Ministério Público MT
Teatro e orientações alcançam 4,9 mil alunos em cinco cidades de MT
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30 de junho de 2026por
Da RedaçãoA primeira etapa da nova série de apresentações do projeto “Prevenção Começa na Escola”, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), alcançou aproximadamente 4,9 mil estudantes entre os dias 22 e 26 de junho, em cinco municípios da região norte do estado. Por meio de apresentações teatrais, alunos das redes municipal e estadual participaram de atividades educativas voltadas à conscientização sobre direitos, proteção e cidadania.Coordenada pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, a iniciativa é realizada em parceria com a Cia VostraZ de Teatro e utiliza a arte como ferramenta de diálogo e prevenção, abordando temas de grande relevância social para o público infantojuvenil por meio dos espetáculos “Inocentes Pétalas Roubadas” e “RE-cortes”.A peça “Inocentes Pétalas Roubadas” trata de temas como o combate ao abuso sexual infantil, o enfrentamento ao bullying e a preservação do patrimônio público escolar. Já “RE-cortes” promove reflexões sobre os impactos da violência doméstica contra a mulher na vida de crianças e adolescentes.A programação teve início em Novo Mundo, no dia 22 de junho (segunda-feira), com duas apresentações do espetáculo “RE-cortes” realizadas na quadra da Escola Municipal Alcides Ferreira Primo, reunindo também estudantes da Escola Municipal Inovação. As sessões ocorreram nos períodos matutino e vespertino e contaram com público estimado em mil alunos.No dia 23 de junho (terça-feira), o projeto esteve em Guarantã do Norte, onde aproximadamente 700 estudantes acompanharam as apresentações da peça “RE-cortes” nas Escolas Municipais Santa Marta, 13 de Maio e Beija-Flor.A caravana seguiu para Peixoto de Azevedo, dia 24 de junho (quarta-feira), atendendo cerca de 900 alunos. No período da manhã, estudantes da Escola Municipal Cívico-Militar 19 de Julho assistiram ao espetáculo “Inocentes Pétalas Roubadas”. À tarde, alunos da Escola Militar Tiradentes acompanharam a peça “RE-cortes”.Em Vera, no dia 25 de junho (quinta-feira), a Escola Municipal Aloízio Jacob Webler recebeu duas apresentações de “Inocentes Pétalas Roubadas”, nos períodos matutino e vespertino, alcançando aproximadamente 800 estudantes.Encerrando a primeira etapa, o projeto passou por Feliz Natal, dia 26 de junho (sexta-feira). Cerca de 1,5 mil alunos da Escola Estadual André Antônio Maggi participaram das apresentações de “RE-cortes” realizadas nos dois turnos.O procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, destaca que o projeto utiliza a arte como instrumento de conscientização e prevenção. Segundo ele, o apoio das Promotorias de Justiça locais é fundamental para o sucesso das apresentações.“Os promotores e promotoras de Justiça têm papel essencial na articulação com as instituições de ensino e na mobilização da rede de proteção, garantindo que o projeto alcance efetivamente as comunidades escolares”, afirmou.Próximas etapas – A nova edição do projeto será desenvolvida entre junho e setembro de 2026, contemplando 34 municípios mato-grossenses. A segunda etapa ocorrerá entre os dias 29 de junho e 3 de julho, com apresentações em Nova Guarita, Terra Nova do Norte, Nova Santa Helena, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Ministério Público MT
A pátria nos acréscimos
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6 horas agoon
30 de junho de 2026By
Da Redação
