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Debate reúne especialistas e comunidade para discutir impactos de lei na pesca tradicional

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Um auditório lotado recebe o evento Diálogos Acadêmicos, com o público sentado em cadeiras escuras voltadas para um palco lateral onde autoridades debatem em sofás. No palco, destacam-se as bandeiras oficiais, um banner institucional da Esmagis-MT.A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), em parceria com o curso de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) – Campus Cáceres, realizou na noite desta quinta-feira (12 de março), no Fórum da Comarca, o encontro “Diálogos Acadêmicos: Impactos Socioambientais da Lei 12.197/2023 na Comunidade Pesqueira Tradicional Pantaneira”.

O evento, que abriu os trabalhos da 41ª Reunião do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam), reuniu magistrados, pesquisadores, professores, estudantes, representantes do Poder Público e moradores da região para discutir os efeitos sociais, econômicos, culturais e ambientais da chamada Lei da Cota Zero, que restringe o transporte, armazenamento e comercialização de pescado em Mato Grosso.

Integração entre Judiciário e Academia

A juíza Alethea Assunção Santos, coordenadora do Gemam, destacou que a iniciativa integra o esforço da Esmagis-MT de aproximar a formação continuada da realidade das comarcas do interior. Segundo ela, “o objetivo é capacitar magistrados e magistradas, fomentar o debate qualificado e fortalecer a interlocução com a comunidade acadêmica e com a sociedade. Trazer o Gemam para Cáceres é uma diretriz do desembargador Márcio Vidal, que busca interiorizar as ações da Escola e ampliar a participação dos colegas”, afirmou.

A magistrada ressaltou ainda que o tema escolhido dialoga diretamente com a vida da população local. “A Lei da Cota Zero impacta profundamente a comunidade ribeirinha e interessa também à universidade. Por isso, reunimos professores da Unemat e o juiz José Eduardo Mariano para debater os principais aspectos dessa legislação e seus reflexos na região.”

O juiz diretor do Foro de Cáceres, José Eduardo Mariano, reforçou a importância de levar temas atuais e sensíveis ao interior do Estado. “A Escola da Magistratura traz assuntos polêmicos e relevantes para que possamos aprimorar nossa atuação. A troca de visões e a escuta da comunidade contribuem para decisões mais eficazes e sensíveis às realidades locais”, afirmou.

Para ele, discutir a Lei 12.197/2023 é fundamental, já que seus efeitos ultrapassam a esfera ambiental. “É um tema regional, que afeta a economia, a cultura e o modo de vida de diversos municípios. O diálogo com a universidade e com os pescadores é essencial para compreendermos a dimensão desse impacto”.

Universidade e comunidade

A professora Cintya Leocadio Dias Cunha, diretora de Iniciação Científica da Unemat, lembrou que a universidade integra o Centro Integrado de Estudos do Meio Ambiente, coordenado pela Esmagis-MT, e que a parceria reforça o compromisso institucional com os problemas reais do Estado. Na oportunidade, ela representou a reitora da Unemat, Vera Lúcia da Rocha Maquêa.

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“Essa questão precisa ultrapassar os muros da universidade e atender as demandas da sociedade. Esse é um problema socioambiental que a Unemat nunca deixou de assistir, a ponto de estarmos aqui para tratar desse assunto tão importante que é a proteção ambiental, em especial do Pantanal. Afinal de contas, nós estamos numa Universidade do Estado de Mato Grosso, a Esmagis é de Mato Grosso, então nós precisamos resolver os nossos problemas locais ou pelo menos discuti-los. Esse é o papel da academia.”

Já o coordenador do curso de Direito da Unemat, professor Jaime Santana Orro Silva, destacou a relevância de sediar um debate dessa magnitude no interior. “É um evento que deve ficar marcado, imperdível. Esse encontro busca realmente levantar reflexões acerca de uma lei que cria impactos sobre a pesca e sobre aqueles que vivem relacionados a essa atividade, e seus efeitos e o que o estado pode fazer para ter a chamada sustentabilidade do meio ambiente e, ao mesmo tempo, a sobrevivência dos pescadores. É um tema de grande importância e você ter uma discussão assim no interior, eu acho que traz ainda mais importância, mais brilhantismo.”

