AGRONEGÓCIO
Safra avança, mas agro enfrenta pressão de tarifas, clima e risco geopolítico
Publicado em
3 de março de 2026por
Da Redação
A colheita de grãos acelera no campo e confirma o potencial produtivo da safra 2025/26, mas o ambiente externo e climático impõe um grau adicional de incerteza ao agronegócio brasileiro neste início de ano.
Segundo o Instituto Mato‑Grossense de Economia Agropecuária (Imea), até 27 de fevereiro de 2026 a colheita de soja em Mato Grosso já atingiu 78,34% da área plantada, com avanço semanal de mais de 12 pontos porcentuais — ritmo acima da média histórica na data, mas inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Na mesma região, o plantio de milho de segunda safra chegou a 81,93% da área prevista.
Para o conjunto do Brasil, levantamentos privados apontam que a colheita da soja atingia cerca de 39% da área nacional, ritmo que se mantém um dos mais lentos dos últimos cinco anos, em parte devido às chuvas que dificultam os trabalhos no Centro-Oeste e outras regiões produtoras.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mantém a estimativa de 353,4 milhões de toneladas para o total de grãos, alta de 0,3% sobre o ciclo passado e novo recorde. O número consolida o Brasil como principal fornecedor global de soja e um dos maiores exportadores de milho e proteína animal.
“O campo está entregando produtividade. A safra se confirma forte, mesmo com desafios pontuais de clima. O problema hoje não é capacidade de produzir, é administrar risco”, afirma Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Feagro-MT).
No front externo, a decisão do governo norte-americano de aplicar tarifa global de 10% sobre produtos não cobertos por isenção adiciona um novo componente à equação comercial. Para o agro brasileiro, ficaram isentos itens estratégicos como carne bovina, laranja, suco de laranja e fertilizantes.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 46% dos produtos brasileiros seguem isentos, enquanto 25% passam a ser taxados em 10% e 29% mantêm as tarifas anteriores.
Para Rezende, o efeito prático dependerá da reação dos importadores e da dinâmica cambial. “O Brasil mantém competitividade em diversas cadeias, mas qualquer alteração tarifária muda a conta de margem. O produtor hoje opera com custo elevado e não tem muito espaço para absorver aumento indireto de carga”.
No campo climático, fevereiro foi marcado por chuvas intensas que devem se estender até o fim do verão. Cidades como Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, registraram deslizamentos de terra. No hemisfério norte, nevascas históricas atingiram Nova York, reforçando o padrão de extremos meteorológicos.
A instabilidade aumenta o risco sobre logística, armazenagem e qualidade da produção. “A variabilidade climática virou variável permanente. Não se trata mais de exceção, mas de gestão contínua de risco”, diz o dirigente.
Ao mesmo tempo, o Brasil amplia frentes comerciais. O avanço do acordo Mercosul–União Europeia e a abertura do mercado chinês para o sorgo brasileiro sinalizam diversificação de destinos. No primeiro bimestre de 2026, 42 novas plantas frigoríficas foram habilitadas para exportação, incluindo mercados de alta exigência técnica, como Japão e Coreia do Sul.
O cenário geopolítico, porém, adiciona imprevisibilidade. A escalada da guerra envolvendo o Irã pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro, tanto pelo lado das exportações quanto pelo custo de produção.
Entre os possíveis impactos estão:
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Alta do petróleo, com reflexo sobre fretes e insumos, mas efeito positivo potencial para etanol e açúcar;
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Pressão sobre fertilizantes, já que o Irã é fornecedor relevante;
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Oscilações cambiais, com influência direta na formação de preços;
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Risco logístico, com eventual encarecimento de transporte marítimo e aéreo.
“O agro brasileiro é resiliente, mas está inserido em um tabuleiro global cada vez mais instável. Produzir bem já não basta. É preciso estratégia comercial, gestão financeira e leitura geopolítica”, afirma Rezende.
Com safra robusta e mercados em expansão, o setor inicia 2026 com fundamentos sólidos. Mas o ambiente internacional e climático reforça que a previsibilidade — seja comercial, regulatória ou geopolítica — tornou-se tão estratégica quanto a própria produtividade no campo.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Desenrola Rural vai até 20 de dezembro. Saiba aqui como renegociar
Published
20 horas agoon
6 de junho de 2026By
Da Redação
Produtores rurais têm até o próximo dia 20 de dezembro para regularizar débitos do Pronaf e fundos constitucionais sob as regras do Desenrola Rural. Com o semestre final se aproximando, especialistas alertam que a demora na busca pela agência bancária pode significar a perda de condições especiais de parcelamento e descontos de até 96%.
