AGRONEGÓCIO

Fila de 25 km na BR-163 expõe gargalo no escoamento da soja pelo Arco Norte

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Uma fila superior a 25 quilômetros de caminhões carregados com soja se formou na BR-163, no trecho que antecede o complexo portuário de Miritituba (PA), principal porta de saída da produção do norte de Mato Grosso. Em plena colheita, motoristas aguardam por horas — em alguns casos, dias — para realizar a triagem e conseguir autorização para descarregar.

Diante do cenário, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) informou, em nota, que enviou uma comitiva técnica ao local para verificar a situação. A entidade afirma que a extensão da fila evidencia limitações na capacidade operacional do corredor logístico do Arco Norte e cobra medidas para ampliar a estrutura de triagem, descarga e apoio aos transportadores.

Segundo a federação, o volume concentrado no pico da safra expõe a necessidade de planejamento integrado entre governos estaduais e federal, com foco em expansão portuária, reforço de equipes e melhorias na gestão do fluxo de caminhões. A nota também registra relatos de falta de estrutura mínima aos motoristas ao longo da rodovia, como banheiros e pontos de apoio, além de problemas na organização do recebimento de cargas nos terminais.

O porto de Miritituba integra o Arco Norte, conjunto de terminais instalados nas regiões Norte e Nordeste que, nos últimos anos, ganharam protagonismo no escoamento de grãos do Centro-Oeste. A rota reduziu distâncias até mercados internacionais e alterou a geografia das exportações brasileiras, especialmente para produtores mato-grossenses.

Os números confirmam o peso crescente da região. De acordo com o painel estatístico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os portos do Arco Norte movimentaram 163,3 milhões de toneladas em 2025, avanço de 10,33% sobre o ano anterior — acima da média nacional, de 6,1%.

A soja liderou os embarques, com 48,6 milhões de toneladas, quase 30% de tudo o que passou pelos terminais da região, crescimento de 19,24% no ano. O milho somou 34,4 milhões de toneladas, alta de 6,26%. Juntos, os dois grãos concentram a maior parte da pauta exportadora do corredor.

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A pressão sobre a infraestrutura ocorre em meio ao avanço da colheita. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que 65,75% da área plantada com soja em Mato Grosso já havia sido colhida até 20 de fevereiro, ritmo semelhante ao do mesmo período do ano passado. No cenário nacional, levantamento da AgRural aponta que a colheita alcançava 30% da área cultivada, abaixo dos 39% registrados um ano antes.

A produção mato-grossense na safra 2025/26 está estimada em 49,9 milhões de toneladas, retração de 2,8% frente ao ciclo anterior, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para o Brasil, a previsão é de 178 milhões de toneladas, alta de 3,8%.

Isan Rezende – Imagem: assessoria

RECORRENTE – Para o setor produtivo, o episódio reforça um diagnóstico recorrente: o avanço da produção e das exportações não tem sido acompanhado, no mesmo ritmo, pela ampliação da infraestrutura logística. A dependência de janelas curtas de embarque, concentradas no auge da safra, tende a agravar filas e elevar custos, afetando tanto transportadores quanto produtores.

“O que se vê nessa fila de caminhões é apenas a face mais visível de um problema estrutural. Safra após safra, o produtor amplia a área, investe em tecnologia, eleva produtividade, mas continua dependente de uma logística que não cresce no mesmo ritmo. Sem capacidade adequada de armazenagem nas propriedades e nos municípios, muitos acabam forçados a escoar a produção imediatamente, pressionando rodovias e portos”, afirma o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT).

“Há situações em que o produtor, por falta de silo, precisa manter a soja a céu aberto, sob lona, exposta a variações climáticas. Isso compromete qualidade, gera perdas e reduz margem. Quando não consegue armazenar na fazenda, ele é obrigado a embarcar o grão no pico da safra, justamente quando o sistema logístico está mais congestionado”, acrescenta.

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Segundo Isan, o gargalo não se limita ao porto ou à rodovia. “É uma cadeia interligada. Se falta armazém na origem, o fluxo se concentra. Se a triagem portuária é insuficiente, forma-se fila. Se não há pátios reguladores e estrutura de apoio ao transportador, o custo aumenta e o risco operacional cresce. O resultado é prejuízo distribuído ao longo de toda a cadeia”.

Para o dirigente, a solução passa por planejamento de médio e longo prazo. “É necessário ampliar a capacidade estática de armazenagem em Mato Grosso, modernizar corredores logísticos e estruturar melhor os pontos de apoio. O produtor não pode continuar arcando com perdas recorrentes por deficiência de infraestrutura. Competitividade no campo depende de eficiência fora da porteira”.

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Imagem: reprodução/ Famato/Lucas Nunes

Comitiva cobra medidas

Em nota, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso informou que a comitiva do Estradeiro BR-163 — Do Campo ao Porto percorreu o trecho entre a região do KM 30 e os terminais de Miritituba para verificar, in loco, as condições de escoamento da safra pelo Arco Norte.

O grupo, formado por presidentes de sindicatos rurais, relatou ter encontrado extensa fila de caminhões e ouvido de motoristas queixas sobre demora na triagem, dificuldade para descarregar e ausência de estrutura básica de apoio ao longo da rodovia.

A entidade defende a construção de uma agenda propositiva para enfrentar os gargalos logísticos, com ampliação da capacidade portuária, expansão de pátios, reforço operacional em períodos de pico e investimentos em armazenagem para reduzir a concentração de cargas no auge da safra.

Segundo a federação, a articulação entre poder público e setor produtivo é condição para garantir previsibilidade no escoamento, segurança aos transportadores e maior competitividade ao agronegócio mato-grossense.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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