Tribunal de Justiça de MT

GMF-MT participa de debate sobre promoção do trabalho decente no sistema prisional

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O estímulo ao trabalho digno como instrumento de reintegração social e redução da reincidência criminal foi o centro dos debates do webinário “Promoção do Trabalho Decente no Sistema Prisional”, realizado na terça-feira (24), das 9h às 18h, com transmissão ao vivo pelo YouTube.

O evento foi promovido pela Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), por iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT), e reuniu representantes do sistema de Justiça e especialistas para discutir a atividade laboral no sistema penitenciário, com ênfase aos eixos do Plano Pena Justa.

A iniciativa está alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltadas ao sistema penal, especialmente no que se refere ao trabalho digno como ferramenta de ressocialização, prevenção da reincidência e fortalecimento da governança prisional.

Compromisso institucional

Em Mato Grosso, o debate abordou as ações desenvolvidas pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Poder Judiciário de Mato Grosso (GMF-MT), coordenado pelo desembargador Orlando Perri.

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O magistrado destacou que o fortalecimento da atividade laboral integra as estratégias institucionais do Judiciário mato-grossense, em consonância com os planos Pena Justa e Pena Justa Emprega.

“Entendemos que a articulação interinstitucional e a transversalidade das políticas públicas são as chaves para modernizar o sistema prisional. Mais do que ocupar o tempo, o trabalho digno é o alicerce da reintegração social e uma ferramenta indispensável para reduzir a reincidência criminal e aprimorar a governança das unidades”, externou Perri.

O desembargador também reforçou o compromisso institucional com a transformação da realidade penal.

“O Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio do GMF, reafirma seu compromisso com a política judiciária nacional, atuando em rede para transformar a realidade penal. Ao priorizar qualificação, remuneração justa e segurança, não estamos apenas cumprindo a lei, mas investindo na paz social e na reconstrução de trajetórias de vida”, concluiu.

Humanização, articulação e políticas públicas

Com carga horária de oito horas-aula, o webinário foi dividido em quatro painéis temáticos.

1º painel: “Pequenas ações, boas práticas e ideias para um olhar mais humanizado do sistema prisional”, apresentado por Leonardo Osório Mendonça, procurador do Trabalho do Estado de Pernambuco;

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2º painel: “Articulação nacional para a promoção do trabalho decente no sistema prisional – histórico, presente e perspectivas futuras”, conduzido por Ileana Neiva Mousinho, subprocuradora-geral do Trabalho;

3º painel: “Atuação resolutiva na atração produtiva para o sistema prisional e promoção de cotas em contratações públicas e privadas”, com Afonso de Paulo Pinheiro Rocha, procurador do Trabalho do Rio Grande do Norte;

4º painel: “Plano Pena Justa e a atuação do MPT – Perspectivas de articulação para o cumprimento das metas do plano”, com exposição feita por Séfora Graciana Cerqueira Char, procuradora Regional do Trabalho.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Estereótipos de gênero podem gerar injustiças no Direito de Família, alerta juíza

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Mulher de blazer preto fala ao microfone diante de plateia sentada. Ao fundo, telão com slide sobre campanha e banner do CEMULHER - Coordenadoria Estadual da Mulher“Não existe pai herói por fazer o que é sua obrigação, nem mãe menos dedicada por trabalhar fora”. A reflexão marcou a palestra da juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, durante a capacitação das Equipes Multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada na tarde desta quarta-feira (15) pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
Com o tema “Estereótipos de Gênero no Direito de Família”, a magistrada chamou a atenção para a necessidade de psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais reconhecerem e romperem padrões culturais que ainda influenciam decisões judiciais e atendimentos às mulheres em situação de violência.
Segundo a juíza Ana Graziela, a ideia de que a mulher deve ser sempre a principal cuidadora dos filhos, enquanto o homem ocupa exclusivamente o papel de provedor, ainda provoca julgamentos que podem comprometer a imparcialidade dos processos. “A gente não pode taxar as pessoas por um estereótipo. O pai não é herói por cuidar do filho, porque isso é obrigação. Da mesma forma, a mulher não deixa de ser uma boa mãe porque trabalha o dia inteiro ou conta com uma rede de apoio para cuidar das crianças”, afirmou.
Plateia sentada assiste palestra em auditório. Ao fundo, palestrante de preto fala ao microfone diante de telão com slide e banner do CEMULHER.Atendimento sem julgamentos
Durante a palestra, a juíza explicou que esses estereótipos podem resultar em violência processual, quando preconceitos e ideias pré-concebidas interferem na forma como mulheres são ouvidas, acolhidas e avaliadas pelo sistema de Justiça.
Ela destacou que é preciso evitar perguntas e conclusões que responsabilizem a vítima pela violência sofrida ou coloquem em dúvida sua credibilidade. “Não adianta essa mulher ser vítima em casa e, quando chega ao Fórum, sofrer um outro tipo de violência praticada pelo próprio poder público. Ela precisa encontrar acolhimento, não julgamento”, comentou.
Ao abordar a evolução histórica dos direitos das mulheres, Ana Graziela lembrou que muitos padrões sociais foram construídos ao longo dos séculos e ainda se refletem nas relações familiares e nas decisões judiciais. Por isso, defendeu que magistrados e equipes técnicas utilizem o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como instrumento para reduzir vieses e garantir decisões mais justas.
Como mensagem final aos participantes, a magistrada reforçou que empatia e imparcialidade devem orientar a atuação de todos os profissionais que lidam com famílias e mulheres em situação de violência. “Precisamos quebrar os estereótipos de gênero. Um laudo deve ser construído sem julgamentos e baseado na realidade dos fatos. Quem trabalha com essas famílias precisa compreender o contexto em que elas vivem e atuar com empatia para evitar novas formas de violência”, concluiu.

Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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