Política MT
Deputada Janaina Riva faz homenagens para 13 pessoas
Publicado em
17 de maio de 2024por
Da RedaçãoA presidente em exercício da Assembleia Legislativa (ALMT), deputada Janaina Riva (MDB) homenageou, na manhã desta sexta-feira (17), integrantes do Rotary Club de Cuiabá e pessoas que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento e crescimento em Mato Grosso. As 13 homenagens foram feitas em ato solene realizado na sala do Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa.
No ato solene foram entregues uma comenda Filinto Müller, um Título de Cidadão Mato-grossense e 11 Moções de Aplausos. A comenda Filinto Müller foi entregue ao delegado de Polícia Civil, Eugênio Rudy Júnior, lotado no município de Chapada dos Guimarães.
O delegado falou em nome dos homenageados. Segundo ele, a honraria concedida pela Assembleia Legislativa coroa todo o trabalho realizado pelas pessoas em prol da sociedade mato-grossense.
“No meu caso quero compartilhar a honraria com as esquipes (Lucas do Rio Verde, e Sorriso) e hoje com a equipe de Chapada dos Guimarães. Eles não mediram esforços para trazer resultados positivos à população. É um momento impar e feliz para minha carreira, quando somos reconhecidos pelo trabalho realizado pela Polícia Civil de Mato Grosso”, disse Eugênio Rudy.
A atual presidente do Rotary Club de Cuiabá – a mais antiga entidade filantrópica de Mato Grosso com 83 anos de fundação – Maria de Lurdes Sella, disse que o Rotary é uma instituição histórica e global porque está presente em mais de 270 países. No Brasil, segundo ela, são 53 Distritos e que em Mato Grosso, o Distrito conta com 92 Clubes.
“Aqui em Cuiabá e Várzea Grande, que engloba a área 1, existem 12 Clubes. Por isso, a homenagem agrega um valor grande a minha biografia, porque os trabalhos prestados ao Rotary estão sendo reconhecidos. A homenagem nos dá estimulo para trabalhar cada vez mais em prol da comunidade através do Rotary”, disse Sella.
A deputada Janaina Riva disse que as homenagens são jutas porque vêm ao encontro dos trabalhos desenvolvidos pelas pessoas, tirando-as do anonimato. As honrarias da Assembleia Legislativa são para reconhecer as pessoas que trabalham, muitas vezes, sem ganhar nada pelo serviço prestado ao estado. Riva disse que o intuito é o de valorizar o que está sendo feito por eles, e assim estimular a sociedade à prática do voluntariado.
“Muitas vezes, onde o Estado não consegue chegar, o Rotary está. Essas parcerias deveriam ser ampliadas. Isso por parte do próprio Estado que não é eficiente à altura do que a população almeja. Não é demérito em reconhecer isso. Se existe por meio da iniciativa privada de ter um braço do estado e vejo isso com a possibilidade de descentralizar os trabalhos que o estado de deveria executar”, disse Janaina Riva.
Um dos homenageados com Moção de Aplausos, Luiz Carlos Culca Nogueira, que será a partir de 1º de julho de 2024 o próximo presidente do Rotary Club Cuiabá, disse que as homenagens devem influenciar em seu trabalho frente à presidência do Rotary.
“Vai impactar porque assumo o cargo em 1º de julho e dá um ânimo maior, porque desde os 12 anos de idade já faço trabalho como voluntário através da igreja evangélica. Mas servir o Rotary e receber uma homenagem significa que a entidade está no caminho certo em ajudar as pessoas”, disse Culca.
Outra homenageada com a Moção de Aplauso foi Luciane Aparecida da Silva Leite de Souza, ela está à frente do trabalho social realizado no bairro São Gonçalo III – Coxipó/Cuiabá – Sopão do Dudu. Segundo ela, o trabalho filantrópico começou ajudando 12 pessoas do distrito de Mimoso – município de Santo Antônio de Leverger. Mas hoje, já atende 130 famílias.
“Elas não tinham o que comer. No começo dávamos a janta às pessoas. Mas com o passar do tempo, esse trabalho foi estendendo e, hoje, atendemos 130 famílias. O que a gente ganha é oferecido a elas. Hoje, o projeto trabalha também na alfabetização de idosos. Mas no São Gonçalo III não tem somente isso. É um bairro vulnerável, que nem existe no mapa de Cuiabá. É periférico. Mas temos um sonho de torná-lo comunidade e reconhecido pela sociedade cuiabana e pelas autoridades políticas ”, disse Luciane Souza.
Abaixo as pessoas homenageadas pela deputada Janaina Riva.
