Tribunal de Justiça de MT

Institucionalizada há 19 anos, Esmagis-MT destaca legado e novos desafios da formação judicial

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A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso Desembargador João Antônio Neto (Esmagis-MT) celebrou nesta sexta-feira (28) 19 anos de institucionalização com um evento marcado por simbolismos, reflexões e reafirmação do compromisso com a formação judicial.

O encontro reuniu magistrados, representantes de instituições parceiras e especialistas da educação para celebrar quase duas décadas de uma trajetória dedicada à qualificação da magistratura mato-grossense.

Institucionalizada em 29 de novembro de 2006, a Esmagis se consolidou como um espaço fundamental para o desenvolvimento acadêmico, ético e humano dos magistrados e magistradas.

Para o seu diretor-geral, desembargador Márcio Vidal, a data carrega um significado que ultrapassa a comemoração.

“A escola tem uma importância fundamental na vida da instituição. Não dá para ficar, às vezes, com algumas receitas jurídicas, sem poder alcançar com ela a eficiência para a sociedade. Isso requer que nos debrucemos de forma contínua no saber”, destacou o magistrado.

A programação reuniu autoridades, parceiros e convidados em um momento marcado pelo descerramento da nova placa de identificação da Escola, pelo lançamento do site do Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente (Cesima) e pela palestra “A Educação no Século XXI”, ministrada pela professora e historiadora Josevanda Franco, consultora da Unesco para o Ministério da Educação (MEC).

Reconhecimento e memória institucional

Na ocasião, foram homenageados todos os desembargadores que compunham o Tribunal Pleno no dia da institucionalização da Esmagis-MT, que receberam a medalha Comenda Desembargador João Antônio Neto pela relevância na história da Escola. São eles: Mauro José Pereira, Odiles Freitas de Souza, Licínio Carpinelli Stefani, Flávio José Bertin e Shelma Lombardi de Kato. Os desembargadores Ernani Vieira de Souza, Atahide Monteiro da Silva, Carlos Avallone, José Vidal e Onésimo Nunes Rocha receberam homenagens póstumas.

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Presente no evento, o desembargador aposentado e ex-presidente do TJMT, Licínio Stefani Carpinelli reforçou o alcance da instituição na formação jurídica.

“É uma alegria muito grande o reconhecimento ao nosso trabalho. A Escola é de uma importância fundamental, pois não ensina somente o básico, mas também o prático e prepara o magistrado para o embate da vida”, externou.

A desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos lembra com orgulho que integrou a primeira turma da Escola da Magistratura, em 1985, ainda antes de sua institucionalização. Para ela, celebrar os 19 anos da Esmagis-MT é revisitar uma trajetória construída coletivamente e reconhecer a relevância que a instituição alcançou na formação jurídica.

“Fui aluna da primeira turma da Escola da Magistratura, em 1985. É impossível não recordar tudo o que vivemos naquela época e perceber o quanto a Escola evoluiu desde então. É um momento de celebração e de reconhecimento a todos que contribuíram para que a Esmagis se tornasse a instituição sólida e essencial que é hoje”, celebrou.

Educação, direitos e desafios contemporâneos

Responsável pela palestra do evento, a professora Josevanda Franco (Unesco/MEC) enfatizou o papel da Justiça na garantia dos direitos educacionais.

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“O sistema judiciário é uma base fundamental daquilo que chamamos de sistema de garantia e defesa de direitos da criança e do adolescente. É muito significativo quando o sistema de Justiça chama a educação para discutir assuntos que são pertinentes à sociedade”, ressaltou a educadora.

Em sua fala, ela destacou os desafios da educação no século XXI: a necessidade de reconhecer as subjetividades dos estudantes, investir em professores formados, garantir materiais didáticos adequados e assegurar que “toda criança aprenda e esteja na escola”.

Estiveram presentes também a desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, vice-diretora da Esmagis; o coordenador-geral do Cesima e ouvidor do TJMT, desembargador Rodrigo Roberto Curvo; o coordenador pedagógico da Esmagis, juiz Antônio Veloso Peleja Júnior; a juíza auxiliar da Presidência, Gabriela Carina Knaul de Albuquerque e Silva; e a juíza coordenadora do Cesima, Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT

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Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.

A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.

O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.

“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou

Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.

A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.

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“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.

Participação ativa

Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.

“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou

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Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.

“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.

Formação alinhada às metas institucionais

A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.

O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.

O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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