Ministério Público MT
Em busca da empatia perdida na educação
Publicado em
3 de julho de 2024por
Da RedaçãoSobreviver à escola regular é tarefa pobre de todo autista que vive a pequena falsa e pobre inclusão. Para vocês pessoas estudadas, experientes, verdadeiramente o que é inclusão? Muitas respostas virão, muitas poderosas respostas de muito blá, blá, blá…onde ficaremos com pobre verdade travada na garganta. Discursos de “temos de vencer as diferenças, todos aprendemos com o diferente”, nesse caso eu seria o diferente. Todos pensam no papel bonito, cheio de palavras sentimentais, lindas, sobre a inclusão. Tantos papéis para justificar minha permanência em escola regular. Tantas pessoas falando sobre direitos de pessoas com deficiência. Mas porque falamos em direitos? Porque temos de esfregar muitas vezes papéis e leis em escolas para sermos aceitos? Porque viver em sociedade é uma luta de criar papéis bonitos com leis bonitinhas, se homens que as criam são muitas vezes os que apontam as poderosas e inescrupulosas verdadeiras barreiras invisíveis da inclusão de fachada.
Eu falo por mim, por minhas observações. Fui sempre aluno da inclusão de fachada. Podem ver minha história. Fui pertencente à escola que não sabia o que fazer comigo há mais de 10 anos atrás. E ainda não sabe o que fazer com novos “Murilinhos”. Murilinhos são as poderosas tempestades em escolas tradicionais e de vida padrão. Somos alunos indesejados por maioria de professores. Damos trabalho a profissionais que já trabalham muito. Somos inquietos, problemáticos, podemos ser, de verdade, imprevisíveis em crise. Mas somos pessoas. De verdade isso importa? Verdadeiramente vocês se importam com todo tipo de aluno? Alguns sim, muitos depende, raros com verdadeira empatia.
Poderia falar muito sobre minhas faltas pedagógicas, sobre minha dificuldade em escrever, sobre minha dificuldade em pôr letras em papel sem organizar palavras. Poderia falar que isso foi culpa da minha, de verdade, escola que falhou comigo. Poderia falar sobre minha falta de preparo para vestibular. Mas apontar minha incapacidade e apontar culpados é leviano. A escola, à sua maneira, sempre me respeitou. Respeito humano sempre tive, apenas com raras exceções, mas respeito acadêmico pouco tive. Culpa de quem? Culpa de uma mente presa em não saber como pôr para fora, ou culpa de mundo inteiro que não conseguia me decifrar?
Entendem? Culpar minha pobre deficiência é mais fácil. Culpar meu atraso cognitivo também. De verdade, estamos muito longe de decifrar mistérios autistas, principalmente dos autistas de suporte maior. Mas somos pessoas com mentes que podem evoluir. Talvez nossa evolução não seja como a esperada. Talvez sejamos uma pedra bruta que pode ficar presa em caverna, ou sermos libertos e lapidados. A lapidação é processo para quem sai da caverna. Sair é o primeiro passo. As crianças autistas precisam explorar mundo. O mundo além da caverna escura das limitações.
Mas tirar filhos brutos da caverna é enfrentar desafios e muitas dificuldades até achar a luz e caminhar até poder achar local de lapidação. Sobreviver fora da caverna é saber que, primeiro, todo autista que pensa em seguir em escola precisa ser lapidado e ser pertencente à sua evolução. Primeiro seus pais buscam seu autista preso em caverna, fazem uma estrutura de estimulação. Fazem terapias, fazem da casa um bom lugar de treino de habilidades e procuram uma escola empática nessa transformação. Autistas precisam de vivencias fora de suas cavernas. Autistas precisam ser lapidados. Uma joia não é joia se ficar bruta. A brutalidade do autismo deve ser combatida na primeira infância, tudo depois vai ficando mais difícil de ser pertencente à retirada de camadas.
A escola é vilã ou vítima da inclusão de falhada? Primeiro falo, a escola é vilã por se fazer de vítima. E vítima por se fazer de vilã. A escola é feita de pessoas. Pessoas são vilãs ou são heróis da educação. Mas jamais serão vítimas por serem pessoas presas a um emprego. Ninguém te força a ser professor. Pessoas sabem da situação de nossas escolas. Ficar reclamando é ter falta de verdade na profissão. E somente a reclamação traz vontade de fazer diferente ou vocês professores serão eternos reclamões?
