Em mais uma iniciativa voltada à valorização e à garantia de direitos dos trabalhadores da coleta de resíduos em Mato Grosso, o deputado estadual Fabinho Tardin (Podemos) comemorou a aprovação, em segunda votação, do Projeto de Lei nº 1068/2024 , que institui o Dia Estadual do Gari, a ser celebrado anualmente em 16 de maio, com feriado destinado à categoria. A aprovação ocorreu durante sessão plenária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), realizada nesta quarta-feira (20). A proposta busca ampliar o reconhecimento e a valorização desses profissionais e agora segue para sanção do governo estadual.
Fabinho afirma que a iniciativa também tem relação com sua trajetória pessoal. Antes de ingressar na política, o parlamentar trabalhou como jardineiro e gari em Várzea Grande. Desde então, segundo ele, tem atuado em defesa de melhorias nas condições de trabalho dos profissionais da limpeza pública. O deputado também é autor da lei que institui a Política Estadual de Apoio aos Catadores de Materiais Recicláveis em Mato Grosso.
“Esse projeto nasce do reconhecimento de uma categoria essencial e, muitas vezes, invisibilizada. A ideia é transformar o Dia do Gari em um momento ainda maior de valorização e homenagem”, afirmou o deputado durante sessão plenária.
O parlamentar também pediu maior visibilidade, respeito e valorização aos garis. “A luta pela valorização dos garis já avança no Congresso Nacional, onde está em discussão o piso salarial da categoria. Aproveito a oportunidade para pedir aos deputados federais e senadores de Mato Grosso que abracem essa causa e contribuam para acelerar a votação. O debate também precisa avançar nas câmaras municipais. Em Várzea Grande, por exemplo, já existem discussões e propostas sendo construídas para tratar da pauta”, afirmou.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) deu continuidade, nesta quarta-feira (14), à apuração de procedimentos administrativos e pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). A reunião ouviu o ex-secretário Gilberto Figueiredo, que respondeu aos questionamentos dos parlamentares sobre pagamentos indenizatórios, reconhecimento de dívidas e recomendações dos órgãos de controle. O atual secretário, Juliano Silva Melo, não compareceu à oitiva.
Entre os principais pontos debatidos estiveram os valores pagos por indenização, a continuidade desse tipo de despesa após a fase mais crítica da pandemia de Covid-19 e os procedimentos adotados pela Secretaria diante das orientações da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Após a reunião, o deputado Wilson Santos afirmou que as respostas do ex-secretário reforçaram a necessidade de esclarecer os pagamentos indenizatórios, que, segundo ele, ultrapassaram R$ 1,1 bilhão. O parlamentar também questionou o crescimento dessas despesas no período posterior à fase mais crítica da pandemia e citou pagamentos superiores a R$ 140 milhões ao Hospital Israelita Albert Einstein, sobre os quais considera necessário obter explicações.
Em entrevista, Gilberto Figueiredo defendeu os procedimentos adotados durante sua gestão. Segundo ele, pagamentos indenizatórios já eram utilizados na administração estadual e, na área da Saúde, podem ocorrer em situações nas quais a aquisição de um medicamento ou serviço é necessária para garantir o atendimento de pacientes. O ex-secretário também afirmou que suas decisões consideravam as necessidades da assistência pública e que não manteve acordos ilícitos com empresas.
Foto: Helder Faria
A oitiva também abordou o cumprimento das recomendações dos órgãos de controle e a responsabilidade pelas decisões administrativas. Figueiredo declarou que, em determinadas situações, considerou necessário ponderar as orientações recebidas diante das necessidades dos pacientes. Já Wilson Santos avaliou que persistem dúvidas sobre os procedimentos e os valores envolvidos, que deverão ser considerados no andamento da investigação.
Comissão prevê novos encaminhamentos – A ausência do atual secretário de Saúde também esteve entre os assuntos tratados após a reunião. Wilson Santos informou que seria encaminhado pedido ao desembargador Marcos Machado para buscar a determinação judicial do comparecimento de Juliano Silva Melo, após sucessivos adiamentos. O deputado afirmou ainda que a CPI pretende ouvir outros agentes públicos, conforme a avaliação dos depoimentos e documentos reunidos.
A comissão segue com a análise dos procedimentos investigados e a programação de novas oitivas. O prazo de funcionamento foi prorrogado, com previsão de encerramento dos trabalhos em janeiro de 2027.
Participaram da reunião os deputados Chico Guarnieri (PRD), vice-presidente da CPI; Beto Dois a Um (União), relator; e Dilmar Dal Bosco (União), membro titular.
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