A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT) lançaram, nesta quinta-feira (12.2), a campanha “Pule, brinque e cuide”, voltada à proteção de crianças e adolescentes durante o Carnaval de 2026.
A iniciativa intensifica o enfrentamento à violência sexual, no tráfico de menores, no combate ao trabalho infantil e na prevenção da venda e do consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade.
Nesta edição, as ações serão concentradas na Baixada Cuiabana, abrangendo Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento, Barão de Melgaço e Chapada dos Guimarães, com mobilizações até a terça-feira (17) de Carnaval.
Dados apresentados durante o lançamento apontam que 280 das denúncias de violações de direitos humanos em Mato Grosso envolvem crianças, adolescentes e adultos.
Neste carnaval as forças de segurança reforçam que a proteção da infância é prioridade absoluta e que qualquer suspeita de violação de direitos deve ser comunicada pelo Disque 100.
A coordenadora do Cetrap, Roberta Arruda, destacou que o período festivo exige atenção redobrada das famílias e da sociedade.
“Crianças e adolescentes podem se tornar alvos fáceis quando estão desacompanhados ou em situação de vulnerabilidade. É dever da família, da sociedade e do poder público garantir essa proteção. A prevenção começa com atenção e denúncia”, afirmou.
O presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos (CEDH), Wesley da Mata, ressaltou que a campanha fortalece a atuação integrada da rede de proteção.
“Estamos unindo secretarias, conselhos e forças de segurança para prevenir violações e garantir que os direitos de crianças e adolescentes sejam respeitados. A denúncia é fundamental para romper ciclos de violência”, pontuou.
A campanha é realizada em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos Humanos (CEDH), o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM), o Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Cetrap), Polícia Civil, Polícia Militar, Delegacias Especializadas, conselhos tutelares, Ministério Público, Defensoria Pública e organizações da sociedade civil que integram a rede de proteção.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.