AGRONEGÓCIO
Seca já atinge meio milhão de amazonenses
Publicado em
4 de outubro de 2023por
Da RedaçãoA severa estiagem que assola a região da Amazônia está impactando aproximadamente 500 mil pessoas, de acordo com informações do Ministério da Integração Nacional. O ministro Waldez Góes informou que 55 municípios no Amazonas já declararam estado de emergência devido à situação, enquanto outros três também planejam fazê-lo em breve.
As populações desses municípios devem se qualificar para receber adiantamentos do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Após uma reunião com ministros para discutir o assunto, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a realização de duas obras de dragagem. A primeira será no Rio Solimões, com um custo total de R$ 38 milhões, com a ordem de serviço a ser emitida em breve e um prazo de conclusão de 30 dias.
A segunda obra ocorrerá no Rio Madeira, com um orçamento estimado em R$ 100 milhões. A ordem de serviço para esta obra será dada em 15 dias, com previsão de conclusão em 45 dias, segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
Alckmin também anunciou a liberação do auxílio-defeso para pescadores e medidas de “apoio à agricultura familiar” por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), embora os detalhes dessas medidas não tenham sido divulgados.
Questionado sobre o volume de recursos disponíveis para auxílio às populações afetadas e medidas de mitigação, Alckmin afirmou que o governo disponibilizará “o volume necessário”.
Nesta quarta-feira (04.10), Alckmin e uma comitiva de ministros viajarão para o Amazonas para avaliar a situação na região e considerar medidas para mitigar os impactos da seca.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, descreveu o impacto ambiental da seca na Amazônia como “tremendo e assustador”. Ela destacou que o Ministério da Defesa foi acionado para fornecer apoio logístico às populações ribeirinhas e às comunidades indígenas, devido à dependência dessas regiões de barcos como meio de transporte.
Marina também mencionou a preocupação com a proliferação de incêndios, facilitada pelo clima atual. Ela destacou que o governo está tomando medidas para controlar esses incêndios, incluindo o envio de brigadistas para a região.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Fim das exportações de carnes para a União Europeia pode reduzir o PIB em 0,08%
Published
8 minutos agoon
3 de setembro de 2026By
Da Redação
A União Europeia interrompe nesta quinta-feira (03.09) a entrada de novas cargas de carne bovina e de aves produzidas no Brasil. A restrição também alcança ovos, pescado, mel, carne de equinos e tripas utilizadas pela indústria. O bloqueio decorre da retirada do País da lista de fornecedores considerados aptos a cumprir as novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
Na prática, produtos acompanhados de certificado sanitário emitido a partir desta quinta-feira não poderão ingressar no bloco. Cargas certificadas até quarta-feira (2) seguem as regras anteriores e poderão concluir o transporte e o desembaraço nos portos europeus.
A decisão não foi motivada pela descoberta de doença nos rebanhos nem pela presença de resíduos na carne exportada. A União Europeia alegou que não recebeu garantias suficientes de que o Brasil poderá comprovar, durante todo o ciclo de vida dos animais, o cumprimento das proibições impostas pelo bloco.
As normas europeias impedem a utilização de antimicrobianos para acelerar o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais e restringem medicamentos considerados essenciais ao tratamento de infecções em seres humanos. O Brasil sustenta que atende às exigências e que já encaminhou os documentos e protocolos solicitados.
Embora represente uma parcela pequena do volume total exportado pelo Brasil, a União Europeia é um dos mercados mais rentáveis para a carne bovina. Entre janeiro e julho deste ano, o bloco comprou 63,7 mil toneladas, com receita equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões.
O volume cresceu 10,4% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita avançou 22,8%. A União Europeia respondeu por 3,24% da quantidade de carne bovina exportada pelo País, mas por 4,92% do faturamento. O preço médio ficou próximo de R$ 44,9 mil por tonelada, o maior entre os principais compradores do produto brasileiro.
Em 2025, os embarques de carne bovina para o bloco haviam alcançado 128,9 mil toneladas e aproximadamente R$ 5,4 bilhões. Quando são somadas as carnes de aves e os demais produtos de origem animal afetados, o comércio colocado em risco pela restrição pode se aproximar de R$ 10,2 bilhões por ano.
O impacto sobre a economia brasileira não será suficiente, isoladamente, para comprometer a balança comercial do País. O efeito mais forte deverá aparecer dentro da cadeia pecuária, sobretudo entre frigoríficos e produtores preparados para atender ao mercado europeu, que remunera melhor animais rastreados e cortes de maior valor.
A perda desse destino pode obrigar as indústrias a redirecionar produtos para outros compradores e aceitar preços menores. A substituição não é automática porque cada mercado procura cortes, embalagens e padrões diferentes. Parte da carne vendida à Europa, especialmente os cortes nobres refrigerados, não encontra comprador equivalente com a mesma facilidade.
IMPACTO – Para o engenheiro agrônomo Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o bloqueio da UE parece pequeno para a economia brasileira, mas é impactante.