A medida, que visa dar fôlego financeiro aos produtores em um cenário de custos elevados e impacto climático na safra, é uma tentativa de estancar a inadimplência no setor, que já ultrapassa a marca de 8%, segundo dados da Serasa Experian. O programa foca na regularização de débitos de pequenos produtores, permitindo descontos que chegam a 96% sobre encargos e prazos de até 10 anos para o pagamento.
O benefício não é universal. A regra vale exclusivamente para contratos de crédito rural firmados entre 2012 e 2022, especificamente nas operações do Pronaf e nos financiamentos via Fundos Constitucionais (FCO, FNO e FNE). O enquadramento ignora o tamanho da propriedade, focando estritamente na natureza da dívida. Ao formalizar a adesão, o produtor tem o nome retirado dos cadastros de restrição ao crédito, o que devolve a capacidade de tomar novos financiamentos para a safra — peça-chave para a sobrevivência da atividade agrícola.
O principal gargalo para o sucesso do programa está na ponta do atendimento bancário. Especialistas em Direito Agrário alertam que instituições financeiras costumam ignorar a política pública para oferecer “pacotes internos” de renegociação, que frequentemente carecem das vantagens garantidas pelo programa federal.
A recomendação para o produtor ir à agência bancaria munido dos contratos e exigir, expressamente, a aplicação das regras do Desenrola Rural. Aceitar soluções genéricas oferecidas pelo banco sem comparar com as condições federais é um erro que pode custar a rentabilidade da propriedade e o acesso ao crédito no longo prazo.
O Desenrola Rural, contudo, ignora o médio e o grande produtor, que também sofrem com a crise de rentabilidade do setor. Sem uma política pública universal, esse perfil de produtor depende da aplicação rigorosa do Manual de Crédito Rural (MCR) para a reestruturação de suas dívidas. Na prática, a falta de flexibilidade voluntária dos bancos tem forçado esses produtores a buscar o Poder Judiciário para garantir o direito de repactuar débitos sem colocar em risco a viabilidade do negócio.
Guia prático
Para garantir o direito à renegociação sob as regras do Desenrola Rural e evitar as armadilhas dos “pacotes genéricos” dos bancos, a preparação documental é o passo mais estratégico. O produtor deve encarar a ida à agência não como um pedido de favor, mas como uma formalização de direito garantido pelo programa federal.
Antes de comparecer à agência, o produtor deve organizar um dossiê completo. A falta de um único documento pode ser usada como justificativa pelo gerente para negar o enquadramento ou direcionar o cliente para outras linhas de crédito com juros mais altos.
Documentação essencial
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Identificação Pessoal: RG e CPF (ou CNH) atualizados do titular do crédito.
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Comprovação da Propriedade: Matrícula atualizada do imóvel rural, além do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) e a última declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Esses documentos atestam a regularidade da área e são fundamentais para o histórico de crédito junto à instituição.
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Cédula de Crédito Rural ou Contrato: Este é o documento central. É ele que prova a origem da dívida (se Pronaf ou Fundos Constitucionais como FCO, FNO ou FNE) e o período de contratação (entre 2012 e 2022). Caso o documento original tenha sido extraviado, o produtor deve solicitar formalmente uma cópia autenticada ou declaração detalhada à própria agência antes da data da renegociação.
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Extrato atualizado da dívida: Levar o demonstrativo do débito facilita a identificação imediata da operação na tela do gerente e evita divergências de valores na simulação do acordo.
Postura no atendimento
O advogado Gian Tozini, especialista em Direito Agrário, reforça que a documentação serve como escudo contra ofertas pouco vantajosas.
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Exija o enquadramento: Ao apresentar os documentos, o produtor deve solicitar expressamente a aplicação das condições do Desenrola Rural. Se o gerente informar que “o sistema não libera”, o produtor deve pedir uma justificativa por escrito ou o número de protocolo do atendimento.
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Não assine sem conferir: É comum que instituições ofereçam renegociações internas, que raramente trazem os descontos de até 96% previstos pelo programa federal. O produtor deve recusar qualquer proposta comercial que não apresente as condições estabelecidas pela norma do governo.
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Formalize a recusa: Caso a agência insista em ignorar o programa, o produtor tem o direito de registrar uma reclamação no Banco Central, munido do protocolo de atendimento negado.
A organização prévia destes documentos é o que define se a renegociação será uma solução eficiente para o fluxo de caixa da propriedade ou apenas uma postergação de um problema financeiro. O prazo final para essa regularização é 20 de dezembro de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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