A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT) realiza, no dia 31 de julho, o leilão de duas aeronaves do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Os interessados podem participar presencialmente e online. Os recursos arrecadados serão destinados à compra de uma nova aeronave, como parte do processo de modernização da frota da unidade especializada, que atua em missões policiais, de resgate, busca, salvamento e saúde.
Uma das aeronaves, modelo Cheyenne II, foi incorporada à frota do Ciopaer em 2020 como a primeira UTI aérea de Mato Grosso. Adquirida nos Estados Unidos com recursos provenientes de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo Ministério Público Estadual e Tribunal de Justiça, a aeronave possui motores turboélice, capacidade para dois tripulantes, cinco passageiros e autonomia de 5h30 de voo. Ela está equipada para operações aeromédicas, e tem lance inicial de R$ 5,9 milhões.
A segunda aeronave, modelo Baron 58, foi apreendida durante uma operação conjunta de combate ao tráfico de drogas entre a Polícia Federal de Rondonópolis e o Ciopaer. Depois de passar por análise operacional e técnica, a Justiça Federal de Mato Grosso, em 2019, autorizou seu uso em operações de segurança pública. Esta aeronave tem lance inicial de R$ 2,1 milhões.
Com os leilões, a Sesp pretende adquirir uma aeronave mais moderna, espaçosa e confortável, que também será utilizada como UTI aérea e em missões de segurança pública.
O leilão será realizado pela Comissão Permanente de Avaliação e Alienação de Bens da Sesp no dia 31 de julho, às 9h, na Galeria Leiloar, no Auditório Antônio & Lizandra, no bairro Goiabeiras em Cuiabá.
A visitação às aeronaves ocorrerá nos dias 29 e 30 de julho, em horário comercial, no hangar do Ciopaer, no Aeroporto Internacional Marechal Rondon.
Para participar presencialmente, os interessados deverão se identificar no evento, preenchendo uma ficha e recebendo um número de senha para controle dos participantes pelo leiloeiro e sua equipe. Não é necessário cadastro ou habilitação prévia.
Para participar e oferecer lances online, os interessados deverão se identificar na janela apropriada do site do leiloeiro, preencher os dados solicitados e enviar os documentos de identificação e o comprovante do depósito da caução.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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