Política MT
Comissão de Educação aprova mais de 40 projetos em reunião nesta terça (4)
Publicado em
4 de junho de 2024por
Da RedaçãoA Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto da Assembleia Legislativa analisou 49 propostas em reunião ordinária na tarde desta terça-feira (4). Entre as 42 matérias que receberam parecer favorável na comissão de mérito está o Projeto de Lei (PL) nº 372/2023, “que dispõe sobre a política de atendimento a pessoas com altas habilidades ou superdotação”.
Apresentado pelo deputado Valdir Barranco (PT), o PL elenca objetivos como a garantia da atenção integral às pessoas com altas habilidades ou superdotação, apoio permanente às suas famílias e fortalecimento da qualidade da oferta de educação especial a esses alunos. Membro titular do colegiado, Barranco explica que a proposta foi elaborada por um jovem com altas habilidades. “É um projeto de autoria de um jovem de 16 anos, João Guilherme Kido, que me procurou, juntamente com sua mãe. Ele já foi selecionado para diversas universidades nos Estados Unidos e na Inglaterra e é muito sensível a essa situação de alunos que têm as mesmas habilidades que ele”, disse o parlamentar.
“Às vezes, as escolas e os pais não têm condição de fazer esse diagnóstico da superdotação, até prejudicando o desenvolvimento das habilidades. O projeto, que esperamos aprovar, ao virar lei dará condições para que o estado de Mato Grosso desenvolva políticas que acolham essa juventude com altas habilidades. Inclusive, muitos vão sendo cooptados para fora do país, nós vamos perdendo essas pessoas”, completou Valdir Barranco.
Outra matéria aprovada pela comissão foi o PL nº 1360/2023, para declarar a cultura hip hop como patrimônio cultural imaterial do estado. “Este ano o hip hop comemora 50 anos aqui no Brasil e nós temos uma cena hip hop e de cultura urbana muito forte, muito potente. Nós não podemos esquecer que a cultura mato-grossense é composta da miscigenação de várias culturas, de vários povos. Então, eu agradeço aos meus colegas de comissão que estiveram ao meu lado na condução dessa aprovação”, disse o presidente do colegiado, deputado Beto Dois a Um (PSB), autor da proposta. O parlamentar também apresentou o PL nº 652/2024, com objetivo de instituir o Dia Estadual da Música Sertaneja, a ser comemorado no dia 13 de julho.
Requerimento 137414 – O deputado Thiago Silva (MDB), vice-presidente do colegiado, pediu andamento de discussões do Requerimento 137414, que pede a “revogação da Súmula nº 01/2013”, de 24/04/2013, que estabelece que ‘não é prerrogativa da Assembleia Legislativa alterar o currículo das escolas com criação de disciplinas ou inserção de conteúdos’”. O presidente da Comissão de Educação, Beto Dois a Um, então se comprometeu a apresentar, na próxima reunião, um grupo de trabalho com outros convidados, além dos membros do colegiado, para discutir o assunto.
“Essa súmula tem sido fundamental para guiar a equipe técnica da comissão, fazendo um filtro de projetos que às vezes querem alterar a grade curricular das escolas, acrescentando disciplinas, retirando disciplinas. A competência disso é do Congresso Nacional, porque trata-se de Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, por isso que tem essa súmula. Para não revogá-la, eu havia sugerido, lá em novembro do ano passado, e hoje o presidente deputado Beto trouxe novamente essa ideia, de que nós fizéssemos um estudo sobre ela”, defendeu Valdir Barranco.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Mulheres na ALMT: trajetória iniciada há quase sete décadas ganha novo capítulo
Published
2 dias agoon
9 de outubro de 2026By
Da Redação
Vera Lúcia Araújo – Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).
Foto: Helder Faria
Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).
Foto: Helder Faria
A participação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) atravessa quase sete décadas desde a eleição de Oliva Enciso, em 1958. No último domingo (4), essa história ganhou um novo capítulo com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa a partir de 2027.
Oliva foi a primeira mulher eleita deputada estadual em Mato Grosso, 26 anos depois da conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Professora, atuou na educação e na assistência social e também foi vereadora de Campo Grande antes de chegar à Assembleia para a 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, quando Mato Grosso ainda não havia sido dividido.
A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a participação institucional das mulheres na política mato-grossense começou a ganhar espaço ainda nas décadas de 1920 e 1930, influenciada pela luta e conquistas dos direitos sociais e políticos. Em Mato Grosso, organizações de mulheres, a educação e a imprensa contribuíram para ampliar a presença feminina na vida pública.
A conquista do direito ao voto, porém, não significou acesso imediato aos cargos eletivos. Dejenana aponta que a estrutura política estadual foi historicamente marcada pelo coronelismo, pelas relações familiares e por uma organização patriarcal. Enquanto os homens tiveram o acesso à política tratado como algo natural, as mulheres precisaram construir reconhecimento público por outros caminhos, como a educação, a escrita e a atuação social.
