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AMAM lança programa ‘Cidadania e Justiça também se aprendem na escola’ com apoio do TJMT

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Foto que mostra vários estudantes da Escola Souza Bandeira sorrindo, sentados em poltronas do auditório.Mais de 80 alunos do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Souza Bandeira participaram, com muita alegria, do lançamento do programa “Cidadania e Justiça também se aprendem na escola”, na manhã desta quinta-feira (11), no plenário do Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá. A iniciativa é da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em parceria com a Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) e apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso. O evento foi transmitido e pode ser conferido no canal TJMT Eventos no YouTube.

O programa existe há 33 anos e já atingiu a mais de 7 milhões de estudantes a partir do 5º ano do Ensino Fundamental em todo o país. O objetivo é promover, por meio de atividades educativas e lúdicas, a aproximação entre o Poder Judiciário e o público infantojuvenil, fomentando a consciência cidadã e os valores democráticos entre estudantes da rede pública.

Juíza Jaqueline Cherulli. Ela é uma mulher branca, de cabelos e olhos escuros, usando camisa na cor pink.“A AMAM buscou essa parceria porque acredita que a transformação por meio da educação é duradoura, eficaz, sedimentada, então a escola é o lugar certo para aprendermos sobre direito, sobre cidadania, sobre como lidar com situações no dia a dia. E é isso o que vai acontecer com os juízes multiplicadores, que vão estar nas escolas trabalhando com esses alunos”, explica a juíza Jaqueline Cherulli, presidente da AMAM.

Na solenidade de lançamento, o idealizador do programa “Cidadania e Justiça também se aprendem na escola”, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) Roberto Portugal Bacellar, participou remotamente e proferiu uma breve palestra sobre como a filosofia pode contribuir com a postura cidadã das pessoas, ressaltando a importância de não se omitir diante de situações injustas e incorretas e de buscar a solução de conflitos de forma pacífica.

Foto em plano aberto que mostra a palestra remota do desembargador Roberto Bacellar, que aparece no telão sorrindo. Na plateia estão estudantes sentados, de costas na foto.“Pensando em filosofia, nós temos que combater a normose, que é considerar normal algo que não é. Algumas violências, algumas ilegalidades acabam sendo normalizadas e nós temos que falar sobre isso com as pessoas que confiamos, nossas referências, sejam nossos pais, nossos avós, nossos professores. Eu não posso ficar omisso diante de uma situação que não é normal, mas acaba sendo normalizada”, disse, dando como exemplo o fato de jogar lixo na rua.

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O secretário da AMB e presidente da Associação de Magistrados do Distrito Federal (Amagis-DF), Carlos Alberto Martins Filho, destacou que o programa “Justiça e Cidadania também se aprendem na escola” é histórico e muito importante para a Associação, cuja aproximação com a diretoria da AMAM proporcionou a retomada das atividades em Mato Grosso. “Esse é um dos projetos mais caros para a AMB. Ele é historicamente muito ligado à questão institucional e à preocupação da AMB em ter esse contato com a sociedade, especificamente com essa geração de adolescentes, levando valores de justiça e cidadania”, disse.

Secretário da AMB, juiz Carlos Martins fala ao microfone. Atrás dele, há um telão com a logomarca do programa Justiça e Cidadania.Também participaram da solenidade de lançamento do programa o diretor-geral da Escola da Magistratura de Mato Grosso (EMAM), juiz Thiago Souza Nogueira de Abreu, a juíza Valdeci Moraes Siqueira e o juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira. O evento também foi abrilhantado pela apresentação musical da banda do Instituto Jaiminho, de Várzea Grande.

Como funcionará o programa – Na prática, no ano letivo de 2026 os juízes multiplicadores Alethea Assunção Santos e Ramon Fagundes Botelho trabalharão com os estudantes os temas abordados na Cartilha da Justiça, como a estrutura do Poder Judiciário, as funções do juiz, do promotor de justiça, do advogado e do defensor público, dos Juizados Especiais, direitos e deveres do cidadão, meio ambiente, entre outros, tudo de forma lúdica, contada por meio de histórias em quadrinhos, cujo protagonista é o personagem “Brasilzinho”.

