O Plano de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais deste ano prevê mais de R$ 16 milhões para ampliação do atendimento emergencial aos animais silvestres atingidos por incêndios florestais. A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, destaca que os recursos previstos vão garantir, entre outras ações, a conclusão em Cuiabá do maior hospital veterinário exclusivo para atendimento a animais silvestres da América Latina.
“Os investimentos são os maiores da história e refletem a priorização dada pelo Governo do Estado para essa agenda ambiental. As ações realizadas e planejadas para 2025 representam avanços importantes para a proteção da fauna silvestre de Mato Grosso”, ressaltou a secretária.
A unidade de atendimento vai funcionar no novo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras). Além do hospital, estão sendo construídos recintos para área de quarentena de animais silvestres e estacionamento. A construção no Centro Político Administrativo abrange mais de 4 mil metros quadrados.
Até então, o maior hospital veterinário exclusivo para animais silvestres era o de Mato Grosso do Sul, com uma área de 1.162,33 m². Em Mato Grosso, o Cetras foi viabilizado por meio de uma parceria das secretarias de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), e conta também com recursos de emenda parlamentar destinada pelo senador Wellington Fagundes.
O Plano de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais inclui ainda a construção e reforma do Centro Integrado de Proteção Ambiental do Pantanal (Cipan). Foram previstos também recursos para monitoramento constante das condições da fauna silvestre no Pantanal durante o período da seca, para atendimento veterinário aos animais, alimentação, entre outras intervenções quando necessárias.
Andamento da obra
Com previsão de entrega em junho deste ano, a obra do hospital encontra-se na fase de execução da cobertura e dos acabamentos. A edificação inclui também o setor de quarentena, cuja estrutura ainda está sendo executada. A secretária Mauren Lazzaretti adiantou que a unidade deverá ser gerida por uma entidade autárquica.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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