Encontrei novamente João Ubaldo Ribeiro, desta vez na sala da minha casa, algumas horas depois de Brasil e Japão, o que já não me pareceu tão espantoso quanto da primeira vez. Há coisas que, depois de acontecerem uma vez, deixam de pertencer ao território do milagre e passam a integrar a rotina secreta do país. Um morto ilustre aparecer em casa, no calor implacável do nosso Mato Grosso, para comentar a Seleção, é menos absurdo do que o Brasil precisar de um gol aos cinquenta minutos do segundo tempo para restaurar a circulação sanguínea de mais de duzentos milhões de brasileiros. Ele estava sentado no meu sofá, com a tranquilidade de quem acabara de atravessar a morte, Itaparica e uma partida eliminatória da Copa do Mundo sem perder o senso de observação. Na mesinha, um copo, um prato esquecido e aquela atmosfera doméstica de pós-jogo em que ninguém sabe se agradece, reclama, respira, vira a camisa do avesso para espantar o mau-olhado ou procura o controle remoto para rever o lance pela trigésima vez. — Eu avisei — disse ele, antes que eu perguntasse qualquer coisa. — Avisou o quê? — Que ninguém deveria dizer que o jogo estava fácil. O brasileiro adora uma retórica de vitória antecipada, mas a bola não lê roteiro. Sentei-me, ainda com os nervos desobedientes e a garganta seca. O Brasil vencera o Japão por 2 a 1, de virada, no NRG Stadium, em Houston, garantindo a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo. Mas há vitórias que não terminam no apito do árbitro. Continuam tremendo dentro da gente, como se a bola de Martinelli ainda estivesse a caminho da rede e o país inteiro, com os dedos cruzados, esperasse autorização do destino para voltar a respirar. — Foi sofrimento demais — eu disse. Ubaldo me olhou com a piedade que os imortais reservam aos ansiosos. — Meu caro, sofrimento demais é perder. Ganhar no sofrimento é apenas o nosso jeito de assinar presença em Copa do Mundo. Vocês querem vitória sem angústia, sem susto, sem contradição. Isso não é futebol. Isso é ata notarial. Futebol exige sobressalto. Na televisão, os comentaristas ainda tentavam explicar o inexplicável com setas, mapas de calor, linhas de impedimento e estatísticas de posse. Aquela linguagem moderna que, às vezes, parece inventada para esconder que a bola continua sendo redonda, teimosa e imune à lógica. No grupo da família, naturalmente, todos já sabiam de tudo. Um dizia que a culpa do gol japonês fora da transição. Outro garantia que, desde os dez minutos, previra o empate de Casemiro. Um terceiro, mais sincero, confessou que aos quarenta e nove do segundo tempo já estava negociando com Deus, com os santos, com os antepassados e, se necessário, com a Confederação Brasileira de Futebol. João Ubaldo sorriu largo. — Esse último é dos nossos. A mandinga é a ciência exata do povo. O jogo, visto com a frieza dos números, teve domínio absoluto do Brasil. Mas quem assiste à Copa do Mundo friamente deveria ser convidado a repensar sua relação com a vida. O Brasil teve a bola, trocou passes, empurrou o Japão contra a própria área, finalizou vinte vezes, cobrou escanteios, martelou, sufocou. Se estatística fosse gol, o brasileiro teria ido dormir cedo, civilizado e entediado. Mas estatística não é gol. Estatística é a ilusão que o comentarista oferece enquanto o torcedor abraça a almofada procurando explicação para o próprio desespero. — Setenta e tantos por cento de posse de bola… — resmunguei. — Posse de bola é casamento no papel — respondeu Ubaldo, ajeitando-se. — O que interessa é saber se há amor, vergonha na cara e alguém disposto a cabecear a bola quando o país começa a perder a paciência. O Japão, organizado como se tivesse estudado não apenas a Seleção, mas também a nossa tendência histórica a complicar o que nasceu para ser festa, abriu o placar aos vinte e nove minutos. Kaishu Sano aproveitou uma bobeira na saída de bola, bateu cruzado no canto de Alisson e instalou o silêncio fúnebre. Foi um daqueles gols que produzem um fenômeno psicológico coletivo: em menos de três segundos, todo mundo se transforma em viúvo de algum jogador que não foi