Ministério Público MT

Sonhador de palavras

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O que define substancialmente o olho é olhar. Há um olhar que deve ser sempre avistado: um olhar no espelho, no nosso espelho. Que não é um espelho estático, mas um espelho que passa, fluido, que se evade.

Como disse Lledó, olhar-se no espelho é olhar-se, e olhar-se é um encontro naquilo que se olha, na memória daquelas palavras que cada pessoa é, em sua singularidade intransferível, o único compositor.

Amigo(a) leitor(a), você deve olhar para si mesmo. Para se descobrir é necessário esse encontro. Sim! Pode ser aterrorizador. Mas que medo pode ter nisso? Já sei: de ficar só consigo mesmo.

Enfrentar a nós mesmos é coisa que requer grande coragem. É preciso mansidão para ver o tanto que nós não nos conhecemos; acuidade para não se assustar com a “falta-a-ser”; calma para ver o escondido, o velado do nosso dentro; humildade para dar conta do pouco que somos capazes de pensar sem auxílio exterior; ânimo para ouvir o grito daquilo que só geralmente sussurra no fundo da gente.

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Veja-se! Muito será novo para os olhos velhos. Ouça-se! Que para isso uma das orelhas se ensurdeça, e a outra fique mais aguda.

Às vezes nos achamos tão sólidos em nossa realidade que acabamos esquecendo de divagar sobre nós. Devaneios já são espécies de remédios.

Nessa nossa vida civilizada somos invadidos pelos objetos, pelo ter, pelo exato, pelo pronto e o já dito. Temos que nos invadir de nós, dar a chance de nos vermos.

Muitas coisas e palavras foram ordenadas e embutidas com tamanha precisão em nossos dicionários de dentro – por nós e por outras pessoas – que acabaram se tornando verdadeiras trilhas para os nossos passos. Se olharmos de perto, talvez… só talvez, elas não sirvam para caminhar mais longe. Para sonhar.

Olhar para dentro de nós mesmos restitui um pouco da vitalidade que o tempo apagou, devolve a eternidade que o tempo levou e nos conduz a sonhar com as nossas palavras raízes, com o nosso “eu radical”. Seremos um sonhador da gente mesmo… um sonhador de palavras que estão de “mim para mim”, e veremos o que nós e os outros escondemos de nós mesmos. No fundo de nós, assistimos ao nascimento da gente mesmo. 

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*Emanuel Filartiga Escalante Ribeiro é promotor de Justiça em Mato Grosso

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Ministério Público MT

Réu é condenado a 26 anos no primeiro julgamento de feminicídio em Vera

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O primeiro caso de feminicídio reconhecido como crime autônomo na cidade de Vera (458 km de Cuiabá) foi julgado nesta sexta-feira (24) pelo Tribunal do Júri da comarca. Francisco Edivan de Araújo da Silva foi condenado a 26 anos e oito meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da ex-companheira, Paulina Santana, cometido em razão da condição do sexo feminino e no contexto de violência doméstica.
O Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi praticado com o uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. Atuou em plenário o promotor de Justiça Daniel Luiz dos Santos.
Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), réu e vítima mantinham um relacionamento amoroso conturbado, com idas e vindas, e, mesmo após o término, o acusado continuava frequentando a residência de Paulina. No dia do crime, ocorrido em junho de 2025, Francisco Edivan foi novamente até a casa da ex-companheira e a encontrou conversando com outro homem, situação que o desagradou. Ele ordenou que o rapaz deixasse o local, o que deu início a uma discussão com a vítima.
Em seguida, de forma súbita e inesperada, o acusado desferiu um golpe de arma branca na vítima, utilizando uma faca com lâmina de aproximadamente 30 centímetros, causando lesão gravíssima na região abdominal. Paulina chegou a ser socorrida por um vizinho e levada ao pronto-socorro do município, sendo posteriormente transferida para o Hospital Regional de Sinop. Apesar do atendimento médico, ela não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu quatro dias após o ataque.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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