Impactos culturais e sociais

Um dos palestrantes da noite, o professor Antônio Armando Albuquerque, doutor em Ciência Política e docente da Unemat, abordou a relação entre ensino jurídico, direitos humanos e socioambientalismo. Para ele, a legislação impõe desafios profundos às comunidades tradicionais.

“A principal crítica que a gente pode construir em relação à lei é que ela onera muito a perspectiva de subsistência dos pescadores. E isso, de um certo modo, também impacta numa sociabilidade que tem os pescadores não só em relação ao meio ambiente, mas também na própria cidade e na nossa região. Então, os efeitos dessa lei em relação às populações tradicionais, aos pescadores artesanais e tradicionais, estão muito além apenas dos pescadores. Ela incide sobre uma prática cultural secular na cidade, na nossa região, que se utiliza e que se vale de uma relação muito harmônica com o meio ambiente na utilização da pesca”, ponderou.

Armando também defendeu um ensino jurídico comprometido com a realidade local. “O direito precisa servir à população, especialmente aos grupos mais vulneráveis. Nossa contribuição está na afirmação de uma perspectiva humanitária e na defesa das populações tradicionais e dos povos originários”.

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Já o professor Luciano Pereira da Silva, historiador, arqueólogo e coordenador da Comissão de Registro e Patrimônio Cultural Imaterial dos Pescadores de Cáceres, reforçou que a lei carece de embasamento científico e tem provocado insegurança entre pescadores. “Desde julho de 2023, eles aguardam providências. A lei não apresenta comprovação sobre redução dos estoques pesqueiros e acaba por afastar práticas culturais ancestrais. No Pantanal, isso tem um impacto ainda mais profundo”, explicou.

Representando o Executivo municipal, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Cáceres, Wilson Kishi, destacou que a discussão é urgente e necessária. “É uma oportunidade rica para debater um tema que afeta diretamente os pescadores, o turismo e a economia local”, assinalou. Segundo ele, Cáceres é referência nacional quando se fala em pesca, e qualquer mudança na legislação repercute intensamente na cidade.

Vozes da comunidade

A acadêmica do primeiro semestre de Direito, Paula Balduína Rocha dos Santos, ressaltou a importância de vivenciar o debate desde o início da formação. “É muito bom adquirir conhecimento e entender como o direito ambiental impacta nossa região. Eu não tinha contato com a realidade dos pescadores, e estar aqui me faz compreender melhor a importância desse tema”, disse.

O pescador artesanal Lourenço Pereira Leite, de terceira geração de profissionais da área, sente na pele os impactos dessa lei na vida da comunidade. “Foi o maior impacto que sentimos na pesca. Vivemos disso há muitos anos. Mas ver esse debate acontecendo nos dá esperança. Se estivesse caindo no esquecimento, perderíamos a força. Mas ver essa plateia reunida é muito importante para nós”, afirmou.

Apresentação cultural

Antes do início do evento, parte do grupo folclórico local Artes Dom Bosco apresentou danças mato-grossenses ao som das músicas É Bem Mato Grosso e Nandaia. O grupo, integrante do Colégio Salesiano Santa Maria, era formado por seis crianças de 10 a 13 anos, acompanhadas pelo professor de danças João Gustavo Campos.

Clique neste link para ver todas as fotos do evento.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Conscientização e acolhimento: servidora do TJMT compartilha desafios da maternidade atípica

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O Dia Mundial de Conscientização sobre Acessibilidade, celebrado neste ano em 21 de maio, propõe reflexões sobre inclusão, acolhimento e respeito às diferentes realidades presentes no ambiente de trabalho. No Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), a data também evidencia histórias de empatia, adaptação e acolhimento vivenciadas diariamente por magistrados(as) e servidores(as).

Há mais de 27 anos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a servidora Adriana Ferreira de Souza concilia a rotina profissional com os desafios da maternidade atípica. Atualmente lotada na Secretaria da Vice-Presidência, no Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e de Ações Coletivas (Nugepnac), ela divide o dia a dia entre o trabalho e os cuidados com a filha, Maria Clara Souza Campos, de 23 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras comorbidades.

