A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20.3), a Operação Cerco de Aço, com o objetivo de desarticular uma associação criminosa especializada na prática de crimes patrimoniais contra empresas do setor da construção civil.
Na operação, foram cumpridas seis ordens judiciais, dentre mandados de busca e apreensão domiciliar e quebras de sigilo de dados telemáticos, expedidos pela Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias da capital.
A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, evidenciou indícios da atuação de um grupo estruturado, voltado à prática reiterada de crimes patrimoniais contra empresas do ramo da construção civil, o que motivou a representação pelas medidas cautelares deferidas pelo Poder Judiciário.
A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.
As investigações iniciaram após um roubo, ocorrido na madrugada do dia 18 de novembro de 2025, em uma obra localizada na região da Rodovia Emanuel Pinheiro, nesta capital.
Conforme apurado, cerca de nove homens armados invadiram o local, renderam o vigilante, que foi amarrado e mantido sob grave ameaça com arma de fogo e objetos contundentes, e subtraíram diversos materiais elétricos utilizados na construção civil.
Segundo os elementos apurados, os criminosos agiram de forma coordenada, acessando diferentes setores da obra e tentando arrombar áreas de armazenamento. A ação só foi interrompida após o disparo do sistema de alarme, ocasião em que os suspeitos empreenderam fuga, deixando a vítima imobilizada no local.
Segundo o delegado responsável pelas investigações, Romildo Nogueira, a operação simboliza a atuação firme e estratégica das forças de segurança pública no enfrentamento à criminalidade organizada
“O objetivo de cercar, enfraquecer e desarticular associações criminosas, reafirmando a presença e a força do Estado no combate aos crimes que impactam o setor produtivo e a sociedade como um todo”, disse o delegado.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MT) realizam, entre 16 e 19 de abril, o Seminário Regional Araguaia – Trabalho Escravo, Direitos Humanos e Participação Popular, em Porto Alegre do Norte (a 1.125 km de Cuiabá).
A presidente do Coetrae, Márcia Ourives, destacou que o município foi escolhido para receber o seminário após o resgate de 563 trabalhadores em situação análoga à escravidão em uma obra de usina de etanol no ano passado.
“O diálogo e a participação social são pilares fundamentais para a construção de uma política pública exitosa. O enfrentamento ao trabalho escravo não é diferente. Estamos aqui para dialogar e capacitar agentes e lideranças de direitos humanos, além de gestores públicos e autoridades competentes, que são atores importantes para o combate ao trabalho escravo em Mato Grosso”, reforçou.
A programação começou na tarde desta quinta-feira (16.4), com a visita técnica a uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis, voltada para a prevenção do trabalho escravo.
No período noturno, foi realizada uma palestra educativa e apresentações sobre o tema aos alunos do modelo de Ensino de Jovens e Adultos (EJA), da Escola Estadual Alexandre Quirino de Souza. Além de conhecer a realidade do trabalho escravo, os alunos também aprendem como denunciar e a quem recorrer para garantir seus direitos.
Para o estudante Matheus de Carvalho, 19 anos, que participou das apresentações, a visita do Coetrae à escola foi fundamental para mudar a percepção dos estudantes sobre o que é trabalho análogo à escravidão nos dias atuais.
“A vinda do Coetrae nos trouxe uma nova visão sobre o trabalho escravo, muito importante para os jovens da nossa idade que estão terminando os estudos e entrando no mercado de trabalho, para não nos tornarmos vítimas desse tipo de crime”, destacou.
A estudante Ruth Maria, 19 anos, pontuou que, além de ajudar os estudantes que estão começando a trabalhar, também ajuda a alertar a própria família, que não teve acesso à informação.
“Além de ser importante para nós que estamos começando a trabalhar, essa informação é muito importante para nossa família, pois muitos não têm essa informação e não conhecem o que é estar refém do trabalho escravo, porque, sem ajuda, não conseguem sair”, reforçou.
As atividades continuam nesta sexta, sábado e domingo, com visitas técnicas, encontros com autoridades, palestras e mesas-redondas acerca do tema no município.
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