convocado. João Ubaldo levantou o dedo em riste. — A frase “eu sabia” é a mais mentirosa e a mais brasileira de todas as frases de Copa. Ninguém sabia de nada. Mas todo mundo passa a saber retroativamente. É o nosso consolo. E lá estava o Brasil, com a bola nos pés e a alma pendurada por um fio. O Japão, metódico, parecia ter trazido para o campo uma planta baixa da nossa ansiedade. A cada minuto que passava, o brasileiro ia ficando menos torcedor e mais especialista em tragédia grega. No intervalo, Ancelotti fez o que treinadores italianos parecem fazer desde o Império Romano: olhou o incêndio, não alterou o batimento cardíaco e mudou a ordem dos móveis. Saiu Paquetá, entrou Endrick. O Brasil voltou aflito, vertical, exposto. Não era mais jogo. Era trincheira. Mão na cabeça, palavrão engolido a seco. Olhei para o lado e vi minha filha com os olhos arregalados, os livros da escola abandonados num canto. Ela começava a aprender ali, ao vivo, que em dia de Copa a história do Brasil não se estuda; sofre-se na carne. — Nessa hora — disse Ubaldo, apontando a cena —, cada família revela sua verdadeira organização constitucional. — Como assim? — Simples. O pai perde a autoridade. A mãe assume a regência espiritual. A avó começa a rezar. A criança é proibida de mudar de lugar no sofá para não quebrar o fluxo astral. O cunhado quer explicar a saída de três. O cachorro é culpado por latir no momento errado. E alguém é mandado para o banheiro porque, da última vez que levantou, o Brasil quase marcou. A superstição, meu amigo, é a nossa jurisprudência mais sólida. Aos onze minutos do segundo tempo, veio o primeiro alívio. Gabriel Magalhães cruzou, Casemiro subiu carregando na testa a biografia de uma nação desconfiada e testou firme. A sala explodiu. O grito rasgou a garganta e tomou as ruas de Sorriso. A poeira vermelha de Mato Grosso pareceu subir em celebração. Cuiabá tremeu. O país explodiu com aquela alegria meio ressabiada, como quem abraça a felicidade, mas deixa uma fresta aberta para reclamar do juiz. — Casemiro — sentenciou Ubaldo, com respeito — é desses sujeitos que lembram ao futebol moderno que ainda existe gravidade moral no mundo. O empate deveria trazer calma. Não trouxe. O brasileiro não sabe lidar com placar empatado em mata-mata. Vini Jr. teve uma chance clara e Zion Suzuki fez uma defesa dessas que beiram a feitiçaria. O goleiro japonês pareceu multiplicar os braços e a envergadura. A casa inteira gemeu, como se tivesse levado um golpe seco na boca do estômago. — Esse goleiro resolveu virar santo hoje? — perguntei, incrédulo. — Santo, não. Goleiro contra o Brasil em Copa é personagem de Dostoiévski. Sofre, impede a felicidade alheia, vive o inferno na terra e ainda sai moralmente engrandecido. O tempo derretia. E, quanto mais derretia, mais o torcedor fazia contas erradas, pedindo pênalti por qualquer esbarrão ocorrido desde o descobrimento de Cabral. Já havia quem não olhasse mais para a televisão, fitando o teto num transe doméstico, convencido de que o simples ato de olhar faria o Brasil errar o passe. — O senhor está calmo? — perguntei a Ubaldo, com o suor já pregando a camisa. — Estou morto, meu caro. Isso dá uma vantagem tática considerável. Aos cinquenta minutos, quando a prorrogação já rondava o estádio como um fantasma burocrático, Bruno Guimarães encontrou um passe milimétrico. Desses que rasgam não apenas a zaga, mas a incredulidade nacional. Gabriel Martinelli dominou e bateu no cantinho. A bola entrou. Entrou devagar e entrou para sempre. O Brasil virava o jogo. O Japão caía diante daquilo que nenhum manual, nenhuma tática e nenhum algoritmo conseguem domesticar: a insistência brasileira em transformar o último suspiro em batucada. A casa veio abaixo. Minha filha pulou no meu pescoço, batizada oficialmente na religião do