AGRONEGÓCIO

Abertura de novos mercados pode acrescentar R$ 200 bi às exportações do agro em cinco anos

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O avanço da política de abertura comercial conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deve gerar um salto relevante na pauta exportadora brasileira. Projeção elaborada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), a pedido da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), estima que a ampliação de 500 mercados poderá acrescentar R$ 200 bilhões às vendas externas em cinco anos – considerando o fechamento de 2024, quando o dólar alcançou R$ 6,18.

Segundo a área técnica, parte desse potencial já começou a aparecer. Das 400 aberturas efetivadas desde 2023, cerca de R$ 20 bilhões em exportações já foram contabilizados. A avaliação interna é que o impacto tende a ser crescente, uma vez que novas vendas costumam ganhar escala à medida que compradores se consolidam e ampliam contratos. A meta do Mapa é atingir o total de 500 mercados abertos já no início de dezembro, somando os resultados obtidos nos últimos dois anos.

Nesta sexta-feira (28.11), a SCRI informou que o Brasil chegou a 496 aberturas desde 2023, após novas habilitações anunciadas em Brasília. Entre elas estão a exportação de sementes de milheto, crotalária e nabo forrageiro para a Nicarágua; arroz beneficiado para a Guatemala; e gordura bovina congelada para as Filipinas. As inclusões reforçam a estratégia de diversificação da pauta e de ampliação da inserção de produtos de maior valor agregado em nichos específicos.

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A cerimônia também marcou os 20 anos da secretaria e serviu de palco para a assinatura de um acordo de cooperação entre o Mapa, por meio da SCRI, e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). O objetivo é fortalecer a internacionalização das cooperativas agropecuárias brasileiras, ampliando a participação do setor em feiras, missões, ações de promoção comercial e eventos em embaixadas.

Outro ponto discutido internamente pela pasta é a possibilidade de ampliar a atuação dos adidos agrícolas em determinados postos estratégicos. A medida não inclui aumento do número de adidos, mas sim ajustes na abrangência de trabalho, com negociações em andamento com o Ministério das Relações Exteriores. A SCRI avalia que o reforço diplomático pode acelerar tratativas sanitárias e fitossanitárias, etapa central para habilitação de novos mercados.

As discussões ocorreram durante o Encontro Nacional do Agro e dos Adidos Agrícolas, que reuniu 54 representantes — 40 atualmente em atividade e 14 que estão em transição. No evento, associações do setor produtivo apresentaram demandas relacionadas à manutenção e ampliação das aberturas comerciais. Países como China, Estados Unidos e nações africanas estiveram entre os mais citados pelos representantes das entidades, que defendem continuidade no ritmo de negociação.

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Com o impulso adicional esperado nas vendas internacionais e o avanço das habilitações, a avaliação do setor é que a estratégia de inserção global do agro brasileiro segue em trajetória consistente, combinando diversificação geográfica, expansão da base exportadora e foco em mercados com grande potencial de consumo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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