AGRONEGÓCIO

França suspende importação de frutas da América do Sul

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A França anunciou que vai suspender a importação de produtos agrícolas provenientes da América do Sul que contenham resíduos de defensivos agrícolas proibidos pela União Europeia. A medida atinge diretamente frutas como abacate, manga, goiaba, cítricos, uvas e maçãs e representa mais um capítulo do endurecimento francês contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

O anúncio foi feito neste domingo (04.01) e segundo o governo francês, a decisão tem como objetivo reforçar a proteção sanitária dos consumidores e combater o que classifica como concorrência desleal enfrentada pelos agricultores europeus.

Serão barrados produtos que apresentem resíduos de substâncias vetadas pela legislação sanitária da União Europeia, entre elas mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. A restrição vale não apenas para países do Mercosul, mas para qualquer origem que utilize esses princípios ativos.

Na prática, a decisão representa uma barreira comercial relevante para exportadores de frutas da América do Sul, incluindo o Brasil. Para manter acesso ao mercado francês — e, por extensão, ao mercado europeu — os produtores e exportadores terão de comprovar rigorosamente a ausência de resíduos de defensivos proibidos, o que pode exigir ajustes no manejo fitossanitário, rastreabilidade e certificações.

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O acordo UE-Mercosul, que envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, ainda não foi oficialmente assinado. A Comissão Europeia chegou a sinalizar que a assinatura poderia ocorrer em janeiro, mas o cronograma voltou a ficar indefinido diante da resistência de países como França, Áustria e Irlanda.

Para o setor agroexportador sul-americano, o movimento francês reforça o alerta: a agenda sanitária e ambiental seguirá sendo usada como instrumento de pressão comercial nas negociações com a União Europeia.

Além da proibição, o governo francês anunciou que haverá reforço na fiscalização, com a criação de uma brigada especializada para intensificar os controles sanitários nos portos e pontos de entrada do país.

Embora apresentada como uma decisão técnica e sanitária, a medida tem forte componente político. O anúncio ocorre em meio a protestos e bloqueios organizados por agricultores franceses, que desde dezembro pressionam o governo contra a gestão da dermatose nodular contagiosa (DNC) bovina e, principalmente, contra o avanço do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

A França é hoje o principal foco de resistência à ratificação do acordo, alegando que os produtores europeus estão sujeitos a regras ambientais e sanitárias mais rígidas do que as exigidas de países sul-americanos. O governo francês defende que qualquer abertura comercial só ocorra com equivalência de padrões de produção.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Soja e carnes elevam vendas externas do Estado para R$ 45,4 bilhões

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As exportações do Paraná renderam R$ 45,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi puxado pelo complexo soja e pelas carnes, que, juntos, responderam por mais de 70% do faturamento obtido pelo Estado no mercado internacional.

Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,10 e constam no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. Entre janeiro e junho de 2025, as vendas externas haviam gerado aproximadamente R$ 43,2 bilhões.

O complexo soja foi o principal responsável pelo crescimento. O faturamento do segmento aumentou 18%, passando de R$ 15,6 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 18,4 bilhões em igual período deste ano.

Sozinho, o grupo formado pela soja em grão, pelo farelo e pelo óleo respondeu por 40,4% de toda a receita das exportações paranaenses. O desempenho foi favorecido pela maior disponibilidade do grão e pela valorização dos produtos processados, especialmente o óleo bruto.

A soja em grão continuou como o principal item do complexo, com vendas de R$ 12,4 bilhões no semestre. A receita cresceu 12,5% na comparação anual.

O farelo de soja ficou na segunda posição, com faturamento de aproximadamente R$ 3,36 bilhões e crescimento também superior a 12%. O produto é utilizado principalmente na fabricação de rações e tem demanda relevante entre países com grandes cadeias de aves, suínos e bovinos.

O maior avanço proporcional ocorreu no óleo bruto de soja. As vendas externas renderam R$ 2,35 bilhões entre janeiro e junho, alta superior a 73% em comparação com o mesmo período de 2025.

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O resultado mostra o peso crescente dos derivados na pauta paranaense. Embora o grão ainda concentre a maior parte das receitas, o processamento permite que o Estado exporte produtos com maior valor agregado e amplie a utilização da capacidade instalada das indústrias locais.

O desempenho externo também foi favorecido pela safra recorde de soja no Paraná. A produção da temporada 2025/26 foi estimada pelo Deral em 21,8 milhões de toneladas. A maior disponibilidade de matéria-prima abasteceu tanto os embarques do grão quanto as unidades de esmagamento.

As carnes formaram o segundo maior grupo exportador do Estado, com crescimento de 16% no faturamento. O Paraná possui a principal cadeia de carne de frango do País e também uma participação expressiva na produção de suínos, atividades que sustentam frigoríficos, cooperativas e indústrias de alimentos em diferentes regiões.

O avanço da receita ocorreu mesmo com uma redução de 3% no volume total embarcado pelo Paraná. A combinação entre faturamento maior e quantidade menor indica melhora no valor médio das mercadorias vendidas, além de uma participação mais elevada de produtos processados na pauta.

A queda do volume foi provocada principalmente pela redução dos embarques de milho. Parte maior da produção permaneceu no mercado doméstico, ampliando a disponibilidade do cereal para as cadeias de aves e suínos.

Essa permanência do milho no País ajuda a explicar o recuo recente das cotações no Estado. Segundo o Deral, a saca de 60 quilos foi negociada, em média, a R$ 61,23 em junho, queda de 3,3% em relação a maio e de 3,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

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Para os criadores, a oferta interna maior pode contribuir para conter os gastos com alimentação, que representam uma das principais despesas das granjas. O efeito, entretanto, ainda é limitado porque as margens da avicultura permanecem estreitas e o farelo de soja continua mais caro do que há um ano.

As exportações de açúcar e de produtos florestais também diminuíram no primeiro semestre e contribuíram para a retração do volume total movimentado. O impacto foi compensado financeiramente pela soja, pelo óleo bruto e pelas carnes.

O desempenho reforça a dependência das vendas externas paranaenses em relação ao agronegócio. Mais de sete em cada dez reais obtidos pelo Estado com exportações no primeiro semestre vieram apenas do complexo soja e das carnes.

Essa concentração torna o resultado do segundo semestre sensível ao comportamento da demanda internacional, ao câmbio e às medidas comerciais adotadas pelos principais compradores. Alterações nas tarifas, barreiras sanitárias ou restrições de acesso a mercados podem atingir diretamente cooperativas, produtores e agroindústrias do Estado.

Mesmo com esses riscos, o primeiro semestre terminou com melhora da receita. A expansão de 5%, apesar da redução no volume embarcado, mostra que o Paraná conseguiu compensar a menor saída de milho, açúcar e produtos florestais com uma pauta de maior valor, puxada pela industrialização da soja e pelo desempenho das proteínas animais.

Fonte: Pensar Agro

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