Comenda Filinto Müller
Eugênio Rudy Júnior
Título de Cidadão Mato-grossense
Diego Pereira Felipe
Moções de Aplausos do Rotary Club
Luiz Carlos Culca Nogueira
Maria de Lurdes Sella
Adilson Azevedo da Costa
Nilton Lourenço
José Ival de Souza
Rute Ventura de Souza
Governadores – Distrito 4440
Felício José dos Santos
Fernando Dalmollim
Antônio José Zago
Serafim Carvalho de Mello
Entidade filantrópica em Cuiabá:
Luciane Aparecida da Silva Leite de Souza
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Das ruas ao Shopping Popular de Cuiabá: “Essa história, eu vivi”
Published
3 horas agoon
27 de abril de 2026By
Da Redação
Quando eu olho para o Shopping Popular de Cuiabá, hoje com 31 anos de história, eu não enxergo apenas uma estrutura física, sobretudo depois de tudo o que foi enfrentado, com alagamentos que ocasionou em perdas de mercadorias e um incêndio de grandes proporções que destruiu praticamente toda a edificação. Eu vejo uma trajetória construída com muito esforço, marcada por luta, perdas, resistência e recomeços. E posso afirmar com convicção: essa história, eu vivi.
Essa caminhada começa muito antes de 1995. Ela nasce ainda no início da década de 80, quando Cuiabá enfrentava um intenso processo de crescimento populacional. A cidade recebia migrantes de várias regiões do país, como Paraná, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Espírito Santo, entre outros. Muitos deles, sem qualificação profissional e acesso ao mercado formal.
Sem oportunidades, essas pessoas encontraram no comércio ambulante uma forma de sobrevivência. Foi assim que as praças e ruas centrais de Cuiabá – como a Praça da República, Alencastro, Ipiranga, Maria Taquara, Bispo Dom José, Porto e outras – passaram a ser ocupadas de forma desordenada por barracas, carrinhos e vendedores informais. Era uma realidade social dura.
Esses trabalhadores enfrentavam sol, chuva, fiscalização e, muitas vezes, repressão por parte dos fiscais da prefeitura e policiais militares. Houve apreensões de mercadorias, denúncias de violência e extorsão e situações de confronto. Muitos eram tratados como marginais, quando, na verdade, buscavam apenas trabalhar de forma honesta para o seu sustento e de sua família.
Ao mesmo tempo, havia pressão do comércio formal que pagava impostos, se sentiam prejudicados e via naquela atividade uma concorrência desleal. A própria população também cobrava a desocupação dos espaços públicos. E eu entendia que este desafio não se tratava apenas de organizar a situação. Era preciso respeitar aquelas pessoas que eram pais e mães de família, trabalhadores da economia informal, sem carteira assinada, sem décimo terceiro, sem qualquer segurança.
Vale lembrar que, em 1982, surgiu a primeira tentativa de organização com a criação da Associação dos Vendedores Ambulantes de Mato Grosso. Era o início de uma construção coletiva. Dois anos depois, começou a ganhar força a ideia de um “camelódromo” que seria um centro popular de compras que pudesse organizar a atividade e reduzir os conflitos urbanos.
Na primeira gestão do prefeito Dante de Oliveira, no ano de 1986, foi criado um decreto que instituiu a Comissão de Recuperação da Área Central e do Porto. O objetivo era reorganizar o centro da cidade, preservar o patrimônio histórico e disciplinar o comércio ambulante. Naquele momento, eu atuava como coordenador da Secretaria Municipal de Serviços Públicos da Prefeitura de Cuiabá. Convocamos os vendedores ambulantes para dialogar. Houve resistência. Muitos não queriam sair das ruas, porque dali vinha o sustento. Ao mesmo tempo, comerciantes formais chegaram a ameaçar greve.
Em 1987, um levantamento identificou cerca de 270 ambulantes no centro. Diante disso, conduzimos um amplo estudo socioeconômico que durou cerca de oito meses e identificou aproximadamente 400 trabalhadores. Fizemos o cadastramento, fomos até as casas, conhecemos a realidade de cada um. Identificamos quem realmente vivia daquele trabalho e começamos a criar um modelo mais justo. Implantamos o uso de jaleco, crachá e carrinhos padronizados. Foi a primeira organização efetiva do comércio ambulante em Cuiabá – com respeito e sem injustiças.
Mas esse avanço não teve continuidade. O motivo deve-se a mudança de gestão municipal, em que o grupo político que assumiu – não conseguiu encontrar uma solução ao comércio informal. Nos anos seguintes, o número de ambulantes voltou a crescer de forma desordenada e chegaram a ser classificados como “clandestinos”. Em 1992, o centro já estava novamente tomado, com forte presença de comércio informal, inclusive de produtos vindos do Paraguai – que eram denominados de ‘muambas’.
Em 1993, com o retorno de Dante de Oliveira à Prefeitura – no segundo mandato, eu fui chamado novamente, desta vez para ocupar o cargo de secretário de Serviços Públicos, com a missão de reorganizar o centro. Iniciamos a “Operação Limpa Centro”. Suspendemos novas concessões para barracas, quiosques e pontos comerciais e iniciamos um novo recadastramento. E ali retomamos esse capítulo com mais maturidade e uma compreensão mais profunda: não bastava organizar – era preciso criar uma solução definitiva. Foi nesse momento que nasceu a ideia do Shopping Popular.
