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A diversidade das deficiências: múltiplas realidades, múltiplas necessidades

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A deficiência não é uma realidade única nem homogênea. Ela compreende uma grande diversidade de impedimentos de longo prazo, que podem ser físicos, sensoriais, intelectuais, mentais ou múltiplos, afetando pessoas de formas diferentes ao longo da vida. Algumas deficiências são visíveis, enquanto outras não, o que exige atenção, sensibilidade e compreensão por parte da sociedade e das instituições.

Reconhecer essa diversidade é fundamental para garantir políticas públicas eficazes, serviços acessíveis e ambientes verdadeiramente inclusivos.

Diversidade das deficiências: o que isso significa na prática

A diversidade das deficiências refere-se à variedade de condições e experiências vividas pelas pessoas com deficiência, entre elas:

Deficiência física

Envolve impedimentos relacionados à mobilidade ou à coordenação motora, como dificuldades para caminhar, movimentar membros ou manter equilíbrio. Pode demandar rampas, elevadores, mobiliário adaptado e rotinas flexíveis.

Deficiência sensorial

Inclui:

– Deficiência visual, total ou parcial, que pode exigir recursos como leitores de tela, audiodescrição, braile e contraste adequado;

– Deficiência auditiva, que pode demandar Libras, legendas, recursos visuais e atendimento acessível.

Deficiência intelectual

Relaciona-se a limitações no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, podendo afetar aprendizagem, compreensão de informações complexas e autonomia em determinadas atividades. Nesse caso, linguagem simples, comunicação clara e apoio adequado fazem toda a diferença.

Deficiência mental ou psicossocial

Envolve impedimentos relacionados à saúde mental, como transtornos que afetam comportamento, percepção e interação social. Ambientes acolhedores, sem estigmatização, são essenciais para a inclusão.

Deficiências múltiplas

Quando uma pessoa apresenta mais de um tipo de deficiência, exigindo soluções combinadas e ainda mais personalizadas.

Cada uma dessas realidades demanda formas específicas de acessibilidade. Por isso, tratar todas as pessoas de maneira igual pode gerar exclusão. Inclusão não é igualdade absoluta, mas equidade, ou seja, oferecer a cada pessoa os recursos de que necessita para participar plenamente da vida social, profissional e institucional.

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Deficiência não está só na pessoa, mas na interação com as barreiras

Segundo a abordagem contemporânea, a deficiência não se resume à condição individual. Ela surge, sobretudo, da interação entre a pessoa e as barreiras impostas pela sociedade, que podem ser:

 Arquitetônicas, como escadas sem rampas ou ausência de elevadores;

 Comunicacionais, como falta de Libras, legendas, audiodescrição ou linguagem clara;

 Atitudinais, como preconceito, desinformação, infantilização ou exclusão;

 Sociais e institucionais, quando políticas e práticas não consideram a diversidade humana.

 Quando essas barreiras existem, elas impedem a participação plena das pessoas com deficiência, limitando direitos e oportunidades.

Capacitismo: o que não confundir com diversidade

É importante distinguir diversidade das deficiências de capacitismo. Enquanto a diversidade se refere à variedade legítima de corpos, mentes e experiências humanas, o capacitismo é o preconceito e a discriminação contra pessoas com deficiência, baseado na crença de que elas são inferiores, menos capazes ou menos produtivas.

O capacitismo se manifesta como um sistema de opressão, reforçando hierarquias sociais e marginalizando pessoas com deficiência por meio de:

 Barreiras físicas não eliminadas;

 Atitudes preconceituosas ou paternalistas;

 Exclusão de espaços de decisão;

 Falta de adaptações razoáveis e acessibilidade.

 Combater o capacitismo passa, necessariamente, pelo reconhecimento e respeito à diversidade das deficiências.

Por que reconhecer a diversidade importa?

Ao compreender que pessoas com deficiência não formam um grupo único e homogêneo, as instituições conseguem:

 Planejar políticas públicas mais eficazes;

 Oferecer serviços acessíveis e humanizados;

 Evitar generalizações e estereótipos;

 Promover ambientes mais justos, inclusivos e democráticos.

 No serviço público e no Judiciário, esse olhar contribui para decisões mais sensíveis à realidade social e mais alinhadas aos direitos fundamentais.

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🟦 Dicas Anti-capacitistas

Ä Evite pressupor necessidades, limites ou capacidades com base apenas no tipo de deficiência.

Ä Não compare pessoas com diferentes deficiências — cada trajetória é única.

Ä Valorize soluções personalizadas, acessíveis e baseadas na equidade.

Ä Lembre-se: diversidade não é exceção, é parte da condição humana

🟦 Comissão de Acessibilidade e Inclusão

A foto mostra auditório lotado durante o TJMT Inclusivo. No palco, a desembargadora Nilzafala ao púlpito, ao lado das bandeiras. Atrás dela, autoridades e convidados estão sentados diante do painel verde com arte sobre autismo e flores coloridas na frente.A Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso desenvolve atuação contínua voltada à remoção de barreiras e à garantia de acesso integral aos serviços judiciais por todos os cidadãos. Sob a presidência da vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, a Comissão reafirma o compromisso da alta administração com a promoção da inclusão e com o fortalecimento de uma cultura institucional mais acessível e igualitária.

Em 2025, as iniciativas foram ampliadas, com foco tanto na conscientização quanto na execução de melhorias estruturais. Ao longo do ano, foram promovidos eventos sobre inclusão de pessoas autistas nas cidades de Cuiabá, Rondonópolis, Cáceres, Sinop e Sorriso, estimulando o debate qualificado, a troca de experiências e a formação continuada no âmbito do Judiciário.

Paralelamente às ações educativas, a Comissão realizou vistorias técnicas e implementou intervenções destinadas a assegurar melhores condições de acesso aos jurisdicionados em Fóruns e Cartórios Extrajudiciais das comarcas de Cuiabá, Jaciara, Rondonópolis, Tangará da Serra, Sinop e Sorriso. Entre as melhorias efetuadas, destacam-se a instalação e adequação de rampas, a adaptação de sanitários, bem como a melhoria no acesso às varas judiciais e aos tribunais do júri, medidas que consolidam o compromisso institucional com a autonomia, a dignidade e o efetivo acesso à Justiça.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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