atuação no Tribunal do Júri exige atenção a todas as etapas da persecução penal. “O júri não começa no plenário. O júri começa muito antes, desde o boletim de ocorrência, desde o momento em que o corpo tomba”, ressaltou.Abertura – Representando o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, na abertura do evento, a subprocuradora-geral de Justiça Administrativa, Januária Dorilêo, destacou a relevância do X Encontro do Tribunal do Júri como um espaço consolidado de capacitação, intercâmbio de experiências e fortalecimento da atuação institucional. Segundo ela, ao longo de uma década, o evento tornou-se referência ao reunir membros comprometidos com a excelência na atuação perante o Tribunal do Júri, promovendo o debate de temas atuais, o compartilhamento de boas práticas e o aperfeiçoamento técnico contínuo.A subprocuradora também enfatizou o reconhecimento nacional da atuação do MPMT na área do júri, atribuindo esse resultado à dedicação e à qualificação dos membros da instituição. “O Ministério Público de Mato Grosso orgulha-se de ter uma atuação no Tribunal do Júri reconhecida nacionalmente, resultado da dedicação de nossos membros, da qualidade técnica de nossos profissionais e do compromisso permanente com a busca da justiça”, afirmou. O promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais ressaltou a importância do encontro como espaço de aprendizado, troca de experiências e renovação das energias para a atuação ministerial. Segundo ele, o trabalho no Tribunal do Júri permite que promotores e jurados transcendam suas esferas individuais para atuar em defesa dos interesses coletivos e da proteção à vida. “Se o direito à vida é pleno, se o direito à vida é inviolável e grandioso como deve ser, ele deve ser defendido da melhor forma, em sua plenitude, com prioridade absoluta e proteção integral”, destacou.O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, destacou que a atuação do Ministério Público no Tribunal do Júri representa a reafirmação da proteção ao bem mais fundamental assegurado pela Constituição Federal: a vida. Segundo ele, todos os demais direitos somente existem em razão desse valor central. “Quando nós somos chamados a atuar no Tribunal do Júri, é preciso ter essa consciência de que ali atuamos para reafirmação de um princípio fundamental, que é o princípio da plenitude da tutela da vida”, ressaltou.Já o presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto, enalteceu a importância dos cursos de capacitação para o aperfeiçoamento da atuação no Tribunal do Júri. Ele relembrou experiências marcantes da carreira e ressaltou que o plenário é um dos espaços de maior realização profissional para os membros do Ministério Público. “Eu acho que não tem nenhum lugar que o promotor de Justiça se realiza mais do que no plenário do Tribunal do Júri, porque ali a gente coloca a nossa alma”, destacou.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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