A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) lançou, nesta quarta-feira (11.3), o Centro de Inteligência Estratégica para a Gestão Estadual do SUS (Cieges-MT). Com a implantação, o estado passa a integrar a Rede Cieges, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que reúne iniciativas descentralizadas em 18 unidades da federação para fortalecer a gestão baseada em dados no Sistema Único de Saúde.
A solenidade ocorreu no Hotel Fazenda Mato Grosso e reforça o compromisso de Mato Grosso com uma gestão cada vez mais orientada em dados e que prioriza a cooperação entre os Estados brasileiros, fortalecendo a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Rede Cieges é uma iniciativa do Conass para integrar e fortalecer a inteligência de dados da gestão estadual do SUS. Ela conecta os Centros de Inteligência Estratégica existentes nas Secretarias Estaduais de Saúde de todo o Brasil. Em resumo, o Cieges é uma estrutura criada para reunir e organizar dados da saúde; produzir análises e indicadores estratégicos e apoiar decisões dos gestores.
“O Cieges é o nosso centro de inteligência de informações para o planejamento na área da saúde. Informação é tudo. Na pandemia, por exemplo, um dos maiores problemas que tínhamos era não ter as informações organizadas da forma que nós precisávamos. Agora, podemos monitorar em tempo real o que acontece em nossos hospitais, na comunidade especializada e nos municípios”, destacou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo.
O secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, afirmou que, até junho, outros quatro Estados irão aderir ao Cieges.
“Isso mostra a importância desta estratégia no fortalecimento da saúde digital no Brasil, mas para além disso, é uma estratégia que fortalece a integração da informação. Um dado que vira informação, que vira decisão de gestão, é a partir desta organização. Por isso que a gente sabe qual é o valor deste ato, qual é a importância disso que está acontecendo”, acrescentou.
Segundo o secretário adjunto de Gestão Hospitalar da SES, Oberdan Lira, fazer parte da Rede Cieges será fundamental para identificar as informações-chave dos indicadores de saúde.
“O grande desafio hoje do SUS não é o volume de informação, mas a sua organização. A gente passou por um período muito pesado na pandemia, em que a mobilização tanto do Cosems [Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso], quanto do Conass, foi importante para que a gente conseguisse fazer a organização dos dados em termo oportuno. Mas existe um grande delay porque a gente ainda tem que vencer este desafio que se chama monitoramento. A gente tem um volume de dados muito grande”, afirmou.
Em sua palestra, o secretário adjunto de Atenção e Vigilância à Saúde da SES, Juliano Melo, apresentou os avanços alcançados com a integração entre SES e Conass: melhoria na qualidade e consistência dos dados, maior aderência dos dashboards (painéis de controle), alinhamento estratégico entre operação e tomada de decisão, e otimização do fluxo de trabalho operacional e da alta gestão.
“Todas as áreas aqui representadas já vinham aos poucos buscando ter mais informações em Bis [Business Intelligence]’ ou dashboards, mas já tinham essa busca pela sistemática da informação. A gente também vem concentrando dentro do Cieges essa questão de como o dado pode ser visualizado, de como ele deve ser usado para tomada de decisão da gestão”, avaliou.
O gerente da Rede Cieges, Sandro Terabe, realizou palestra em que destacou o potencial do Cieges. Nesta quinta-feira (12), Terabe ministrará uma oficina sobre Inteligência Artificial para cerca de 20 gestores da Secretaria, no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen-MT).
Médicos que atuam no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) afirmam estar sem receber pelos serviços prestados desde o mês de abril e denunciam que a situação tem comprometido a assistência à população e as condições de trabalho dentro da unidade.
Segundo os profissionais, os pagamentos permanecem em atraso há meses, gerando insegurança financeira para dezenas de médicos que continuam exercendo suas funções em plantões de alta complexidade, mesmo sem remuneração.
De acordo com o relato dos médicos, a gestão do prefeito Abílio Brunini ainda não teria realizado os repasses financeiros necessários ao Hospital Municipal de Cuiabá, o que estaria impedindo o pagamento dos profissionais. A categoria cobra transparência sobre a destinação dos recursos e um posicionamento oficial da administração municipal quanto à regularização dos valores devidos.
Os profissionais ressaltam que a saúde pública depende da valorização de seus trabalhadores e alertam que a manutenção dos atrasos pode comprometer a permanência de médicos nos plantões, afetando diretamente o atendimento à população.
Até o momento, os médicos aguardam uma solução por parte da Prefeitura de Cuiabá e da administração do HMC, bem como um cronograma oficial para a quitação dos pagamentos em atraso.
A reportagem será atualizada caso a Prefeitura de Cuiabá, a direção do Hospital Municipal de Cuiabá ou a Secretaria Municipal de Saúde se manifestem sobre o caso.
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