A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, deflagrou na manhã desta quinta-feira (27.11), a Operação Chargeback, com foco na desarticulação de um esquema complexo de furto qualificado mediante fraude e possível lavagem de dinheiro que causou um prejuízo de mais de R$ 113 mil a uma instituição financeira sediada em São Paulo (SP).
Na operação, são cumpridos mandados judiciais de busca e apreensão domiciliar e sequestro de bens e valores, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. O inquérito policial foi instaurado pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá após notícia-crime apresentada pela instituição financeira em setembro de 2025.
A investigação identificou que uma conta na plataforma digital, registrada em nome de uma mulher de 24 anos, era utilizada para realizar operações financeiras fraudulentas causando um prejuízo de mais de R$ 110 mil, contando com a participação de seu companheiro, também de 24 anos.
A fraude envolvia o pagamento de faturas fraudulentas, por meio de cartões de crédito de terceiros, sem autorização dos titulares. Os cartões eram utilizados pelos investigados para pagar sucessivamente a fatura de seus próprios cartão do crédito, o que gerava um aumento artificial de saldo e limite de crédito, que era posteriormente dissipado através de transferências Pix para contas próprias e de terceiros.
Além disso, os mesmos cartões de terceiros eram usados para quitar boletos de compras em lojas virtuais. Com base nos elementos apurados, o delegado responsável pelas investigações, Gustavo Godoy Alevado, representou pelas ordens judiciais contra os investigados, que foram deferidas pela Justiça e cumpridas pelos policiais da Delegacia de Estelionato.
Na residência dos investigados, localizada no bairro Coophema, em Cuiabá, foram apreendidos aparelhos eletrônicos como celulares, computadores e tablets, com o fim de colher elementos essenciais à prova da infração penal e ao avanço das investigações.
Com base nas investigações, o Poder Judiciário ainda decretou o sequestro e bloqueio de valores nas contas bancárias dos suspeitos e de uma empresa vinculada a um deles, até o limite do prejuízo apurado. Também foi determinada o sequestro de veículos automotores registrados em nome dos investigados.
Segundo a delegada titular da Delegacia de Estelionato de Cuiabá, Eliane Moraes, a deflagração da operação é crucial para mostrar que a Polícia Civil está atenta e atuando de forma repressiva contra os crimes complexos de fraude eletrônica.
“A agilidade na obtenção das medidas cautelares, como o bloqueio de mais de R$ 113 mil e a apreensão dos aparelhos, impede a dissipação dos valores ilícitos e nos permite avançar na prova do crime de lavagem de dinheiro. Nossa resposta é clara: o crime digital não compensa em Mato Grosso”, disse a delegada.
Chargeback
O nome da operação faz referência direta ao procedimento de contestação dessas compras pelos titulares dos cartões, obrigando a instituição financeira vítima a arcar com o ressarcimento integral dos valores.
A chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, Mariell Antonini, reforçou a importância das vítimas de violência doméstica confiarem na rede de proteção e manterem as medidas protetivas.
O alerta foi feito após uma mulher, identificada como Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, ser assassinada a tiros, nesta terça-feira (23.6), em Guarantã do Norte. O principal suspeito é o companheiro dela, de 33 anos. O crime está sendo investigado pela Polícia Civil como feminicídio consumado.
Ele já possuía um longo histórico de violência doméstica contra a vítima. Em novembro de 2025, após um pedido feito pela própria vítima, a medida protetiva que existia contra o investigado foi revogada e ele voltou a responder ao processo em liberdade.
“É importante que toda mulher compreenda que o rompimento do ciclo da violência nem sempre é um processo simples. Muitas vezes, existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão. Por isso, é fundamental buscar apoio, acreditar na rede de proteção e no sistema de Justiça”, destacou.
Segundo Mariell Antonini, a violência doméstica costuma seguir um ciclo que tende a se agravar ao longo do tempo.
“A violência é cíclica e, muitas vezes, começa com sinais que podem parecer menos graves, mas pode evoluir para situações cada vez mais letais, culminando na morte da vítima. Ameaças e agressões precisam ser compreendidas como sinais de alerta, e a busca por ajuda deve acontecer o quanto antes”, afirmou.
As primeiras denúncias contra o suspeito foram registradas em 2023, quando Gleici procurou as autoridades para relatar episódios de violência doméstica. Em 2024, novas intervenções policiais ocorreram por crimes como lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo, todos envolvendo o mesmo casal.
Já em julho de 2025, o suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, após a vítima acionar as forças de segurança. Na ocasião, foram concedidas medidas protetivas de urgência em favor de Gleici. Meses depois, entretanto, a vítima solicitou a revogação da medida, o que resultou na liberdade do suspeito.
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