AGRONEGÓCIO
Guerra tarifária entre China e Estados Unidos impulsiona exportações brasileiras
Publicado em
12 de abril de 2025por
Da Redação
A intensificação da guerra tarifária entre China e Estados Unidos vem gerando impactos diretos no comércio global de commodities agrícolas, com reflexos positivos para o Brasil, especialmente no setor da soja. Diante do aumento das tarifas impostas por ambos os lados, a China tem redirecionado parte de suas compras para fornecedores alternativos, favorecendo diretamente o mercado brasileiro.
Nos primeiros dias após o anúncio de tarifas retaliatórias por parte da China, que elevou os impostos sobre produtos norte-americanos em até 34%, o volume de soja embarcado pelo Brasil em direção ao mercado chinês foi significativamente superior ao habitual. Em apenas uma semana, cerca de 50 navios partiram com destino ao país asiático, totalizando cerca de 5 milhões de toneladas — o dobro do fluxo semanal considerado comum para o período.
Esse aumento atípico nas compras ocorreu em meio à colheita da safra brasileira, período em que já se registra tradicionalmente um maior volume de exportações. No entanto, fontes do mercado destacam que o ritmo acelerado e o volume elevado das aquisições nesta semana foram considerados excepcionais. Estima-se que mais de 2,4 milhões de toneladas foram adquiridas apenas nos primeiros dias, com entregas previstas entre maio e julho.
A preferência chinesa pela soja brasileira está associada também às condições de mercado mais favoráveis para o processamento interno no país asiático. Com os preços do farelo e do óleo de soja em alta, as indústrias locais, diante da queda nos fretes e do recuo nos prêmios pagos nos portos brasileiros, aproveitaram as margens de lucro mais amplas para reforçar os estoques.
Dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) mostram que, nos três primeiros meses de 2025, o Brasil exportou 16,946 milhões de toneladas de soja para a China, com receita de US$ 6,67 bilhões. Esse volume supera os embarques registrados no mesmo período de 2024, que foram de 15,853 milhões de toneladas. A China respondeu por 77% das exportações brasileiras do grão nesse início de ano.
Apesar do cenário atual de demanda aquecida, especialistas do setor observam que a continuidade desse ritmo dependerá da evolução das negociações comerciais entre as duas potências. Tradicionalmente, os Estados Unidos assumem o papel de principal fornecedor de soja para a China no segundo semestre. Caso haja uma reaproximação entre os dois países, é possível que os volumes exportados pelo Brasil sofram algum ajuste.
Ainda assim, a perspectiva de valorização da soja brasileira permanece firme. A expectativa é de que, ao longo do quarto trimestre, a China mantenha certa cautela na retomada das compras da safra norte-americana, favorecendo a continuidade das aquisições do produto brasileiro.
O Brasil, por sua vez, segue em trajetória de crescimento na produção da oleaginosa. Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2024/25 deverá alcançar 167,9 milhões de toneladas, um aumento de 20,1 milhões de toneladas em relação à temporada anterior. A maior oferta nacional, aliada à competitividade no mercado internacional, reforça o protagonismo do país nas exportações globais.
No cenário internacional, a tensão comercial ganhou novo capítulo esta semana, quando os Estados Unidos anunciaram tarifas de importação de até 145% sobre produtos chineses. Em resposta, a China elevou seus impostos sobre mercadorias norte-americanas de 84% para 125%, ampliando ainda mais o distanciamento entre os dois principais polos econômicos do mundo.
A análise mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) já havia detectado, no fim de março, um aumento significativo na demanda internacional por soja brasileira. Apenas naquele mês, o Brasil embarcou 10,25 milhões de toneladas, alta de 59,5% em comparação com fevereiro. Em março, os embarques somaram 11,15 milhões de toneladas, contra 8,9 milhões no mesmo mês de 2024.
Esse desempenho reforça a importância da soja brasileira como pilar estratégico para o agronegócio nacional, destacando o papel fundamental do produtor rural na manutenção da competitividade do país em meio às turbulências do mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Agro exporta R$ 45,6 bilhões e mantém 3º lugar no país
Published
2 horas agoon
2 de setembro de 2026By
Da Redação
O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026 e manteve o Estado como o terceiro maior exportador do setor no país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. O resultado veio mesmo com uma queda de 9,6% na receita em relação ao mesmo período do ano passado, puxada principalmente pela redução dos embarques de café.
Entre janeiro e junho, Minas enviou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume foi 3% menor que o registrado no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, o Estado respondeu por 10,3% de tudo o que o agronegócio brasileiro vendeu ao exterior e o setor representou 40,9% da receita total das exportações mineiras.
