AGRONEGÓCIO

Governo lança Plano Safra 2026/27 anunciando recordes, mas a FPA contesta os números

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O governo federal lançou, nesta terça-feira (30.06), o Plano Safra 2026/27. O programa foi apresentado pelo Executivo como o maior da história, com ênfase no aumento dos recursos destinados a investimentos, que passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, uma alta de 38%. O objetivo declarado da gestão federal é fomentar a modernização tecnológica e a produtividade da agropecuária.

Apesar da projeção de crescimento em investimentos, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) contestou os números em nota divulgada após o evento. Segundo a análise técnica da bancada, os recursos efetivos disponíveis ao crédito rural tradicional sofreram um recuo de R$ 29,6 bilhões, representando uma queda de 5,73% em relação ao ciclo anterior, uma vez descontados valores que a entidade afirma não comporem o escopo tradicional de financiamento agrícola.

Divergência – A principal divergência entre o Executivo e a FPA refere-se à metodologia de cálculo. A bancada ruralista alega o uso de uma “engenharia financeira” pelo governo, que teria incluído R$ 38,5 bilhões de fontes distintas no montante global. De acordo com a FPA, essa inclusão infla artificialmente o volume total, sem representar, na prática, um incremento no crédito acessível ao produtor para o custeio da safra.

Cortes em linhas estratégicas

A FPA aponta redução em programas que considera fundamentais para a estrutura logística e operacional do setor. Conforme o levantamento da entidade:

  • Moderfrota: A linha voltada à aquisição de máquinas e equipamentos registrou queda de 54%.

  • Armazenagem (PCA): O programa destinado à construção de armazéns teve redução de 28%, o que, segundo a bancada, agrava o déficit de silos para o escoamento de grãos.

  • Recursos Equalizados: O crédito com subsídio governamental nos juros, que visa mitigar o custo da dívida rural, recuou de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões (queda de 14,7%).

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A nota da frente parlamentar também critica o contingenciamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). A FPA projeta que a cobertura do seguro atingirá apenas 2,69 milhões de hectares — o menor nível em dez anos. A preocupação é amplificada pelo cenário de riscos climáticos, com a atuação do fenômeno El Niño prevista para o período, o que elevaria a vulnerabilidade da próxima safra.

A FPA ainda registrou a ausência de membros do Executivo no evento de lançamento destinado ao segmento empresarial do agronegócio, interpretando o fato como um distanciamento político. O governo federal não comentou, até o momento, os dados apresentados pela bancada ruralista, mantendo a defesa do desenho orçamentário como o mais adequado às metas de produção e às restrições fiscais vigentes.

Aqui, na íntegra, a nota da FPA:

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) analisa a ineficiência do Plano Safra 2026/2027 com preocupação. Apesar da narrativa de programa recorde feita pelo governo federal, os números mostram que o plano é representa uma redução de R$ 29,6 bilhões (5,73%) em relação ao ciclo anterior, sem os fundos inseridos artificialmente.

A criatividade na composição dos recursos chama a atenção:

  1. O governo reduziu o crédito de custeio e comercialização, de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões (- 7,2%), justamente a modalidade que garante o plantio, a compra de insumos, a manutenção da atividade produtiva e o abastecimento;
  2. Os investimentos subiram 38%, de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, inflado pela inclusão de R$ 38,5 bilhões de fundos que não fazem parte do escopo tradicional do crédito rural. Uma engenharia financeira que não resolve o problema do produtor que precisa de crédito rural efetivo, acessível e contratado na ponta, em momento crítico de endividamento;
  3. O Moderfrota foi reduzido em 54%, afetando a renovação de máquinas e equipamentos, e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) teve queda de 28%, apesar do reconhecido déficit de armazenagem no país;
  4. Redução de 14,7% em recursos equalizados. São R$ 97 bilhões em recursos equalizados, contra R$ 113,8 bilhões no ciclo anterior;
  5. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural vem sendo contingenciado ano após ano e sofreu novos cortes. Com orçamento reduzido, a cobertura estimada deve ser a menor em 10 anos, alcançando apenas 2,69 milhões de hectares, justamente em um cenário de maior risco climático e confirmação do fenômeno El Niño.

A FPA reconhece o esforço do governo para reduzir juros. No entanto, a medida é insuficiente diante da situação de endividamento do setor, da restrição de crédito enfrentada por produtores e da queda dos recursos equalizados.

O mais preocupante é o gesto político do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que fez questão de afirmar que não participaria do lançamento do Plano Safra da agricultura empresarial, reservando presença apenas ao anúncio da agricultura familiar.

A postura reforça uma tentativa equivocada do governo de dividir o agro brasileiro, como se pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas e cadeias produtivas não fizessem parte de um mesmo sistema responsável por produzir alimentos, gerar empregos, movimentar municípios e sustentar a economia nacional.

O Brasil não pode continuar com a gestão de políticas públicas por diferenças eleitorais. A FPA seguirá atuando no Congresso Nacional para garantir crédito real ao produtor e avançar com o PL 5.122/2023, da renegociação das dívidas rurais, pronto para ser votado no Plenário da Câmara dos Deputados, e com o Projeto de Lei 2.951/2024, que reformula o Seguro Rural.

Fonte: Pensar Agro

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Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos

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A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.

O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.

O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.

Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.

O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.

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A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.

A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.

O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.

As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.

As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.

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Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.

A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.

A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.

Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.

Fonte: Pensar Agro

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