AGRONEGÓCIO

Agronegócio puxa crescimento e redesenha ranking das economias estaduais em 2025

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O ranking de crescimento econômico dos estados brasileiros em 2025, medido pelo Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) do Banco Central, revela um traço comum entre as economias que mais avançaram no ano: o peso decisivo do agronegócio e das cadeias produtivas ligadas ao campo. Em um cenário nacional de crescimento moderado, foram justamente os estados com forte base agropecuária e agroindustrial que sustentaram taxas mais elevadas de expansão.

No topo do ranking aparece o Pará, líder no crescimento econômico do país. Embora o estado tenha na mineração um de seus principais motores, foi a combinação com a agropecuária voltada à exportação — especialmente grãos, pecuária e atividades florestais — que garantiu fôlego adicional à economia ao longo do ano. A maior integração entre produção primária, logística e exportações ajudou a manter o nível de atividade mesmo nos meses em que outros setores perderam ritmo.

Na sequência surgem estados do Centro-Oeste e do Sul, regiões onde o agronegócio exerce papel estruturante na economia. Goiás, com crescimento de 4,8%, consolidou-se entre os destaques nacionais ao transformar uma boa safra em movimento econômico mais amplo. A força do campo não ficou restrita à produção de grãos, mas avançou sobre a agroindústria, o transporte, o comércio e os serviços, ampliando o efeito multiplicador da atividade rural.

O mesmo padrão foi observado em Paraná e Santa Catarina, que alternaram posições entre os primeiros colocados ao longo de 2025. Nos dois estados, a produção agropecuária competitiva — com destaque para grãos, proteínas animais e cooperativismo forte — serviu de base para sustentar a indústria de alimentos, a geração de empregos e o consumo interno. Ainda que o ritmo tenha oscilado em alguns meses, o desempenho permaneceu acima da média nacional.

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Em contraste, estados com economias menos conectadas ao agronegócio ou mais dependentes do setor de serviços mostraram crescimento mais contido. São Paulo, apesar de ser a maior economia do país, avançou em ritmo mais lento, refletindo a desaceleração do consumo e ajustes em setores industriais. Mesmo com um agro relevante no interior, o peso do setor rural é diluído na composição geral da economia paulista.

No Nordeste, o desempenho foi heterogêneo. Estados com maior presença do agro exportador e de polos agroindustriais tiveram resultados melhores do que aqueles mais dependentes de serviços e transferências públicas. Já no Rio Grande do Sul, eventos climáticos extremos comprometeram a produção agrícola e limitaram o avanço da economia, mostrando como o campo continua sendo um fator-chave — positivo ou negativo — para o crescimento regional.

Isan Rezende, presidente do IA e da Feagro-MT

INDUSTRIALIAÇÃO – “Os dados do Banco Central reforçam uma leitura clara: em 2025, cresceram mais os estados capazes de transformar produção agropecuária em valor agregado, seja por meio da agroindústria, da logística ou das exportações. Onde o agronegócio operou de forma integrada, os efeitos se espalharam pela economia; onde a produção foi afetada por custos ou falta de estrutura, o crescimento ficou para trás”. A observação é do presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agronomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende.

“Quando a gente olha esse ranking do Banco Central, fica claro que o agronegócio não é apenas um setor importante, mas o eixo central da economia de muitos estados. Onde o agro produziu bem, investiu e conseguiu escoar sua produção, a economia reagiu melhor, gerou renda, emprego e manteve o consumo girando, mesmo num ano de juros altos e margens mais apertadas”, afirma Rezende.

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Segundo ele, os estados que lideram o crescimento econômico em 2025 são justamente aqueles que conseguiram transformar produção agropecuária em valor agregado. “Não basta colher bem. É preciso ter agroindústria, logística funcionando, crédito chegando e políticas que não atrapalhem quem produz. Quando essa engrenagem funciona, o efeito do campo se espalha para toda a economia”, avalia.

Isan destaca que o desempenho desigual entre os estados reforça a importância de planejamento e investimento contínuo no setor. “O ranking mostra quem está preparado e quem ainda depende demais de fatores externos. Estados com agro organizado, cooperativismo forte e infraestrutura mínima conseguem atravessar melhor momentos de instabilidade econômica”, diz.

Para o presidente da Feagro-MT e do IA, o resultado de 2025 também deixa um alerta para os próximos anos. “O agro segurou a economia em muitos estados, mas isso não acontece sozinho. Clima, crédito, custo de produção e segurança jurídica continuam sendo decisivos. Se essas condições falharem, o impacto aparece rápido nos indicadores econômicos”, conclui.