A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), Madalena Rodrigues, também relaciona a baixa representação feminina às estruturas sociais construídas historicamente. “A política de Mato Grosso é uma política patriarcal, cercada pelos homens”, afirma. Segundo ela, as barreiras estão relacionadas não apenas ao gênero, mas também à classe e à raça.
Diferentes caminhos — Ao longo das décadas, as mulheres chegaram à política por diferentes trajetórias. Dejenana aponta que, em Mato Grosso, uma delas foi o capital político familiar, com candidaturas construídas a partir da trajetória de pais, maridos ou outros homens da família. Educação, movimentos sociais e sindicais, atuação profissional e mandatos municipais também se consolidaram como portas de entrada.
A ex-deputada estadual Vera Araújo, a Verinha, percorreu uma trajetória ligada à educação e ao movimento sindical. Professora e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), foi eleita vereadora de Cuiabá em 2000 e, dois anos depois, conquistou uma cadeira na ALMT, sendo a única mulher entre os 24 deputados estaduais eleitos.
Verinha relata que ocupar um espaço predominantemente masculino significava conviver com cobranças sobre sua capacidade. “Se você faz essa opção, essa decisão de disputar o poder, você tem que provar que você dá conta, que você é competente. Senão eles vêm, dizem: ‘Ah, não deu conta porque é mulher’”, afirma.
Mãe de três filhos, ela também se preocupava que algum problema familiar fosse relacionado à decisão de estar na política. “Eu sempre me preocupei muito com isso, porque eu percebo que, quando a mulher faz essa disputa de poder, ela acaba carregando com ela essa culpa de que nada dê errado com seus filhos, com a sua casa, com a sua família. Porque, se alguma coisa dá errado, ela vai ser culpada porque saiu para o espaço público”, relata.
Mesmo dividindo os cuidados com os filhos e as tarefas domésticas com o companheiro, Verinha afirma que a preocupação permanecia. “Quando a mulher faz essa opção de sair para disputa do espaço de poder, ela acaba sendo responsabilizada duplamente”, acrescenta.
Registros produzidos durante o mandato mostram iniciativas em áreas como educação, saúde e fiscalização do poder público. Entre elas estão a legislação relacionada ao tempo de espera em filas de bancos, uma proposta de combate ao nepotismo e a lei que instituiu o Dia Estadual de Controle à Anemia Falciforme. Outra proposta que se tornou lei instituiu a meia-entrada para professores da rede pública estadual em estabelecimentos de lazer, entretenimento e difusão cultural.
Da candidatura à permanência — A cientista política Christiany Fonseca avalia que a maioria feminina no eleitorado não se transforma automaticamente em presença equivalente nos espaços de representação. O caminho até o mandato envolve acesso aos partidos, recursos de campanha, redes políticas, apoio e condições efetivas de competição. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resume.
Para Christiany, analisar apenas o número de candidaturas não é suficiente, pois estar registrada na disputa não significa necessariamente ser tratada pelo partido como uma candidatura prioritária e competitiva. A divisão das responsabilidades de cuidado, a disponibilidade de tempo e as redes construídas ao longo da trajetória também interferem nesse processo.
Nas eleições gerais de 2026, as mulheres corresponderam a 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual de 2022. Entre as 24 cadeiras da próxima legislatura estadual, duas serão ocupadas por mulheres.
A eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocorre 16 anos depois do último pleito em que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares na ALMT. Em 2010, Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram escolhidas para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.
Quase sete décadas depois da eleição de Oliva Enciso, a chegada de Samantha e Alessandra acrescenta um novo capítulo a uma trajetória marcada pela ampliação das formas de participação feminina e pela permanência do debate sobre acesso, condições de disputa e presença das mulheres nos espaços de poder.
Mulheres que ocuparam cadeiras na ALMT
4ª Legislatura (1959–1963)
Oliva Enciso
9ª Legislatura (1979–1983)
Sarita Baracat
11ª Legislatura (1987–1991)
Thaís Bérgo Duarte Barbosa
12ª, 13ª e 14ª Legislaturas (1991–2003)
Serys Slhessarenko
12ª Legislatura (1991–1995)
Malba Varjão — suplente
13ª Legislatura (1995–1999)
Zilda Pereira Leite — suplente
15ª Legislatura (2003–2007)
Vera Lúcia Araújo
Ana Carla Muniz
16ª Legislatura (2007–2011)
Chica Nunes
Vilma Moreira — suplente
17ª Legislatura (2011–2015)
Luciane Bezerra
Teté Bezerra
18ª, 19ª e 20ª Legislaturas (2015-2027)
Janaina Riva
20ª Legislatura (2023–2027)
Marildes Ferreira — suplente
Profa. Graciele (Graciele Marques dos Santos) — suplente
Valdeníria Dutra — suplente
Sheila Klener — suplente
Sandy de Paula — suplente
Priscila Dourado — suplente
Edna Sampaio — suplente
Eliane Xunakalo — suplente e primeira mulher indígena a assumir temporariamente uma cadeira na história da ALMT.
*Os períodos indicados correspondem às legislaturas, não necessariamente ao tempo de exercício de cada parlamentar.
Fonte: ALMT – MT
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