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Viver é perigoso!

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As pessoas sofrem muito, sofrem demais. Disseram-me que parar de sentir é um alívio. Mas eu sou ousado. E atrevo-me todos os dias a viver com o meu corpo inteiro. E que venha a dor e o carinho.

Vida é vida, e não adianta fugir. Quando a gente foge, ela corre atrás. É melhor ir ao encontro dela. É mais bonito para uma pessoa. Acho que vi isso em Clarice Lispector, ela parece que rompe o mundo quando fala das coisas importantes. É como se ela interrompesse a vida para a gente poder passar. Alguns têm esse poder!

Então que venha a vida inteira, não venha em pedaços, encolhida, escolhida. Não escolhemos os conhecimentos que nos aportam, aceitamos todos e nos modelamos neles. Não podemos desperdiçá-los. Tem muito conhecimento por aí procurando alguém. Ah! É bom dizer: não somos, nem queremos ser, donos de quaisquer conhecimentos da vida, queremos mesmo é a liberdade deles. Saber exatamente uma coisa nessa vida é matar a vida. Sentipensamos e sentiagimos.

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A vida é pelas curvas de subidas e descidas… de subterrâneo. A morte não limita, pois pior que a vida.

Vá lá, amigo leitor! Interrompa. Cale tudo que o mundo fale. Respire profundo, em que pese o desespero desses tempos. Pense o quanto a vida vale.

Na verdade, continua a persistir um modo de coisas e gentes que difere intrinsecamente do analisado pelos economistas, administradores e gestores. Um universo de dádiva, de mistérios, de sentimentos, que servem para fundar e alentar as gentes. Aristóteles já disse que a imaginação é a pintora da alma. Lute! Cresce dentro de si, amigo leitor. Saiba sempre que não há alegria neste mundo tão privilegiada, que não pague proventos à tristeza.

Para viver tem que excitar a alma, o corpo não aguenta muito. Sinta aquela coisa que cresce, floresce, permanece em nós, que vira canção, que se torna refrão.

Abra os olhos (todos eles) ao mundo, e não se contente em ver as pessoas por fora, as coisas por fora, penetre-os também, e considere-os por dentro.

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Que esse nosso curto passeio seja um fato sentimental, de dias muito recitados e de voz voável.

O menino vivedor não estava separado do adulto vivedor e do ancião vivedor, a não ser por sombras e ilusões, como disse Hesse. O passado é o que mais muda.

Escuta a vida e diga para si que você está dentro de si. Coragem!

*Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Penas de sete faccionados condenados pelo Júri somam 192 anos

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O Tribunal do Júri de Água Boa (a 730 km de Cuiabá) condenou sete integrantes de uma facção criminosa por homicídio qualificado e participação em organização criminosa. Parte dos réus também foi condenada pelos crimes de cárcere privado, tortura e ocultação de cadáver. Somadas, as penas totalizam 192 anos e quatro meses de reclusão, além de 116 dias-multa. O julgamento foi realizado nos dias 16 e 17 de junho, com apoio do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri) do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).De acordo com denúncia da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Água Boa, Jonatha Fernando Moraes Mata, Natália Galvão Alves, Ana Julia Xavier Morais, Yara Yasmin Vilava Alves, Eduardo Ribeiro da Silva, Diego Oliveira dos Santos e Mathias Xavier Campos integravam uma organização criminosa com atuação na região. Conforme a investigação, o grupo planejou e executou o assassinato de Allan Davi Andrade Sousa, em fevereiro de 2024, em uma residência localizada no município de Nova Nazaré. A vítima foi atraída para uma emboscada, morta por motivo torpe e submetida a meio cruel de execução.Antes do homicídio, Allan Davi e o amigo Lucas Orescio Dias foram mantidos em cárcere privado por várias horas. Segundo o Ministério Público, os dois foram atraídos para a residência sob o pretexto de um encontro com integrantes da facção. Após chegarem ao local e consumirem entorpecentes com algumas das acusadas, foram surpreendidos por outros integrantes do grupo, que chegaram armados, tomaram seus celulares e os impediram de deixar o imóvel.As investigações apontaram que a execução foi motivada pela suspeita de que Allan integrasse uma facção rival. A desconfiança surgiu após uma publicação feita pela vítima em uma rede social. A partir daí, integrantes da organização criminosa passaram a monitorar Allan, planejaram uma emboscada e acionaram lideranças da facção para decidir o destino da vítima. Durante horas, Allan e Lucas foram submetidos a ameaças e intensa pressão psicológica enquanto os acusados analisavam o conteúdo de seus aparelhos celulares e buscavam obter uma suposta confissão.Ainda conforme a denúncia, após a autorização para a execução, Allan Davi foi asfixiado com um lençol por integrantes do grupo. Em seguida, parte dos envolvidos transportou o corpo para uma área de mata na zona rural de Nova Nazaré, onde o cadáver foi enterrado em uma cova rasa. A vítima foi decapitada no local, circunstância que embasou o reconhecimento da qualificadora do meio cruel. Enquanto isso, Lucas Orescio permaneceu sob vigilância dos criminosos e, ao ser liberado, teria sido ameaçado para não revelar o que havia ocorrido.Entre os condenados, Jonatha Fernando Moraes Mata recebeu a maior pena, de 35 anos e oito meses de reclusão, além de 16 dias-multa, pelos crimes de homicídio qualificado, dois crimes de cárcere privado, dois crimes de tortura e organização criminosa com função de comando. Natália Galvão Alves foi condenada a 29 anos de reclusão e 20 dias-multa; Yara Yasmin Vilava Alves, a 28 anos de reclusão e 10 dias-multa; Diego Oliveira dos Santos, a 28 anos e oito meses de reclusão e 20 dias-multa; Ana Julia Xavier Morais, a 26 anos de reclusão e 20 dias-multa; Eduardo Ribeiro da Silva, a 25 anos de reclusão e 10 dias-multa; e Mathias Xavier Campos, a 20 anos de reclusão e 20 dias-multa.Todos os condenados deverão cumprir a pena em regime inicial fechado. O juiz presidente do Tribunal do Júri negou o direito de recorrer em liberdade e manteve as prisões preventivas dos réus.Processo 1001338-09.2024.8.11.0021.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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