Os números, levantados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) a partir dos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram uma mudança importante dentro da pauta. O café continuou dominante, mas soja e carnes ganharam espaço e ajudaram a amortecer a retração do principal produto mineiro.
O café respondeu sozinho por R$ 22,9 bilhões, pouco mais da metade de toda a receita agropecuária obtida no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre. A disponibilidade menor do produto reduziu os volumes, embora o preço médio de exportação tenha aumentado cerca de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A influência do café sobre os números mineiros é enorme. No primeiro trimestre, por exemplo, as exportações do produto haviam caído 31,5% em volume e 18,5% em receita. O recuo foi suficiente para puxar para baixo o resultado de todo o agronegócio estadual, mesmo enquanto outras cadeias registravam crescimento.
Isso ajuda a explicar uma aparente contradição: Minas continua entre os maiores exportadores agrícolas do Brasil, mas vendeu menos que no ano passado. Em 2025, o agronegócio mineiro havia alcançado o recorde de aproximadamente R$ 101 bilhões em vendas externas, resultado favorecido principalmente pela forte valorização internacional do café. A comparação de 2026, portanto, ocorre sobre uma base excepcionalmente elevada.
A soja foi uma das cadeias que impediram uma retração maior. O complexo formado por grão, farelo e óleo movimentou aproximadamente R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de cerca de 10% sobre 2025. O avanço também revela uma mudança na composição das vendas, com maior presença de farelo e óleo, produtos que passam por processamento antes de deixar o Estado.
As carnes apresentaram outro desempenho positivo. Os embarques de carne bovina, suína e de frango renderam aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% na comparação anual. O volume chegou a 247,3 mil toneladas, 3,7% acima do primeiro semestre do ano passado.
A diferença entre o crescimento da receita e o avanço do volume mostra que o valor médio das carnes exportadas aumentou. O movimento beneficia uma cadeia importante para Minas, que possui produção expressiva de bovinos, aves e suínos e uma estrutura industrial formada por frigoríficos, cooperativas e empresas de processamento.
O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, gerou cerca de R$ 2,7 bilhões em exportações no semestre. Os produtos florestais, que incluem celulose, madeira e papel, ficaram próximos de R$ 2,6 bilhões.
Juntos, café, complexo soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais concentraram mais de 96% das exportações do agronegócio mineiro. A pauta é concentrada em grandes cadeias, mas começa a apresentar nichos com maior grau de processamento e produtos ligados à tradição regional.
Minas também aparece entre os principais fornecedores brasileiros de produtos como mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite. Embora movimentem valores menores, essas cadeias têm importância porque permitem a entrada de cooperativas e agroindústrias de menor porte em mercados internacionais.
A diversificação também aparece nos destinos. A China permaneceu como principal comprador do agronegócio mineiro, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A União Europeia tem peso especial para o café: no primeiro quadrimestre, aproximadamente 94% do valor comprado pelo bloco de Minas estava concentrado no produto.
O peso do campo vai além das exportações. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária mineira alcançou o recorde de R$ 167,8 bilhões em 2025. Para 2026, as projeções divulgadas ao longo do ano mantêm o faturamento próximo desse patamar, embora com comportamentos diferentes entre as cadeias.
As lavouras representam aproximadamente dois terços do VBP estadual e o café continua na liderança. Estimativas divulgadas pela Seapa indicavam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cultura em 2026. Soja, cana-de-açúcar e milho aparecem na sequência entre as principais atividades agrícolas.
Na pecuária, a carne bovina segue como principal componente do faturamento. A projeção divulgada neste ano apontava para cerca de R$ 20 bilhões, enquanto o leite, outra atividade tradicional de Minas, enfrentava cenário mais difícil, com queda de preços e pressão sobre a rentabilidade do produtor.
Esse conjunto mostra que o desempenho do agronegócio mineiro em 2026 não pode ser resumido apenas à queda das exportações. O Estado atravessa uma acomodação depois do recorde registrado no ano passado, enquanto algumas cadeias ganham espaço justamente no momento em que o café perde parte da força excepcional observada em 2025.
Para o produtor, essa diversificação reduz parcialmente a dependência de uma única commodity, mas não elimina os riscos. Café, soja, carnes e produtos florestais continuam fortemente expostos ao câmbio, aos preços internacionais, ao custo do crédito, às condições climáticas e às exigências dos mercados compradores.
Mesmo nesse ambiente, Minas chega à segunda metade de 2026 com o agronegócio respondendo por quatro de cada dez reais obtidos pelo Estado com exportações. Mais do que o valor absoluto dos R$ 45,6 bilhões, é essa participação, combinada à presença em 166 mercados e à expansão de cadeias além do café, que ajuda a explicar por que o campo permanece como uma das principais bases da economia mineira.
Fonte: Pensar Agro
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