Tribunal de Justiça de MT

Especialista alerta para avanço do ódio contra mulheres e destaca papel das redes de proteção

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No Auditório Gervásio Leite, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a palestrante Alice Bianchini fala ao microfone durante apresentação sobre feminicídio. Ao fundo, o telão exibe conceitos relacionados à prevenção da violência contra a mulher.

Doutora em Direito pela PUC-SP, conselheira de Notório Saber do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e autora de diversas obras sobre o tema, ela reforçou que “embora a gente tenha uma legislação que é a Lei Maria da Penha, considerada uma das três mais avançadas do mundo, muitas das coisas que estão nela não vieram concretamente para sair do papel, e uma delas é exatamente as redes”, afirmou.

Segundo a professora, o país começa apenas agora, “de forma muito lenta e já com atraso”, a consolidar redes que garantam acolhimento efetivo. Para ela, o trabalho integrado é indispensável. “A gente não pode pensar nessa mulher só no aspecto penal. Ela quer também reconstruir a sua vida, a sua própria existência. Esses serviços são prestados pelas redes e são muito importantes para que essa mulher se sinta fortalecida e possa realmente sair da esfera da violência”, alertou.

Alice destacou ainda que a insegurança quanto ao bem-estar dos filhos é um dos fatores que impulsiona o retorno de vítimas ao ciclo violento. “Por uma série de questões identificadas hoje, a principal preocupação é com os filhos. Ela acaba voltando para a cena da violência e isso faz com que seja uma vítima muito certa de feminicídio”, alertou.

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Vista geral do Auditório Gervásio Leite durante palestra do II Encontro. Alice Bianchini fala ao público no palco, enquanto participantes acompanham sentados. O telão exibe conteúdo visual relacionado à violência contra a mulher.Ao comentar fatores socioeconômicos relacionados à desigualdade de gênero, a palestrante reforçou que a independência financeira e o acesso ao trabalho são pilares fundamentais. “Todas as pesquisas no mundo inteiro vão dizer que quanto mais desigualdade de gênero, mais violência de gênero. No Brasil, que detém um dos índices mais altos, nós também temos muita desigualdade”.

Ela lembrou que mulheres recebem, em média, 24% a menos do que homens realizando as mesmas funções, e convivem com barreiras adicionais devido à dupla ou tripla jornada. “Essa perspectiva da igualdade é a mais importante que a gente tem que trabalhar”, completou.

Ao comentar o avanço das redes de enfrentamento, ação consolidada pelo TJMT em Mato Grosso – que chegará a cem redes instaladas neste final de ano -, a professor elogiou o esforço, mas ponderou sobre a necessidade de fortalecimento estrutural.

a palestrante Alice Bianchini fala ao microfone durante o II Encontro das Redes de Enfrentamento. Vestindo blazer azul, ela gesticula enquanto explica o tema ao público. Ao fundo, uma integrante das redes acompanha sentada, com o telão colorido do evento“A gente precisa das duas coisas: quantidade e qualidade”, assinalou. Para ela, essa expansão pode ser um “gatilho para diminuir a violência contra a mulher no Brasil”, desde que acompanhada de atuação nas frentes de prevenção primária, secundária e de reparação.

“O que a gente tem observado é como está crescendo o ódio contra as mulheres. Existe a violência que leva à morte dessa mulher, mas existe também um ódio sendo perpetrado”, denunciou.

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Ela explicou que parte desse fenômeno decorre da busca feminina por igualdade e autonomia. “As mulheres não querem mais do que os homens, querem igualdade. Isso cria maior empoderamento, entendido como a capacidade de gerir a própria vida. Para um setor pequeno, mas muito violento, isso causa incômodo, uma certa ojeriza, e aí vêm esses extremos de violência”.

O II Encontro das Redes de Enfrentamento reuniu profissionais que atuam diariamente na proteção de mulheres em situação de violência, reforçando a necessidade de integração, qualidade nos serviços e compromisso permanente com a vida e a dignidade feminina.

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II Encontro das Redes destaca que compreender o passado é caminho para proteger mulheres hoje

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

Entenda a sua audiência: Saiba como funciona um Tribunal do Júri

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Está no ar mais uma edição da série “Entenda a sua audiência”, iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Laboratório de Inovação – InovaJusMT e da Coordenadoria de Comunicação, que busca aproximar a Justiça da sociedade com a disponibilização de vídeos que explicam o funcionamento dos diversos tipos de audiência judicial. Neste episódio, o tema é “Tribunal do Júri”, que já pode ser conferido no canal do TJMT no Youtube.
A iniciativa utiliza linguagem simples e inteligência artificial para produzir vídeos e cartilhas informativas de fácil compreensão, com o objetivo de disseminar conhecimento sobre os direitos dos cidadãos relativos ao acesso à Justiça, facilitando a experiência da pessoa que vivencia a situação de participar de uma audiência.
Vale destacar que a série Entenda a sua Audiência é uma das duas produções do TJMT finalistas no Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2026, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), na categoria “Iniciativa de IA”. A premiação reconhece iniciativas de todo o país que fortalecem a comunicação pública, valorizam a transparência institucional e aproximam o Sistema de Justiça da sociedade.
Episódio “Tribunal do Júri”
Neste vídeo, você fica sabendo cada detalhe do funcionamento do Tribunal do Júri, um tipo de julgamento em que a decisão fica nas mãos da sociedade, representada pelos jurados, que são cidadãos comuns, de reputação ilibada.
Previsto na Constituição Federal de 1988, o Tribunal do Júri julga crimes dolosos contra a vida, ou seja, quando a pessoa tem a intenção de matar ou assume o risco de causar a morte, como são os casos de homicídio doloso, feminicídio, vicaricídio, induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, infanticídio, aborto criminoso. A tentativa desses tipos de crimes também pode ser julgada pelo Tribunal do Júri, bem como os crimes conexos.
O vídeo também explica quem são as pessoas que participam do Tribunal do Júri, como o juiz ou juíza, que conduz a sessão de julgamento e fixa a pena, se houver condenação; o (a) promotor (a) de justiça, que representa o Ministério Público e apresenta a acusação; a assistente de acusação, que pode representar a família da vítima, quando houver; o advogado, que faz a defesa do réu ou da ré; o réu ou a ré, que é a pessoa acusada de cometer o crime; as testemunhas, que contam ao júri o que viram, ouviram ou sabem sobre o caso. Por fim, os (as) sete jurados são cidadãos comuns convocados para participar do julgamento.
Até mesmo o roteiro de uma sessão do Tribunal do Júri é explicado no vídeo, desde a convocação de 25 jurados (as), dos quais sete são sorteados para atuarem no julgamento até o proferimento da sentença.
Os direitos e deveres dos jurados também são abordados, como a obrigatoriedade de comparecimento e a garantia da folga no trabalho nos dias de participação na sessão do Tribunal do Júri. O voto dos jurados é secreto e sua imagem deve ser preservada, ou seja, nomes e imagens não podem ser divulgados ao público.

Autor: Celly Silva

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Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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