Esse sistema de inclusão lapida pouco alunos que são muito comprometidos. Sabem por quê? Porque muitos ficam com medo de nossos comportamentos. É difícil ver um autistão em crise. A contenção é final de linha. Mas muitos professores não sabem como evitar gatilhos. E falo, professor sozinho não consegue. Por isso, precisamos de acompanhantes que nos entendam, nos apoiem e nos ajudem em sala. Sozinhos somos bombas a estourar. Sozinhos ficaremos brutos e perdidos. Com apoio teremos a chance de progredir em escola.
Aí volto ao papel bonito, que diz segundo famosa lei da inclusão: “todo autista precisa de acompanhante em sala se essa for sua necessidade.” Falo, não copiando a lei aqui, mas interpretando ela. Essa lei é a famosa lei bonita que muitos aplaudem e poucos entendem. Sempre seremos pessoas com deficiência diz essa lei. Mas muitos camuflados não precisam de um acompanhante. Assim vemos que bom senso é melhor que leis refutadas ou usadas a bel prazer.
Falar sobre inclusão é mexer na ferida aberta de infinitas famílias. Por que é tão difícil sermos lapidados em escolas, sem feridas abertas em nossas famílias? Não gostaria de me fazer de vítima. Não gosto desse papel de vítima. Fico sem pertencimento ao vitimismo. Sempre busco, do meu jeito pertencente à vida autista, levantar a cabeça após fiasqueira ou crise. Levantar e seguir. Sou aluno sobrevivente, mas que na sobrevivência soube ser ferramenta da própria lapidação. Não fui boneco autista de vida pequena. Fui além da escola. Fiz de escola, e faço ainda, uma grande e boa vida de observação comportamental.
Pude melhorar comportamento observando outros. Não quer dizer que pretendo ser camuflado, mas que posso ser pertencente socialmente sem ser o tão desprovido de boas maneiras. Sim, a escola modula comportamentos se aluno tem modulação em casa também. Inclusão é besteira se pensarmos em amplitude educacional.
Alunos com deficiência entram pequenos nas escolas regulares. Com a passagem dos anos muitos vão ficando pelo caminho da lapidação. Faltam trabalhadores. Aos acompanhantes, faltam poderosas e simples adaptações, faltam presença de verdadeira vontade. Não penso que fui privilegiado em chegar ao ensino médio. Fui pertencente à minha lapidação. Deixei a minha lapidação acontecer. Sou aluno da escola regular. Não uso falar que sou aluno de inclusão.
Inclusão é palavra bonita de lei. Mas nem toda lei é vivenciada em plenitude. Leis existem por sermos sociedade pertencente a bobagem do mundo sem bondade e sem verdadeira empatia. Leis são para pessoas sem poder evolutivo. Leis são o fracasso ético da sociedade. Quanto mais blá, blá, blá de textos, mais confusa fica a entrada de alunos deficientes na escola.
Sou feliz por ser resistência a um sistema excludente. Sou grato por ser acolhido e respeitado. Sou de verdade pertencente ao anarquismo escolar. Explico, poder estar em escola regular me permitiu ouvir infinitas aulas e pensamentos diferentes. Estes pensamentos formam minha base. Mas aí vem meu anarquismo mental. Sempre vou buscar pensamentos próprios e verdadeiros para mim. E isso é minha capacidade. Pensar é minha capacidade, mas todos temos capacidades. Ser autista é desafiador para todos. Ser autista é desafio para todo autista também. Eu, pertencente à escola posso falar, ser aluno com autismo e não falante é desafio para qualquer profissional. Mas penso, sempre haverá evolução se houver empatia.
Sobre minha escola falo: eu sou muito bem tratado hoje. Mas já sofri com muita falta de empatia. Já me senti bobo. Mas todo momento de perda de vontade em ser resistência fui socorrido por meu diretor. Sem ele, ou sem pessoas que abram a mente para nossas demandas, somos verdadeiros ETS tentando nos conectar com escola hostil. Com boas ações podemos nos conectar à nossa maneira.
Sou exceção em ser aluno autista não falante em escola regular. Mas sou prova viva de que é possível. Sou aluno da escola pública. Sou aluno de resistência à exclusão. Por isso falo, blá, blá, blá é para um pertencente à pequena vida sem realidade de exclusão. Blá, blá, blá é meu cansaço em falar e comprovar que tenho a liberdade em frequentar a escola escolhida por meus pais. Liberdade é a evolução social. E empatia é a verdade em mundo atípico.
