O Governo de Mato Grosso enviou, nesta sexta-feira (23.1), um caminhão com cestas de alimentos e materiais para apoio emergencial às famílias de Cotriguaçu (a 950 km de Cuiabá).
O município foi afetado por chuvas intensas na madrugada de terça-feira (20) e permanece com alerta de perigo para os próximos dias, com previsão de acúmulo de chuva de até 100 mm, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Para o apoio imediato às famílias, foram enviadas cestas de alimentos com kits de limpeza, além de filtros de barro, colchões, kits dormitório, telhas e caixas d’água.
Os materiais foram solicitados pelo município após levantamento realizado com apoio da Defesa Civil do Estado, que está na cidade desde a manhã de quarta-feira (21).
“O Governo do Estado está auxiliando a população de Cotriguaçu desde as primeiras horas da chuva que afetou a cidade e segue prestando suporte técnico ao município, com foco na redução dos danos e no atendimento às famílias, e vamos permanecer na cidade até que a situação seja normalizada”, afirmou o secretário adjunto de Proteção e Defesa Civil do Estado, coronel BM Marcelo Reveles.
A equipe estadual tem auxiliado a Prefeitura com o levantamento dos danos e mapeamento das vulnerabilidades, tanto na área urbana quanto na zona rural, e com a elaboração do decreto de situação de emergência na cidade. O documento foi publicado no Diário Oficial dos Municípios nesta quinta-feira (22) e deverá ser homologado pelo Estado nos próximos dias.
A situação na região e as condições climáticas em todo o Estado continuam sendo acompanhadas pelo centro de monitoramento da Defesa Civil, em Cuiabá.
Reunião com municípios
Na quarta-feira, a Defesa Civil do Estado reforçou as orientações para as prefeituras sobre a previsão de chuvas intensas para os próximos dias.
Além do panorama meteorológico, a Defesa Civil ressaltou a importância de medidas preventivas por parte dos municípios, como o monitoramento diário dos boletins meteorológicos, a ativação dos planos de contingência, o acompanhamento das áreas de risco já mapeadas, e orientação direta às comunidades que estão em locais mais vulneráveis, incentivando o cadastro da população para receber alertas da Defesa Civil.
A população pode se cadastrar enviando o CEP para o número 40199 (SMS) ou iniciando uma conversa pelo chat automático no WhatsApp (61) 2034-4611.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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