A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) procura por familiares de cinco vítimas identificadas e que já foram sepultadas, em cemitérios públicos, para que sejam concluídos os trâmites legais de liberação dos corpos. Todos os óbitos foram registrados em Cuiabá.
Eles foram identificados pela análise das impressões digitais, através do projeto “Lembre de Mim”, desenvolvido pela Diretoria Metropolitana de Identificação Técnica, que revisa os casos antigos de vítimas não identificadas, aplicando tecnologias atuais e análise papiloscópica.
A Politec já identificou, por meio do projeto, 32 pessoas falecidas entre 2011 e 2024. Trinta delas foram identificadas com auxílio da tecnologia biométrica, e 16 famílias já foram encontradas.
As pesquisas são realizadas com auxílio do sistema biométrico Abis, do banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral, e da Polícia Federal, além da colaboração do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil e dos institutos de identificação de outros Estados.
Se a família tiver interesse em transferir o corpo para outro cemitério ou jazigo, ou registrar a declaração de óbito, deve procurar a DMML pelo telefone (65) 98108-0036.
Adimar Costa de Souza nasceu em 23 de maio de 1966, em Brasília (DF), e foi encontrado em óbito dentro de um córrego no bairro Despraiado, em Cuiabá, em abril de 2014.
Darci Rosa de Oliveira nasceu em 31 de janeiro de 1969, em Itaí (SP), sendo encontrado sem vida nos fundos de uma residência, no bairro Alto da Boa Vista, em abril de 2014.
Claudemir Pereira de Oliveira nasceu em 25 de julho de 1976, em Bonito (MS), encontrado em óbito em uma chácara no bairro Coxipó do Ouro.
Mauro Sergio da Silva nasceu em 16 de setembro de 1973, em Rondonópolis (MT), localizado em óbito na rua lateral do Detran em julho de 2020.
Jurandir Graciano nasceu em 26 de agosto de 1966, em Icaraíma (PR), que foi a óbito no Hospital Geral Universitário em abril de 2024 e estava sem documentos.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MT) realizam, entre 16 e 19 de abril, o Seminário Regional Araguaia – Trabalho Escravo, Direitos Humanos e Participação Popular, em Porto Alegre do Norte (a 1.125 km de Cuiabá).
A presidente do Coetrae, Márcia Ourives, destacou que o município foi escolhido para receber o seminário após o resgate de 563 trabalhadores em situação análoga à escravidão em uma obra de usina de etanol no ano passado.
“O diálogo e a participação social são pilares fundamentais para a construção de uma política pública exitosa. O enfrentamento ao trabalho escravo não é diferente. Estamos aqui para dialogar e capacitar agentes e lideranças de direitos humanos, além de gestores públicos e autoridades competentes, que são atores importantes para o combate ao trabalho escravo em Mato Grosso”, reforçou.
A programação começou na tarde desta quinta-feira (16.4), com a visita técnica a uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis, voltada para a prevenção do trabalho escravo.
No período noturno, foi realizada uma palestra educativa e apresentações sobre o tema aos alunos do modelo de Ensino de Jovens e Adultos (EJA), da Escola Estadual Alexandre Quirino de Souza. Além de conhecer a realidade do trabalho escravo, os alunos também aprendem como denunciar e a quem recorrer para garantir seus direitos.
Para o estudante Matheus de Carvalho, 19 anos, que participou das apresentações, a visita do Coetrae à escola foi fundamental para mudar a percepção dos estudantes sobre o que é trabalho análogo à escravidão nos dias atuais.
“A vinda do Coetrae nos trouxe uma nova visão sobre o trabalho escravo, muito importante para os jovens da nossa idade que estão terminando os estudos e entrando no mercado de trabalho, para não nos tornarmos vítimas desse tipo de crime”, destacou.
A estudante Ruth Maria, 19 anos, pontuou que, além de ajudar os estudantes que estão começando a trabalhar, também ajuda a alertar a própria família, que não teve acesso à informação.
“Além de ser importante para nós que estamos começando a trabalhar, essa informação é muito importante para nossa família, pois muitos não têm essa informação e não conhecem o que é estar refém do trabalho escravo, porque, sem ajuda, não conseguem sair”, reforçou.
As atividades continuam nesta sexta, sábado e domingo, com visitas técnicas, encontros com autoridades, palestras e mesas-redondas acerca do tema no município.
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