Juiz Ramon Fagundes Botelho durante entrevista. Ele é um homem branco, de cabelos e olhos castanhos, usando camisa branca, gravata roxa, terno preto e óculos de grau.“É uma honra receber esse convite por parte da AMB e da AMAM para ser multiplicador desse projeto, que está há 33 anos nas escolas brasileiras. Sinto-me honrado de poder participar e contribuir para a formação desses jovens. A aproximação do Judiciário com a adolescência vai trazer luz sobre o funcionamento do Judiciário, sobre a existência de direitos, enfim, vai tornar essa pessoa um cidadão melhor e o Judiciário um Poder mais acessível e, logo, que as pessoas vão poder confiar mais”, disse o juiz Ramon Fagundes Botelho.

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A coordenadora da Escola Estadual Souza Bandeira, Eliane Pereira de Oliveira, afirma que o programa é importante, pois vai reforçar valores de cidadania e justiça entre os estudantes. “É de suma importância para poder valorizar mais o que se aprende na escola. A sociedade precisa disso. Nossos estudantes são os futuros cidadãos, que precisam ter conhecimento sobre direitos e deveres porque, muitas vezes, são reforçados os direitos, mas eles precisam ter noção de que têm deveres também e como eles podem estar contribuindo com a sociedade”.

Estudante José Mateus Bernardo Grobe da Silva posa sorrindo para a foto, segurando uma cartilha do projeto Justiça e Cidadania. Ele é um adolescente negro, magro, de cabelo preto e curto, usando uniforme azul e casaco preto.Para o estudante José Mateus Bernardo Grobe da Silva, o programa será importante na conscientização dos adolescentes sobre o papel de cada um na construção do país. “Todos temos um papel nesse grande país, então, cada um deve cumprir com sua função. Tudo o que passamos aqui foi bom, foi interessante, chamou a atenção. Com tudo isso, acredito que podemos avançar bastante sobre o que é o nosso país, sobre a educação. E acredito que esse projeto dará muito certo”.

A estudante Sarah Pinheiro Gomes também se mostrou animada em participar das atividades. “Eu gostei muito do projeto, achei muito promissor. É muito importante a gente aprender sobre justiça e cidadania. Meus pais são advogados, então, eu cresci nesse meio, eu gosto muito dessa área do Direito. E eu acho que a apresentação foi muito boa, eles deixaram muito claro os planos que eles têm e eu acho que é algo que pode revolucionar os adolescentes, que pode inspirar a nossa geração”, avaliou.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Além do Criminal: Webinário debate a aplicação do Protocolo de Gênero em todos os ramos do Direito

