AGRONEGÓCIO

Crédito rural flexibiliza regras e amplia acesso à mecanização

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As mudanças nas regras do crédito rural, implementadas a partir do Plano Safra 2025/26, começaram a reconfigurar o acesso à mecanização no País. Com prazos mais longos, manutenção de juros equalizados e maior flexibilidade nas garantias, o financiamento de tratores e implementos passa a alcançar um público mais amplo, especialmente entre pequenos e médios produtores.

O movimento ocorre em um segmento de peso. O mercado de máquinas agrícolas no Brasil movimenta entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões por ano, impulsionado pela renovação de frota e pela expansão da área cultivada. Ainda assim, há forte heterogeneidade regional: enquanto polos consolidados operam com alto nível de mecanização, áreas de menor escala ainda dependem, em grande medida, do aluguel de equipamentos.

As novas condições de crédito alteram essa dinâmica ao reduzir o custo de entrada. A ampliação dos prazos dilui o valor das parcelas, enquanto a manutenção de linhas com juros subsidiados preserva a previsibilidade financeira das operações. Ao mesmo tempo, instituições financeiras passaram a adotar critérios mais flexíveis na exigência de garantias, incluindo o próprio equipamento financiado como parte da operação.

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Outra mudança relevante está na forma de análise de crédito. O modelo passa a considerar com maior peso a capacidade de geração de renda do projeto financiado, e não apenas o patrimônio do produtor. Na prática, operações voltadas à mecanização passam a incorporar ganhos de eficiência — como a substituição do aluguel de máquinas e o aumento potencial de produtividade — na avaliação de risco.

A simplificação de procedimentos também contribui para ampliar o acesso. A digitalização de etapas e a padronização de documentos reduziram o tempo de tramitação dos pedidos, ainda que a liberação siga condicionada à análise cadastral e à regularidade da propriedade.

Para o produtor, o efeito mais imediato é a mudança na lógica de investimento. Em diversas regiões, o custo anual com serviços mecanizados se aproxima do valor das parcelas de financiamento, o que torna a aquisição do equipamento economicamente viável. Além de reduzir a dependência de terceiros, a mecanização própria permite maior controle sobre o calendário agrícola, especialmente em períodos críticos de plantio e colheita.

Programas voltados à agricultura familiar e ao pequeno produtor também foram ajustados, com ampliação de limites financiáveis e inclusão de conjuntos completos de mecanização, que vão além do trator e abrangem implementos essenciais à operação.

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Apesar do avanço, fatores estruturais continuam a influenciar a decisão. Custos operacionais, como diesel e manutenção, seguem pressionando a rentabilidade, e o acesso ao crédito ainda varia conforme região e perfil do produtor.

No conjunto, as mudanças indicam um ambiente mais favorável à mecanização, com potencial de ampliar a produtividade em propriedades de menor escala. O impacto tende a ser gradual, à medida que as novas condições de financiamento se consolidam e se traduzem em investimento efetivo no campo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Negociação entre os dois países vai discutir sobretaxas de até 37,5%

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Açúcar, pescados e produtos de madeira estão entre os segmentos do agronegócio que poderão se beneficiar de um eventual acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos. Os dois países decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as barreiras ao comércio bilateral, abrindo uma nova etapa de negociação sobre cobranças adicionais que, para determinados produtos, chegam a 37,5%. Ainda não houve anúncio de redução das tarifas.

O peso dessas medidas é desigual dentro do setor. Enquanto o açúcar enfrenta sobretaxa de 25% e os pescados estão sujeitos à cobrança adicional de 12,5%, vários tipos de madeira, gorduras e óleos podem ser alcançados pela soma das duas alíquotas. Para esses exportadores, a negociação representa a possibilidade de recuperar competitividade no mercado americano.

Outras cadeias importantes do agro foram preservadas das medidas. Segundo levantamento divulgado em julho pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), café, carnes, suco de laranja, frutas e a maior parte das exportações de celulose estão entre as mercadorias excluídas dessas sobretaxas. A distinção é relevante porque as restrições não atingem todos os produtos brasileiros da mesma forma.

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A criação do grupo foi acertada na quarta-feira (30), em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin. Participaram da reunião os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Mdic, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro ocorreu durante a reunião de ministros do Comércio do G20.

O próximo movimento cabe a Washington, que deverá apresentar nas próximas semanas um documento com os temas propostos para a negociação. Além das tarifas, o trabalho deverá abranger outros entraves às trocas comerciais. O comunicado brasileiro não detalhou quais produtos serão discutidos nem estabeleceu uma data para a conclusão de um acordo.

As sobretaxas anunciadas em julho resultam de duas investigações conduzidas pelos Estados Unidos. Uma delas trata de práticas comerciais brasileiras contestadas pelo governo americano, incluindo as condições de acesso ao mercado de etanol. A outra envolve exigências americanas para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forç

Fonte: Pensar Agro

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