Para o produtor rural, o ranking econômico dos estados deixa uma mensagem direta: o desempenho do campo já não impacta apenas a renda agrícola, mas define o ritmo da economia local como um todo. Em um ano de margens apertadas e juros ainda elevados, o agronegócio voltou a se confirmar como o principal amortecedor e motor de crescimento em boa parte do Brasil.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Preço mínimo do algodão sobe para R$ 119,13 por arroba

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Com uma produção estimada em 4,06 milhões de toneladas de pluma e apenas 8,1% das lavouras colhidas, o algodão brasileiro entra na fase decisiva da safra 2025/26 com perspectivas de oferta elevada e forte dependência do mercado externo. Nesse cenário, o governo reajustou em 3,82% o preço mínimo que servirá de referência para a comercialização da próxima temporada.

A Portaria nº 934, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, elevou o preço mínimo do algodão em pluma de R$ 114,58 para R$ 119,13 por arroba. O valor será aplicado à safra 2026/27, com períodos de vigência diferentes conforme a região produtora.

No Centro-Oeste, em Minas Gerais e no oeste da Bahia, onde está concentrada a maior parte da produção nacional, o novo preço valerá entre maio de 2027 e abril de 2028. No Sul e no Sudeste, com exceção de Minas Gerais, a vigência começará em março de 2027. Nas demais áreas do Norte e do Nordeste, a referência entrará em vigor em julho do próximo ano.

O governo também aumentou o preço mínimo do algodão em caroço, de R$ 45,83 para R$ 47,65 por 15 quilos. Para o caroço de algodão, utilizado principalmente na alimentação animal e na fabricação de óleo, o valor passou de R$ 6,73 para R$ 7,15, alta de 6,24%.

Os preços integram a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Na prática, funcionam como referência para eventuais operações públicas de apoio à comercialização quando as cotações ficam abaixo do patamar estabelecido. A existência do preço mínimo, porém, não significa que o governo comprará automaticamente a produção. As intervenções dependem de regulamentação, disponibilidade de recursos e decisão das autoridades econômicas.

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A atualização ocorre enquanto os produtores começam a retirar do campo uma das maiores safras de algodão da história. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calcula que foram semeados 2,02 milhões de hectares na temporada 2025/26, redução de 3,2% em relação ao ciclo anterior.

Mesmo com a área menor, a produtividade média da pluma deve aumentar 2,8%, para 2.011 quilos por hectare. A produção está estimada em 4,06 milhões de toneladas, apenas 0,5% abaixo do recorde de 4,08 milhões de toneladas registrado na safra passada.

O trabalho de colheita ainda está no começo nos principais Estados produtores. O Paraná já encerrou as atividades e São Paulo se aproxima do fim, enquanto Mato Grosso, responsável pela maior parcela da oferta brasileira, iniciou a retirada dos primeiros talhões. Na Bahia, segunda maior produtora, áreas de sequeiro já estão sendo colhidas, enquanto parte das lavouras irrigadas permanece em desenvolvimento.

Até o levantamento mais recente, 8,1% da área nacional havia sido colhida. Outros 78,4% das lavouras estavam em maturação e 13,5% ainda se encontravam na fase de formação das maçãs. Chuvas registradas entre maio e junho aumentaram a atenção para doenças e qualidade da fibra em algumas regiões, mas a Conab não identificou, até agora, perdas expressivas no rendimento nacional.

O tamanho da colheita reforça a importância das exportações para a sustentação dos preços. A Conab projeta embarques de 3,38 milhões de toneladas de pluma, volume equivalente a mais de 80% da produção estimada para a temporada. Parte desses embarques também poderá ser atendida pelos estoques acumulados de safras anteriores.

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Nos oito primeiros dias úteis de julho, o Brasil exportou 66,4 mil toneladas. A média diária ficou 55,5% acima da registrada no mesmo período de 2025, segundo acompanhamento da Conab. No mercado interno, compradores ainda aguardam a entrada de volumes maiores da nova safra antes de ampliar as negociações.

As cotações permanecem acima do preço mínimo atualmente vigente. Na semana encerrada em 10 de julho, a pluma foi negociada, em média, a R$ 128,35 por arroba em Mato Grosso e a R$ 136,67 na Bahia. A diferença oferece alguma proteção neste início de colheita, mas pode diminuir caso o avanço da oferta pressione o mercado ou as exportações percam ritmo.

O avanço da produção colocou o Brasil na terceira posição entre os maiores produtores mundiais, atrás apenas de China e Índia. No comércio internacional, o país ocupa a liderança e deve permanecer como o maior exportador global de algodão, à frente dos Estados Unidos, conforme as projeções do Departamento de Agricultura norte-americano.

A posição conquistada amplia as oportunidades, mas também deixa a renda do produtor mais exposta ao câmbio, às cotações internacionais e ao comportamento dos compradores asiáticos. Em uma safra superior a 4 milhões de toneladas, o novo preço mínimo representa uma referência de proteção, mas a capacidade de escoar a produção continuará sendo decisiva para as cotações recebidas no campo.

Fonte: Pensar Agro

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