A Operação Recovery, deflagrada pela Polícia Civil em Sorriso em 2023, teve como desfecho a condenação de 77 pessoas pelo Poder Judiciário. As sentenças somam mais de 902 anos de reclusão, evidenciando a gravidade dos crimes investigados e a robustez do trabalho policial desenvolvido ao longo da operação, que teve como foco a repressão às facções criminosas atuantes na região.
A operação, presidida pelos delegados Eugênio Rudy Junior e Bruno França, entrou para a história como a maior ação policial já realizada em Sorriso, tendo empregado quase 500 policiais civis, mobilizados de forma integrada para o cumprimento de mandados e desarticulação da organização criminosa.
O objetivo da operação era dar cumprimento a 195 ordens judiciais, entre mandados de prisão, busca e apreensão, apreensão de menores e sequestro de bens e valores ligado à associação criminosa.
Os alvos pertenciam a uma facção criminosa envolvida em crimes de tráfico de drogas e homicídios qualificados ocorridos em Sorriso. Houve mais de 50 presos, entre prisões por mandados judiciais e flagrantes, além do sequestro de bens de valores aproximados de R$ 2,2 milhões, representando um marco significativo no combate à atuação do grupo no município e região.
As investigações da Operação Recovery reuniram elementos probatórios que permitiram à Polícia Civil individualizar as condutas de cada envolvido e o funcionamento da associação voltada ao comércio de entorpecentes e à aquisição de patrimônio ilícito.
A desarticulação do grupo criminoso teve início com a identificação de três traficantes identificados que lideravam a venda no atacado e no comércio entre os “lojistas” que atuavam no varejo de entorpecentes.
Todo pequeno traficante da cidade de Sorriso devia obediência e o pagamento de taxas à facção criminosa responsável pelo território em que atuava, integrando ou não o grupo criminoso.
Foto: Christiano Antonnucci/Secom-MT
Divisão dos valores recebidos
Durante o trabalho investigativo da Operação Recovery, também foram identificadas mulheres que atuavam não apenas na lavagem de ativos ilícitos da associação, mas também desfrutavam da luxuosa vida que o dinheiro sujo propiciava.
Duas delas são da mesma família (mãe e filha), que se especializou em fazer lavagem de dinheiro do tráfico, e que contava ainda com a participação do filho. Agindo da mesma forma que os filhos, a mãe recebia pagamentos da compra e venda de drogas em suas contas pessoais, a fim de ocultar e dissimular a origem.
Outras investigadas, duas delas companheiras dos traficantes, tinham como papel na associação criminosa ceder as contas bancárias para receber e realizar pagamentos de negociações que envolviam o comércio de drogas em Sorriso.
Venda de armas
A investigação apurou também que um dos integrantes da facção, e com extenso histórico criminal, fez a venda de diversas armas aos integrantes da associação investigada. Em uma negociação, ele vendeu uma pistola para o traficante que gerenciava o abastecimento dos “lojistas”.
A apuração constatou que o criminoso vendeu, somente ao bando aqui investigado, três armas de fogo e ofertou outros diversos armamentos à associação investigada.
Médicos que atuam no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) afirmam estar sem receber pelos serviços prestados desde o mês de abril e denunciam que a situação tem comprometido a assistência à população e as condições de trabalho dentro da unidade.
Segundo os profissionais, os pagamentos permanecem em atraso há meses, gerando insegurança financeira para dezenas de médicos que continuam exercendo suas funções em plantões de alta complexidade, mesmo sem remuneração.
De acordo com o relato dos médicos, a gestão do prefeito Abílio Brunini ainda não teria realizado os repasses financeiros necessários ao Hospital Municipal de Cuiabá, o que estaria impedindo o pagamento dos profissionais. A categoria cobra transparência sobre a destinação dos recursos e um posicionamento oficial da administração municipal quanto à regularização dos valores devidos.
Os profissionais ressaltam que a saúde pública depende da valorização de seus trabalhadores e alertam que a manutenção dos atrasos pode comprometer a permanência de médicos nos plantões, afetando diretamente o atendimento à população.
Até o momento, os médicos aguardam uma solução por parte da Prefeitura de Cuiabá e da administração do HMC, bem como um cronograma oficial para a quitação dos pagamentos em atraso.
A reportagem será atualizada caso a Prefeitura de Cuiabá, a direção do Hospital Municipal de Cuiabá ou a Secretaria Municipal de Saúde se manifestem sobre o caso.
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