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Justiça Restaurativa fortalece cultura de paz nas escolas durante Semana Pedagógica em Colíder

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Quando um conflito surge na escola, a primeira resposta já não é o castigo, mas a conversa. Em Colíder, estudantes, professores e familiares têm se reunido em Círculos de Construção de Paz para falar, ouvir e reparar. A metodologia, conduzida em parceria com o Poder Judiciário de Mato Grosso, marcou a abertura da Semana Pedagógica do município e reforçou a aposta na cultura de paz como caminho para transformar o ambiente escolar.

Entre os dias 26 e 30 de janeiro, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da comarca participou da programação do evento. Na abertura, a juíza coordenadora do Cejusc e responsável pela Justiça Restaurativa no município, Érika Cristina Camilo Camin, conduziu a palestra “Práticas Restaurativas Transformadoras” para mais de 600 profissionais da educação.

Durante a apresentação, a magistrada propôs uma reflexão sobre a necessidade de substituir respostas exclusivamente punitivas por estratégias de escuta ativa, diálogo e responsabilização consciente. Segundo ela, os Círculos de Construção de Paz permitem que estudantes, professores, gestores e famílias enfrentem conflitos de forma coletiva, fortalecendo vínculos e prevenindo novas violências.

Desde a implantação do programa, em 2024, já foram realizados 258 círculos, que somam 6.257 participações entre estudantes, profissionais da educação, familiares e membros da comunidade. Colíder conta atualmente com 14 escolas e cerca de 3.600 alunos, diretamente beneficiados pelas ações, que buscam consolidar a escola como espaço de diálogo, pertencimento e resolução pacificada de conflitos.

Para a juíza Érika, algumas experiências ultrapassam os números e permanecem na memória. Uma delas, que ela costuma citar como símbolo do que a Justiça Restaurativa pode transformar, ocorreu durante o atendimento a uma escola de Colíder, em um caso de bullying entre duas alunas.

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“Eu sempre me lembro de um círculo do qual participei em uma escola onde havia uma situação de bullying dentro de uma sala. Fomos até lá com a equipe e reunimos a turma em círculo, sem acusações, sem apontamentos, e foi muito interessante ver como os alunos se comportaram falando das dificuldades que viviam e o quanto se sentiram à vontade para falar sobre aquilo que doía na turma e, principalmente sobre o quanto aquele círculo foi capaz de tocar aquela menina apontada como a responsável pelos episódios de bullying em sala de aula. Nós percebemos que eles só precisavam ser escutados. Assim que o círculo terminou, a menina veio conversar comigo. Ela falou sobre medos e tudo o que estava vivendo. Aquilo me tocou muito, porque mostrou que o conflito nunca é simples, nunca é só sobre punir alguém. Quando a gente escuta de verdade, entende as histórias por trás das atitudes. Construímos juntos um pacto de convivência, com a participação de todos, assumindo responsabilidades e combinando novas formas de se relacionar. Tempos depois, voltei a falar com a escola e soube que não houve mais nenhuma intercorrência naquela sala”, compartilhou a magistrada.

O relato revela que, por trás de comportamentos rotulados como indisciplina ou agressividade, quase sempre existem histórias silenciadas, medos e fragilidades que não aparecem à primeira vista. Ao criar um espaço seguro de escuta, o Círculo desloca o olhar do julgamento para a compreensão, permitindo enxergar o que está além do conflito aparente. Mais do que corrigir condutas, a Justiça Restaurativa propõe entender pessoas, e é nesse movimento de reconhecer o que não se vê que a escola encontra caminhos mais humanos e duradouros para transformar relações.

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A juíza também frisou a importância da formação de facilitadores dentro das próprias unidades de ensino, para que diretores, coordenadores e professores se tornem multiplicadores da metodologia, potencializando sua aplicação no cotidiano escolar e ampliando a autonomia das escolas na gestão de conflitos.

A iniciativa dialoga com o Programa Escola que Protege, adotado pelo município para promover a convivência democrática e prevenir a violência nas unidades de ensino.

Para o secretário de Educação de Colíder, professor Adriano Marcos Camilo de Oliveira, os resultados já são percebidos no dia a dia das escolas.

“Os Círculos têm contribuído para a redução de situações de tensão, para o fortalecimento do sentimento de pertencimento e para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor, seguro e humanizado. As unidades passam a lidar com os desafios cotidianos não apenas de forma punitiva, mas educativa e restaurativa, promovendo responsabilidade, empatia e convivência saudável”, relatou.

O secretário também ressaltou a importância da parceria com o Poder Judiciário. “Quando Educação e Justiça caminham juntas, conseguimos avançar de maneira mais efetiva na prevenção de conflitos, na promoção da cultura de paz e na formação integral dos nossos estudantes”.

Fotos: Prefeitura de Colíder

Autor: Naiara Martins

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Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça

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Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.

Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.

Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.

Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.

“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.

A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”

Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.

“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.

A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.

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“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.

A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.

“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.

Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.

“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.

A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.

“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.

Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.

“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.

Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.

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Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.

Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.

A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.

Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”

Despedida

A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.

Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.

Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.

A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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