AGRONEGÓCIO

Tocantins colhe safra histórica e reforça protagonismo no agro brasileiro

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O Tocantins celebra um marco inédito na agricultura: a safra 2024/2025 de soja ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 5 milhões de toneladas produzidas, segundo dados preliminares da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado consagra o estado como um dos principais polos emergentes do agronegócio nacional e reflete uma combinação de condições climáticas favoráveis e forte avanço tecnológico no campo.

A produtividade média cresceu mais de 10% em relação à safra anterior, puxada pela adoção de sementes geneticamente melhoradas, maior precisão no manejo agronômico e investimentos robustos em infraestrutura agrícola. “O Tocantins está consolidando seu protagonismo no agronegócio brasileiro”, avalia o engenheiro agrônomo e consultor de mercado Daniel Freitas.

O recorde na produção de soja impacta diretamente diversos setores da economia tocantinense. A Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado projeta um crescimento de até 7% no Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário em 2025, impulsionado pelo bom desempenho nas lavouras.

Com mais grãos colhidos, cresce também a demanda por mão de obra nas etapas de colheita, transporte e armazenagem, especialmente em municípios estratégicos como Porto Nacional, Gurupi, Pedro Afonso e Campos Lindos. A expansão da atividade agrícola fortalece ainda o comércio e os serviços locais, gerando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.

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Se o clima contribuiu, o papel dos investimentos privados foi decisivo. Produtores rurais e cooperativas apostaram pesado na aquisição de maquinário moderno, ampliação da capacidade de armazenagem e capacitação técnica de equipes no campo. O uso de tecnologias de agricultura de precisão e a digitalização das fazendas vêm mudando a forma como se planta, colhe e gerencia a produção.

Esse salto tecnológico tem sido essencial para enfrentar desafios como a oscilação de preços, a competitividade internacional e as exigências dos mercados compradores. O resultado é uma produção mais eficiente, resiliente e sustentável.

Com os números recordes da safra, o Tocantins consolida-se como o quinto maior produtor de soja da região Norte e amplia sua presença nos mercados internacionais. Exportações para países como China, Vietnã e Tailândia colocam o estado no radar global como fornecedor confiável e competitivo de grãos.

Para a próxima década, as projeções são ainda mais otimistas. A tendência é de crescimento contínuo, sustentado pela expansão das áreas cultivadas, pela melhoria da logística e pela crescente profissionalização do setor.

A safra 2024/2025 entra para a história não apenas pelos números, mas pelo que representa: um Tocantins que avança com planejamento, tecnologia e visão de futuro, e que se firma, com autoridade, entre os protagonistas do agronegócio brasileiro.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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