Adriana conta que o diagnóstico trouxe respostas importantes e ajudou a compreender melhor as necessidades da filha. Desde então, a rotina passou a envolver terapias, consultas e uma reorganização constante da vida pessoal e profissional. “Foi um processo de aprendizado diário. Quando veio o diagnóstico, eu consegui entender melhor minha filha e como acolhê-la da forma que ela precisava”, relata.

Ela destaca que o acompanhamento multidisciplinar foi fundamental para o desenvolvimento físico, emocional e social de Maria Clara, que hoje também encontrou na arte uma forma de expressão. “Acredito que isso ajudou muito, porque hoje ela é uma pessoa muito tranquila, uma pessoa de luz. Tem sua luz própria, tem sua autenticidade”, pontua.

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A intensidade da rotina

Duas mulheres analisam camiseta com pintura artística sobre mesa. Cena mostra atividade criativa e interação, com ambiente leve e colaborativo.Sem romantizar a maternidade atípica, Adriana fala sobre a intensidade da rotina e os desafios enfrentados diariamente. “Não tem como romantizar, porque a demanda é diferente. Existe toda uma rotina de terapias, consultas e cuidados constantes. Muitas vezes a gente precisa reorganizar toda a vida em função das necessidades deles”, afirma.

Segundo ela, conciliar as responsabilidades profissionais e pessoais com os cuidados da filha ainda é um dos maiores desafios. “Ser mãe atípica é exercer a maternidade na sua forma mais visceral. Meu maior desafio hoje é conciliar as demandas do trabalho, da vida pessoal e os cuidados com minha filha sem deixar de cuidar também da minha própria saúde física, emocional e psicológica”, destaca.

Acolhimento e apoio institucional

Mulher sorri para a câmera em ambiente com obras coloridas ao fundo. Expressão tranquila e cenário artístico sugerem contexto cultural e institucional.Adriana relembra a importância do acolhimento institucional recebido no Tribunal de Justiça, especialmente após a implementação da Resolução TJMT/OE nº 7, de 22 de junho de 2023, que estabelece condições especiais de trabalho para magistrados(as) e servidores(as) com deficiência, necessidades especiais ou doença grave, bem como para aqueles(as) que são pais, mães ou responsáveis por dependentes nessa mesma condição.

Para Adriana, a medida trouxe mais equilíbrio para a rotina e permitiu maior qualidade no acompanhamento da filha. “Quando entendi que minha presença trazia segurança para ela, percebi que essa também era minha missão. Hoje consigo conciliar melhor minha atuação profissional e os cuidados com minha filha graças ao apoio institucional”, ressalta.

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Ela acredita que discutir acessibilidade e inclusão vai além de dados ou estatísticas. “Datas como essa nos fazem refletir que o ‘diferente’ não é motivo de exclusão, mas de adaptação e acolhimento. Por trás de cada situação existe um ser humano que precisa ser compreendido e respeitado”, avalia.

Adriana também celebra os avanços conquistados pelo Poder Judiciário de Mato Grosso nos últimos anos. “Como mãe atípica, celebro as conquistas relacionadas à conscientização e à capacitação dos nossos líderes para enxergar essas realidades com um novo olhar, mais humanizado e acolhedor”, completa.

Pesquisa sobre acessibilidade

Card institucional divulga Pesquisa de Acessibilidade do PJMT. Texto convida à participação e destaca inclusão. QR Code permite acesso rápido à pesquisa.Como parte das ações voltadas ao fortalecimento da política de inclusão, a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso promove uma pesquisa sobre as condições de acessibilidade nas unidades judiciárias e administrativas do Estado.

O levantamento é destinado a magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), colaboradores(as) e credenciados(as), com o objetivo de identificar demandas, necessidades e possíveis barreiras enfrentadas no ambiente institucional.

A pesquisa segue aberta até o dia 30 de junho. Participe!

Autor: Emily Magalhães

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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