AGRONEGÓCIO
Exportações brasileiras disparam. Portos movimentaram 12,4 milhões de toneladas
Publicado em
11 de abril de 2025por
Da Redação
O mês de fevereiro trouxe números históricos para os portos brasileiros, especialmente no que diz respeito à movimentação do milho. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os portos movimentaram 12,4 milhões de toneladas em contêineres, o maior volume já registrado para o mês. Esse crescimento de 9,26% em relação ao mesmo período de 2024 foi impulsionado principalmente pelo desempenho expressivo do milho, que liderou os embarques ao lado da bauxita e dos fertilizantes.
Com um crescimento impressionante de 41,5% em relação a fevereiro do ano passado, o milho se destacou como o principal produto escoado no período, com 1,2 milhão de toneladas embarcadas pelos portos brasileiros. Essa aceleração nas exportações mostra a força do cereal brasileiro no mercado internacional, mesmo diante de desafios logísticos e incertezas no cenário global.
A movimentação foi puxada, em sua maioria, pelo comércio de longo curso, responsável por cerca de 70% da carga total, o equivalente a 8,6 milhões de toneladas. Os outros 30%, ou 3,7 milhões de toneladas, seguiram por cabotagem. A carga geral teve também um bom desempenho, com 5,1 milhões de toneladas movimentadas — um aumento de 6,54% em relação ao ano anterior.
O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, destacou que há um plano estratégico em andamento para sustentar o crescimento da movimentação de cargas. Nos próximos dois anos, estão previstos leilões de 44 terminais portuários com um total de R$ 15,4 bilhões em investimentos, o que deve melhorar ainda mais a estrutura e o escoamento da produção agrícola.
Nos portos públicos, a movimentação de cargas em fevereiro foi de 35,5 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ano anterior, com leve queda de 0,48%. Já nos portos privados, houve uma retração mais significativa, com 61,6 milhões de toneladas movimentadas — queda de 7,18%. Mesmo assim, alguns terminais se destacaram. O Terminal Aquaviário de São Francisco do Sul (SC), por exemplo, cresceu 37,44%, movimentando 0,9 milhão de toneladas.
USDA – No cenário internacional, o novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado esta semana, trouxe poucas mudanças no quadro de oferta e demanda de milho. A principal alteração foi na expectativa de exportações americanas, que subiu de 62,23 para 64,77 milhões de toneladas, refletindo o bom ritmo de vendas e os preços competitivos do milho dos EUA.
Os estoques finais dos Estados Unidos foram revisados para baixo, passando de 39,12 para 37,22 milhões de toneladas, o que pode indicar uma demanda mais aquecida ao longo do ano. A produção americana permanece estimada em 377,63 milhões de toneladas, com o uso doméstico projetado em 321,07 milhões.
No mercado global, a produção total foi ajustada levemente de 1,214 para 1,215 bilhão de toneladas. A alta esperada na União Europeia, Honduras e Tanzânia deve compensar as quedas previstas em países como Moldávia, Cambodja e Quênia. O consumo mundial segue estável, com previsão de 1,24 bilhão de toneladas, enquanto os estoques globais recuaram 1 milhão de toneladas, ficando em 287,65 milhões.
Para o Brasil, o USDA manteve a previsão de colheita em 126 milhões de toneladas de milho para a safra 2024/25. A Argentina também permanece com estimativa inalterada, com produção prevista de 50 milhões de toneladas. Esses números mostram estabilidade na oferta da América do Sul, que segue sendo uma das principais regiões exportadoras do grão.
Vale destacar que o volume negociado de milho no Brasil em 2025 já é o maior da história para o período, com 88,2 milhões de toneladas, o que reforça a confiança do mercado e a atratividade dos preços atuais.
A alta nas exportações, os preços competitivos no mercado internacional e a infraestrutura portuária em expansão formam um cenário muito positivo para o milho brasileiro. Com números recordes e forte demanda global, o produtor rural tem bons motivos para estar otimista. No entanto, é fundamental acompanhar os próximos relatórios de mercado e o desenrolar das exportações, especialmente com a entrada da safra americana no radar e possíveis variações cambiais.
Enquanto isso, quem está com milho estocado ou fechando contratos de exportação tem bons motivos para sorrir — o grão segue valorizado e o Brasil consolidado como potência global na produção e no comércio de milho.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio
Published
48 minutos agoon
22 de julho de 2026By
Da Redação
A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.
A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.
O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.
É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.
O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.
O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.
Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.
Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.
Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.
O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.
A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.
Fonte: Pensar Agro
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