Ser um autista é ser um poder a ser lapidado. Sem medo do trabalho. Escola é engrenagem nesse processo. Pode apenas representar o brilho ou a quebra dessa pedra preciosa. Pais, sem medo de feridas, tirem filhos das cavernas da escuridão. Busquem a evolução de seus filhos. Escola jamais será fácil enquanto houver inclusão. Será mais acessível quando falarmos em modelos empáticos e deixarmos de falar em modelos de inclusão. Inclusão para mim só existe por haver exclusão. E isso é o que penso.
*Fernando Murilo Bonatto é escritor com transtorno do espectro autista.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Ministério Público MT
Penas de sete faccionados condenados pelo Júri somam 192 anos
Published
8 horas agoon
24 de junho de 2026By
Da Redação
O Tribunal do Júri de Água Boa (a 730 km de Cuiabá) condenou sete integrantes de uma facção criminosa por homicídio qualificado e participação em organização criminosa. Parte dos réus também foi condenada pelos crimes de cárcere privado, tortura e ocultação de cadáver. Somadas, as penas totalizam 192 anos e quatro meses de reclusão, além de 116 dias-multa. O julgamento foi realizado nos dias 16 e 17 de junho, com apoio do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri) do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).De acordo com denúncia da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Água Boa, Jonatha Fernando Moraes Mata, Natália Galvão Alves, Ana Julia Xavier Morais, Yara Yasmin Vilava Alves, Eduardo Ribeiro da Silva, Diego Oliveira dos Santos e Mathias Xavier Campos integravam uma organização criminosa com atuação na região. Conforme a investigação, o grupo planejou e executou o assassinato de Allan Davi Andrade Sousa, em fevereiro de 2024, em uma residência localizada no município de Nova Nazaré. A vítima foi atraída para uma emboscada, morta por motivo torpe e submetida a meio cruel de execução.Antes do homicídio, Allan Davi e o amigo Lucas Orescio Dias foram mantidos em cárcere privado por várias horas. Segundo o Ministério Público, os dois foram atraídos para a residência sob o pretexto de um encontro com integrantes da facção. Após chegarem ao local e consumirem entorpecentes com algumas das acusadas, foram surpreendidos por outros integrantes do grupo, que chegaram armados, tomaram seus celulares e os impediram de deixar o imóvel.As investigações apontaram que a execução foi motivada pela suspeita de que Allan integrasse uma facção rival. A desconfiança surgiu após uma publicação feita pela vítima em uma rede social. A partir daí, integrantes da organização criminosa passaram a monitorar Allan, planejaram uma emboscada e acionaram lideranças da facção para decidir o destino da vítima. Durante horas, Allan e Lucas foram submetidos a ameaças e intensa pressão psicológica enquanto os acusados analisavam o conteúdo de seus aparelhos celulares e buscavam obter uma suposta confissão.Ainda conforme a denúncia, após a autorização para a execução, Allan Davi foi asfixiado com um lençol por integrantes do grupo. Em seguida, parte dos envolvidos transportou o corpo para uma área de mata na zona rural de Nova Nazaré, onde o cadáver foi enterrado em uma cova rasa. A vítima foi decapitada no local, circunstância que embasou o reconhecimento da qualificadora do meio cruel. Enquanto isso, Lucas Orescio permaneceu sob vigilância dos criminosos e, ao ser liberado, teria sido ameaçado para não revelar o que havia ocorrido.Entre os condenados, Jonatha Fernando Moraes Mata recebeu a maior pena, de 35 anos e oito meses de reclusão, além de 16 dias-multa, pelos crimes de homicídio qualificado, dois crimes de cárcere privado, dois crimes de tortura e organização criminosa com função de comando. Natália Galvão Alves foi condenada a 29 anos de reclusão e 20 dias-multa; Yara Yasmin Vilava Alves, a 28 anos de reclusão e 10 dias-multa; Diego Oliveira dos Santos, a 28 anos e oito meses de reclusão e 20 dias-multa; Ana Julia Xavier Morais, a 26 anos de reclusão e 20 dias-multa; Eduardo Ribeiro da Silva, a 25 anos de reclusão e 10 dias-multa; e Mathias Xavier Campos, a 20 anos de reclusão e 20 dias-multa.Todos os condenados deverão cumprir a pena em regime inicial fechado. O juiz presidente do Tribunal do Júri negou o direito de recorrer em liberdade e manteve as prisões preventivas dos réus.Processo 1001338-09.2024.8.11.0021.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Brasil vence Escócia e marca retorno de Neymar
Suíça vence e garante liderança enquanto Canadá faz história com classificação inédita
Torcedores não se intimidam com frio e curtem jogo do Brasil em seis bairros de Cuiabá
Mãe de Neymar faz emocionante declaração para o filho antes de estreia na Copa
Lauana Prado cancela último show antes da licença-maternidade por orientação médica
CUIABÁ
Torcedores não se intimidam com frio e curtem jogo do Brasil em seis bairros de Cuiabá
A temperatura de 14°C registrada em Cuiabá na noite desta quarta-feira (24), considerada atípica para uma cidade conhecida pelo calor...