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“O julgamento com perspectiva de gênero é uma forma de garantir o direito à igualdade e promover decisões mais justas.” A afirmação da desembargadora Adriana Ramos de Mello, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, marcou a realização do webinário “Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero: Direitos das Mulheres são Direitos Humanos”, promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) em parceria com o Comitê de Equidade de Gênero entre Homens e Mulheres do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
O evento foi realizado na manhã desta quarta-feira (13 de maio), reunindo magistrados(as), servidores(as) e profissionais do sistema de Justiça para capacitação voltada à aplicação da Resolução n. 492/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A atividade foi transmitida pela plataforma Microsoft Teams e teve como foco a incorporação da perspectiva de gênero na atividade jurisdicional.
A abertura do webinário contou com a participação da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, presidente do Comitê de Equidade, que destacou a relevância do tema diante do cenário contemporâneo. Segundo a magistrada, o fortalecimento da perspectiva de gênero no sistema de Justiça é essencial “nesse momento que nós estamos vivendo de tanta desigualdade de gênero, de etnia e de raça”.
Realidade global e brasileira
Durante sua exposição, intitulada “A Justiça com lentes de gênero”, Adriana Ramos de Mello apresentou um panorama das múltiplas formas de violação de direitos vivenciadas por mulheres e meninas em diferentes contextos sociais. A magistrada destacou que a desigualdade de gênero se manifesta desde os primeiros anos de vida, com práticas como preferência por filhos homens em alguns países, exploração sexual, mutilação genital feminina, casamento infantil e maternidade precoce.
“Em algumas áreas do mundo, menos meninas do que meninos alcançam a idade adulta”, pontuou, ao mencionar também o elevado número de casamentos infantis e as consequências dessas práticas para o desenvolvimento social e educacional das meninas.
Gravidade da violência contra mulheres
Ao abordar a realidade brasileira, Adriana apresentou dados sobre feminicídio que evidenciam a persistência da violência de gênero no país. Em 2025, foram registradas 1.568 vítimas (crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior), com predominância de mulheres negras (62,6%) e ocorrências majoritariamente dentro das residências (66,3%). Em relação aos autores, 59,4% eram os próprios companheiros e 21,3% eram ex-companheiros.
A desembargadora destacou que grande parte das mulheres não recorre imediatamente aos órgãos do sistema de Justiça após sofrer violência, o que demonstra a existência de barreiras institucionais e sociais no acesso à proteção. A principal atitude tomada pelas mulheres depois de experimentar ações violentas é não fazer nada (47,4%). Depois, buscam ajuda de um familiar (19,2%), amigos (15,2%) e só em quarto lugar aparece um órgão do sistema de Justiça, como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (14,2%).
A palestrante explicou que o gênero é uma construção social e que quando as mulheres querem romper com esse papel, é que elas mais sofrem violência. “É o momento de maior risco para essa mulher”, afirmou.
Outro ponto enfatizado foi que o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero não se restringe à área criminal ou aos casos de violência doméstica, podendo ser aplicado em diferentes ramos do Direito, como o civil, o público e o de família. Segundo explicou, a aplicação do protocolo envolve a análise do contexto social das partes, a identificação de vulnerabilidades, a observação de possíveis assimetrias de poder e a eliminação de estereótipos que possam interferir no julgamento.
Interseccionalidade, racismo e estereótipos no sistema de Justiça
Durante o webinário, também foram discutidos temas como estereótipos de gênero e interseccionalidade. Adriana ressaltou que construções sociais históricas influenciam o funcionamento do sistema de Justiça e afetam de maneira mais intensa as mulheres, especialmente as mulheres negras. “A questão racial é essencial e estruturante para qualquer análise da realidade brasileira”, afirmou, destacando a necessidade de decisões judiciais que não reproduzam desigualdades ou práticas discriminatórias.
A palestra de Kimberlé Crenshaw sobre a “Urgência da interseccionalidade”, indicada pela magistrada, pode ser acessada neste link. Ela também sugere o acompanhamento do trabalho de três vozes do feminismo negro no Brasil: Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro e Lélia Gonzalez.
Durante a exposição, a desembargadora destacou que a análise da realidade brasileira sob a perspectiva de gênero exige, necessariamente, a consideração da dimensão racial. Segundo ela, mulheres negras ocupam a base da hierarquia social e são as mais expostas à violência de gênero, realidade refletida nas estatísticas, nas quais sua vitimização aparece de forma predominante.
A magistrada enfatizou que os estereótipos de gênero ainda exercem forte influência no sistema de Justiça, especialmente na esfera criminal, dificultando o acesso das mulheres à proteção de direitos. Nesse contexto, Adriana apontou a persistência de discursos que associam as mulheres a papéis de subordinação e desvalorização, o que pode impactar diretamente a condução e o julgamento de casos. Como exemplo, citou mitos relacionados à violência sexual, como a falsa ideia de que uma mulher teria consentido com o ato em razão de relações anteriores, ou ainda a responsabilização da mulher por situações de violência doméstica.
Para Adriana, cabe ao Estado, e em especial ao Poder Judiciário, atuar de forma ativa na desconstrução desses estereótipos, evitando que decisões judiciais legitimem ou reproduzam tais discursos. Nesse sentido, ressaltou a importância de se pensar alternativas que impeçam a reprodução de violências simbólicas de gênero no âmbito das decisões judiciais.
Ao abordar o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, a desembargadora explicou que ele se fundamenta na necessidade de reconhecer que o discurso jurídico pode refletir desigualdades estruturais presentes na sociedade. Assim, esse julgamento surge como instrumento para assegurar o direito à igualdade, orientando magistrados(as) a questionar fatos, avaliar provas com criticidade e identificar possíveis vieses ou assimetrias de poder entre as partes.
A aplicação do protocolo envolve a análise do contexto social dos envolvidos, a verificação de situações de vulnerabilidade, discriminação ou pobreza, bem como a adoção de medidas que garantam maior equilíbrio e justiça na decisão. Adriana também apresentou o passo a passo do protocolo, estruturado em sete etapas, e exemplificou sua aplicação em casos concretos, incluindo situações de violência obstétrica, guarda de filhos e direito à creche, evidenciando sua relevância prática para a construção de decisões mais justas.
Palestrante
A desembargadora Adriana Ramos de Mello é doutora em Direito Público e Filosofia Jurídico-Política pela Universidade Autônoma de Barcelona. A magistrada atua como presidente do Fórum Permanente de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ) e coordena a pós-graduação lato sensu em Gênero e Direito da mesma instituição. Ela lidera o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Gênero, Direitos Humanos e Acesso à Justiça da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e é coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJRJ.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

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Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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