A Polícia Penal impediu, na noite desta sexta-feira (8.1), uma fuga de detentos na Cadeia Pública de Peixoto de Azevedo (670 km de Cuiabá). Aproximadamente 15 reeducandos participaram da tentativa de fuga, que levou a um motim generalizado no raio.
A tentativa de fuga começou por volta das 19 horas. Antes do início do procedimento de vistoria predial, realizado todos os dias na unidade, os internos da cela 18, da ala 9, do Raio II, conseguiram abrir o portão da ala.
Em seguida, eles acessaram a grade do banho de sol, conseguiram abrir e chegaram à quadra. No local, eles conseguiram, também, soltar a tela que cobre o banho de sol do Raio II e, neste momento, foram surpreendidos por duas policiais penais.
As policiais acionaram o alarme de emergência, foram até o ponto de fuga e efetuaram dois disparos como advertência. Ao ouvirem o alarme, outros dois policiais penais que estavam de plantão correram até a quadra e também realizaram outros dois disparos de advertência.
Mediante a iniciativa dos policiais penais, os reeducandos retornaram para suas celas. Porém, o fracasso da tentativa de fuga motivou o início de um motim generalizado no Raio II, com batimentos de grades, xingamentos aos policiais de plantão e incitação e apologia ao crime.
A Polícia Penal precisou utilizar disparos de munição antimotim e spray de pimenta para retomar a ordem na unidade prisional.
Servidores de folga e a Polícia Militar foram acionados e foi realizada uma conferência para confirmar que não havia sido concluída a fuga de nenhum detento. A checagem acabou às 21h20. Nenhum detento foi ferido, nem conseguiu completar a fuga. Quase 15 pessoas privadas de liberdade participaram da tentativa de fuga, cinco delas já foram identificadas e responderão por Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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