Cuiabá convoca 63 candidatos aprovados em processo seletivo da Educação
A Prefeitura de Cuiabá publicou nesta quarta-feira (24) a 28ª convocação de candidatos aprovados no Processo Seletivo Simplificado nº 04/2025/GS/SME....
Ginásio Verdinho recebe finais do futsal dos Jogos Estudantis Cuiabanos nesta quinta e sexta-feira
As finais da modalidade futsal dos Jogos Estudantis Cuiabanos (JECs) 2026 prometem movimentar o Ginásio Verdinho nesta quinta-feira e sexta-feira,...
MATO GROSSO
Skatistas nacionais falam da maior competição do país no Parque Novo Mato Grosso nesta quinta-feira (25)
Os skatistas Pedro Quintas e Dora Varella, da modalidade Park, Sebastian Simonetto e Pamela Rosa, do Street, além de Vini...
Parceria entre Governo e municípios do Vale do Teles Pires e Portal da Amazônia: “Visão dessa gestão nos ajuda a planejar as obras”, afirma prefeito
O Governo de Mato Grosso firmou, nesta quarta-feira (24.6), convênios para a realização de R$ 110 milhões em investimentos nos...
Seduc alinha investimentos com de 17 municípios das regiões do Rio Teles Pires e Portal da Amazônia
Representantes de 17 municípios das regiões do Rio Teles Pires e do Portal da Amazônia, se reuniram, nesta quarta-feira (24.6),...
POLÍCIA
Polícia Militar prende foragido da Justiça de Alagoas com três mandados de prisão em aberto
Policiais militares do 4º Comando Regional prenderam, na noite desta terça-feira (23.6), um homem de 34 anos, foragido da Justiça...
Ação integrada da PM e PJC apreende 32 quilos de entorpecentes em Colíder
Uma ação conjunta de policiais militares do 9º Comando Regional com a Polícia Judiciária Civil apreendeu, na noite desta segunda-feira...
Polícia Civil prende motorista de ônibus investigado por estupro de vulnerável em Rondonópolis
A Polícia Civil cumpriu, na tarde dessa terça-feira (23.6), um mandado de prisão preventiva contra um homem, de 27 anos,...
FAMOSOS
Mãe de Neymar faz emocionante declaração para o filho antes de estreia na Copa
Às vésperas da estreia de Neymar na Copa do Mundo de 2026, Nadine Gonçalves, mãe do jogador emocionou os seguidores...
Lauana Prado cancela último show antes da licença-maternidade por orientação médica
A cantora Lauana Prado, de 37 anos, cancelou o último compromisso de sua agenda antes de iniciar a licença-maternidade. A...
Ana Siebert curte passeio em Miami com Rafaella e a irmã antes de jogo do Brasil
Ana Paula Siebert, de 38 anos, já entrou no clima da Copa do Mundo 2026. A influenciadora está em Miami,...
ESPORTES
Brasil vence Escócia e marca retorno de Neymar
A Seleção Brasileira confirmou sua força na Copa do Mundo de 2026 ao derrotar a Escócia por 3 a 0...
Suíça vence e garante liderança enquanto Canadá faz história com classificação inédita
A fase de grupos da Copa do Mundo reservou um momento histórico para o futebol da América do Norte nesta...
Inglaterra pressiona, para em Gana e vaga fica para a última rodada
A Inglaterra até tentou, mas não passou pela muralha defensiva de Gana. Pela segunda rodada do Grupo L da Copa...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
FAMOSOS5 dias agoLucy Ramos revela sexo do segundo bebê e celebra crescimento da família: ‘Felicidade’
-
AGRONEGÓCIO5 dias agoEmbrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba
-
CIDADES5 dias agoÔnibus escolar ganha decoração da Copa do Mundo e transforma trajeto dos alunos em momento de alegria
-
FAMOSOS5 dias agoGabriela Versiani celebra três anos de relacionamento e se declara para cantor