Em 27 de agosto de 1993, começamos esse trabalho. O objetivo era identificar quem realmente dependia da atividade para sobreviver. Eu já era deputado estadual, mas deixei o mandato para assumir a missão de conduzir esse processo e foi uma das tarefas mais desafiadoras que já enfrentei na vida pública. Tivemos que recomeçar do zero. Lidamos com conflitos, interesses divergentes e muitas distorções. Haviam trabalhadores com vários pontos e outros que não tinham nenhum. Foi preciso fazer justiça social e com responsabilidade. E assim, enfrentamos a resistência.
Naquele período, também investimos em infraestrutura básica para o comércio popular, como banheiros, bebedouros e telefones públicos. Mas, somente, em 10 de outubro de 1994, anunciamos oficialmente o início da obra do Shopping Popular, inicialmente chamada de “Shopping das Mangueiras”. A construção começou no mês seguinte, no bairro Dom Aquino, em uma área de aproximadamente 1.152 metros quadrados.
Havia limitações financeiras. Inclusive, naquele momento, a própria gestão reconhecia que não conseguiria concluir toda a estrutura. Muitas vezes, foi preciso improvisar, buscar alternativas, contar com a boa vontade e o esforço coletivo para não deixar o projeto parar. Mesmo assim, seguimos.
No dia 23 de abril de 1995, foi realizada a transferência dos vendedores ambulantes para o novo espaço. Foi um momento histórico, mas também difícil. Muitos não queriam sair do centro. Havia medo e insegurança. Enquanto isso, os lojistas comemoravam a desocupação das ruas, os trabalhadores informais iniciavam uma nova etapa, ainda com estrutura limitada.
Ao longo dos anos, novos desafios surgiram. Em 2004, problemas de drenagem provocaram alagamentos constantes, causando prejuízos e obrigando muitos comerciantes a recomeçarem várias vezes. Mesmo assim, não desistiram.
Em 2009, já como prefeito de Cuiabá, retomei essa pauta com foco na modernização do Shopping Popular. Esse processo resultou, em julho de 2015, na inauguração de uma nova estrutura, consolidando o espaço como referência e transformando antigos camelôs em empreendedores formalizados. Mas, a história ainda reservava mais um grande desafio.
Em julho de 2024, um incêndio destruiu toda a estrutura do Shopping Popular. Mais de 600 famílias foram diretamente afetadas. Todos praticamente perderam tudo. E, mais uma vez, eu vi aquilo que sempre marcou essa trajetória: a capacidade de recomeçar. Sem nenhum recurso público, os próprios comerciantes iniciaram a reconstrução com investimento estimado a R$ 60 milhões. Hoje, mais de 70% da obra já está concluída com recursos próprios dos associados.
Ainda se fazia necessária mais recursos para concluir a obra. Diante dessa realidade, procurei o presidente da associação, Misael Galvão, e juntos levamos essa demanda ao Governo do Estado. Apresentamos não apenas um pedido, mas a prova concreta do esforço já feito – uma obra avançada, construída com o suor dos próprios trabalhadores e que precisava de apoio para chegar à sua etapa final.
Inicialmente, tentamos viabilizar uma doação por parte do Estado, mas isso não foi possível juridicamente, já que se trata de uma entidade privada. Foi então que construímos uma alternativa legal: um financiamento. Assim, todo o projeto para garantir os recursos foi estruturado e elaborado pela própria Desenvolve MT – pertencente ao Governo de Mato Grosso.
Logo, a gestão estadual encaminhou o projeto de lei à Assembleia Legislativa, no dia 22 de abril, solicitando a autorização para essa operação. A mensagem do governo veio no sentido de garantir até R$ 15 milhões para a conclusão da obra – um recurso essencial para finalizar a estrutura com qualidade. E de forma unânime, todos os deputados estaduais aprovaram a proposta.
Esse avanço representa muito mais do que um investimento financeiro. Representa o reconhecimento de uma história construída sem privilégios, sem facilidades e, até aqui, sem dinheiro público na reconstrução. E ao longo de mais de quatro décadas, eu acompanhei essa trajetória de perto. Vi o início dos ambulantes nas ruas, os conflitos, a organização, a construção do shopping, os desafios estruturais, as perdas e os recomeços.
O Shopping Popular é o símbolo de um povo que saiu das ruas, enfrentou dificuldades, resistiu às adversidades e construiu, com as próprias mãos, um caminho de dignidade. E eu posso dizer, com toda convicção: Eu estive presente em cada etapa dessa caminhada.
Essa história, eu vivi.
*Wilson Santos é deputado estadual pela ALMT.
Fonte: ALMT – MT
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