“Os cerca de R$ 10,2 bilhões representam o valor anual das exportações colocadas em risco, e não uma redução automática do PIB. Tomando como referência o PIB brasileiro de R$ 12,7 trilhões em 2025, esse comércio corresponde a aproximadamente 0,08% da economia. Como a suspensão começou em setembro, a parcela potencialmente afetada neste ano ficaria perto de R$ 3,4 bilhões, ou 0,025% do PIB, antes de considerar o redirecionamento dos produtos para outros mercados”, analisa
“Para o País, o efeito direto sobre o crescimento econômico pode parecer pequeno, mas essa média esconde um impacto muito maior sobre produtores, frigoríficos e municípios dependentes da pecuária. A União Europeia compra cortes de maior valor e remunera animais que atendem a exigências específicas de rastreabilidade. Quando esse mercado desaparece, a indústria precisa buscar outros compradores, muitas vezes aceitando preços menores, o que reduz margens e pode aumentar a pressão sobre o valor pago pela arroba”, afirma.
“O Brasil precisa trabalhar simultaneamente em duas frentes: demonstrar rapidamente o cumprimento das exigências e recuperar o mercado europeu, além de ampliar destinos para reduzir a dependência de poucos compradores. O redirecionamento não será simples, especialmente porque a China também limitou suas importações por meio de cotas. Mais do que o volume interrompido, está em jogo a presença brasileira em um mercado de alto valor e a credibilidade do País como fornecedor confiável de alimentos”, acrescenta Rezende.
REAÇÃO – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que vê com preocupação a interrupção e trabalha com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para reincluir o País na relação de fornecedores autorizados.
Segundo a entidade, um protocolo de controle do uso de antimicrobianos foi desenvolvido em conjunto com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Todas as empresas associadas à Abiec habilitadas a vender para a União Europeia já aderiram ao sistema.
A associação ressaltou que a medida tem caráter regulatório e não altera a qualidade, a segurança nem a condição sanitária da carne brasileira, atualmente comercializada em mais de 170 mercados. O problema, neste momento, é demonstrar às autoridades europeias que os controles alcançam todas as etapas exigidas pelo bloco.
A CNA considera a restrição injustificada e afirma que a União Europeia está aplicando suas próprias normas à produção realizada fora do território europeu. A entidade enviou ofícios ao Ministério das Relações Exteriores e à Comissão de Relações Exteriores do Senado pedindo providências para reverter o bloqueio.
Entre as medidas sugeridas está a avaliação do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões previsto no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Esse instrumento permite discutir compensações quando uma decisão unilateral altera as condições econômicas estabelecidas entre as partes.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa as indústrias de aves, afirma que a produção brasileira de frango cumpre integralmente as exigências europeias. Uma missão da União Europeia encerra nesta sexta-feira (04.09) uma auditoria nos sistemas de produção de aves e mel. Caso o resultado seja favorável, esses produtos poderão recuperar o acesso ao bloco ainda neste ano, embora não exista data confirmada.
Para a carne bovina, a solução tende a ser mais demorada. A União Europeia quer provas de conformidade durante toda a vida do animal, desde a criação até o abate. Isso exige registros nas propriedades, segregação dos bovinos elegíveis, rastreabilidade dos tratamentos veterinários e controles nos frigoríficos.
A Abiec afirma que as garantias oficiais já foram entregues, mas a Comissão Europeia ainda não indicou quando poderá reavaliar a situação. Autoridades do bloco admitem que a análise da cadeia bovina pode se estender além de 2026 e, no cenário mais desfavorável, chegar a 2028.
CLIMA RUIM – O bloqueio chega em um momento especialmente desfavorável. A China, maior compradora da carne bovina brasileira, estabeleceu para 2026 uma cota de 1,106 milhão de toneladas. Os embarques que ultrapassarem esse limite ficam sujeitos a uma tarifa adicional de 55%. Em 2025, o Brasil vendeu aos chineses 1,648 milhão de toneladas, o que mostra a dificuldade de transferir para aquele mercado todo o volume recusado pela Europa.
Reino Unido, México, países do Oriente Médio e outros mercados asiáticos aparecem entre as alternativas para parte dos produtos. O Reino Unido deixou a União Europeia e não acompanhou automaticamente a restrição que começa nesta quinta-feira. Ainda assim, estudos do setor indicam que o redirecionamento poderá exigir descontos e reduzir as margens dos frigoríficos.
Para o pecuarista, o risco é de maior pressão sobre o preço do boi, principalmente nas regiões onde estão concentradas propriedades e indústrias habilitadas a fornecer à Europa. O tamanho desse efeito dependerá da duração da suspensão, do comportamento das compras chinesas e da capacidade brasileira de abrir ou ampliar outros destinos.
A prioridade do governo e das entidades é conseguir a reinclusão do Brasil na lista europeia. Enquanto a avicultura e o setor de mel esperam uma resposta mais rápida após a auditoria, a pecuária bovina entra no segundo semestre diante de um processo técnico mais complexo e sem garantia de solução imediata.
Fonte: Pensar Agro
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