futebol. Alguém derramou bebida na própria roupa e jurou que usaria a mesma camisa até a final. Alguém gritou que sempre acreditou, outra mentira gloriosa. Ubaldo, comovido à sua maneira baiana, ergueu o copo. — Está vendo? O mundo lá fora pensa que o Brasil ganha com onze. Continua sendo um equívoco de gringo. — Hoje ganhou com quantos? Ele olhou a sala: a televisão iluminando os rostos exaustos, o sofá fora do prumo, o copo derramado, os celulares vibrando freneticamente. — Com todos — respondeu. — Inclusive com os que desistiram aos quarenta e oito e voltaram a ter fé aos cinquenta. Em cada canto desse país continental, a pátria se defendeu em pequenas trincheiras. Em Sorriso, garanto que teve torcedor que ficou em pé durante todo o segundo tempo, achando que sentar seria traição à pátria. Em alguma casa de esquina, uma criança como a minha entendeu que o futebol é um curso intensivo de esperança, sofrimento e exagero. Nisso, João Ubaldo chamou a turma dele. Não me pergunte de onde saíram. Em Copa do Mundo e no coração de Mato Grosso, essas coisas simplesmente se materializam. Nelson Rodrigues surgiu de terno, dizendo que toda virada brasileira tem o dedo do Sobrenatural de Almeida e que a objetividade é uma doença importada. Armando Nogueira anotou que o passe de Bruno Guimarães parecia esculpido pelo vento. João Saldanha reclamou que a zaga estava frouxa, elogiou o ponta e brigou com o ventilador de teto. E Manoel de Barros, sentindo-se em casa na nossa vastidão, espiou a tela miudinha e decretou, manso: — O menino Martinelli chutou uma borboleta bem no canto do mundo. — E agora? — suspirei. — Agora vem o pior — disse Ubaldo. — A Noruega? — Não. A confiança. Ele tinha toda a razão. A confiança do brasileiro é um bicho perigoso. Pequena, ela nos protege das rasteiras da vida. Quando cresce demais, cega e derruba o dono. A vitória foi linda justamente porque foi encardida, suada, arrancada a fórceps e orações. Foi uma vitória que não admite salto alto. O Brasil mereceu, mas precisou espremer até a última gota de suor para dobrar o destino. E isso é fundamental. A Copa não premia só o talento de vitrine. Ela cobra humildade, pulmão e a capacidade de continuar correndo quando a razão já aconselha a assinar a rendição. Levantei-me para desligar a televisão. Ubaldo continuava no sofá, cercado por sua confraria fantástica, fazendo da minha sala um misto de arquibancada, mesa de bar e terreiro metafísico. Antes que o clique do controle encerrasse a magia, ele pontuou: — Não esqueça de escrever uma coisa. — O quê, mestre? — Que o Brasil não venceu apenas o Japão hoje. Venceu o relógio, o goleiro inspirado, a pressa e a própria tentação do desespero. E venceu porque, quando a luz parecia apagar, ainda tinha alguém disposto a correr, alguém disposto a passar e uma nação inteira disposta a empurrar a bola com a força do pensamento. Fiquei em silêncio. A Copa tinha me tirado dez anos de expectativa de vida e me devolvido outros vinte em adrenalina. O Brasil passou. Aos trancos, aos gritos, amparado pela mandinga, pelas estatísticas quebradas e pelo gol redentor no limite do tempo. Passou sendo o Brasil. E, convenhamos, quando o Brasil passa assim, a ferro, fogo e fé, a literatura e a emoção explicam muito mais do que a prancheta do treinador. Estaremos aqui, na mesma trincheira cívica de Sorriso, prontos para provar que a prancheta tática não tem a menor chance contra a mandinga. E que o Sobrenatural de Almeida já vá aquecendo à beira do campo. Afinal, a nossa maior tática sempre foi a paixão. E é por ela que, do céu, o velho lobo, Mário Jorge Lobo Zagallo, solta o grito: vocês terão que nos engolir! Que venha a Noruega ou a Costa do Marfim! Mostra a tua força, Brasil!
Fonte: Ministério Público MT – MT
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