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Exportações recordes e oferta restrita elevam arroba e consolidam força da carne bovina

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O mercado físico do boi gordo encerra fevereiro com negociações acima da referência média nacional, sustentado pela oferta limitada de animais prontos para abate. As escalas dos frigoríficos permanecem curtas, entre cinco e seis dias úteis, o que mantém pressão sobre a arroba nos principais estados produtores.

As chuvas no Centro-Norte favoreceram as pastagens e permitem ao pecuarista reter animais no campo, reduzindo a disponibilidade imediata. A estratégia dificulta a formação das escalas e reforça o viés altista no curto prazo.

Em São Paulo, a arroba alcançou R$ 354. Em Mato Grosso, os negócios giraram em torno de R$ 332, enquanto em Minas Gerais foram registrados valores próximos de R$ 339. O movimento reflete a combinação entre retenção de oferta e demanda externa aquecida.

O Brasil iniciou 2026 com forte desempenho nas exportações de carne bovina. Em janeiro, foram embarcadas 264 mil toneladas, alta de 26,1% na comparação anual. A receita alcançou aproximadamente R$ 7 bilhões, avanço de 40,2% sobre o mesmo período do ano anterior, considerando a conversão pela taxa média de câmbio do mês.

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Em fevereiro, até a metade do mês, os embarques já somavam 192,7 mil toneladas. A receita acumulada superava R$ 5,4 bilhões, com preço médio equivalente a cerca de R$ 28 mil por tonelada.

Na comparação com fevereiro do ano passado, houve crescimento expressivo tanto em volume quanto em valor exportado, além de valorização no preço médio. O desempenho externo compensa a demanda doméstica mais lenta e mantém o setor em ritmo acelerado.

No atacado, os preços da carne bovina permaneceram firmes, mas o consumo doméstico segue sensível ao nível de renda e à concorrência com proteínas mais acessíveis, como o frango. A reposição no varejo ocorre de forma cautelosa.

A dependência maior do mercado externo reforça a importância da diversificação de destinos e da adequação às exigências técnicas impostas por compradores internacionais.

Com mercados cada vez mais rigorosos, a competitividade deixou de se apoiar exclusivamente em preço. A padronização e a comprovação de atributos técnicos passaram a ser determinantes.

A inovação substitui métodos manuais ou análises laboratoriais mais demoradas, reduzindo risco de divergências em contratos internacionais e eventuais devoluções de cargas — fator que impacta diretamente a margem dos frigoríficos.

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No curto prazo, a tendência é de manutenção dos preços firmes, enquanto a oferta seguir restrita e o fluxo de exportações permanecer robusto. A combinação entre retenção de animais no campo e demanda externa consistente mantém o setor em posição favorável.

A evolução do consumo interno e o comportamento do câmbio serão determinantes para o ritmo do mercado ao longo do primeiro semestre.

Fonte: Pensar Agro

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Plantio chega a 0,5% entre calor, seca, frio e excesso de chuvas

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O plantio da soja 2026/27 alcançou 0,5% da área prevista no Brasil, mas começou em ritmos diferentes nas principais regiões produtoras. Enquanto a falta de umidade e o calor restringem a entrada das máquinas em Mato Grosso e partes do Centro-Oeste, o excesso de chuva reduziu as janelas de trabalho no Paraná.

Os dados fazem parte do acompanhamento divulgado nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com informações coletadas até 18 de setembro. Entre os Estados que já iniciaram a semeadura, o Paraná aparece com 2% da área plantada, seguido por Mato Grosso do Sul, com 1%, e Mato Grosso, com 0,6%.

O início ainda lento não representa, por enquanto, ameaça ao potencial da safra. A preocupação está na distribuição irregular das chuvas e na possibilidade de o produtor avançar depois de uma precipitação isolada, sem umidade suficiente para garantir germinação e emergência uniformes.

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro da oleaginosa, o trabalho permanece concentrado nas áreas irrigadas e em propriedades que receberam volumes localizados de chuva. Nas lavouras de sequeiro, a semeadura avança com cautela porque a água acumulada no solo ainda é insuficiente em parte do Estado.

As primeiras precipitações de setembro permitiram o plantio de alguns talhões, nos quais já existem plantas no estágio inicial de emergência. A redução das chuvas, entretanto, obrigou produtores a diminuir o ritmo para evitar que as sementes sejam colocadas em solo quente e com pouca água.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuvas isoladas em áreas do Centro-Oeste, mas indica predomínio de tempo mais estável no nordeste de Mato Grosso e no norte de Goiás. O calor continua elevado e pode manter a rápida perda de água do solo, principalmente onde as precipitações forem fracas ou mal distribuídas.

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Temperaturas próximas ou superiores a 40°C em pontos da região também elevam a temperatura da camada superficial. Nessas condições, plantar somente porque ocorreu uma chuva pode aumentar o risco de germinação irregular, falhas no estande e necessidade de replantio.

Em Goiás, onde a semeadura ainda é incipiente, a situação também exige atenção. A previsão de chuva para os próximos dias não indica recuperação uniforme da umidade, sobretudo no norte do Estado. A recomendação agronômica é observar não apenas o volume recebido, mas a profundidade alcançada pela água e a perspectiva de novas precipitações depois do plantio.

Mato Grosso do Sul apresenta situação mais favorável em parte do território. O Estado já semeou 1% da área e pode receber volumes superiores a 50 milímetros no sul durante o período analisado pelo Inmet. No norte, porém, a umidade permanece irregular, o que impede uma aceleração homogênea dos trabalhos.

No Paraná, o obstáculo é diferente. O Estado lidera o plantio entre os principais produtores, com 2% da área semeada, mas as chuvas frequentes e o excesso de umidade interromperam operações em algumas regiões. A entrada de tratores e plantadeiras em solo encharcado pode provocar compactação, formação de sulcos inadequados e distribuição irregular das sementes.

A previsão indica uma redução temporária da instabilidade em parte do Paraná, abrindo novas janelas para o trabalho no campo. A chuva, contudo, pode retornar durante o fim de semana, especialmente no leste do Estado. O produtor precisará avaliar as condições de tráfego e evitar operações antes que o solo recupere sustentação suficiente.

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O contraste mostra que o início da safra não depende apenas da quantidade total de chuva. No Centro-Oeste, a necessidade é de precipitações regulares que recuperem o armazenamento hídrico. No Paraná, o desafio é encontrar períodos de tempo firme entre sucessivos episódios de chuva.

O avanço da soja também influencia o calendário das culturas plantadas na sequência. Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, uma demora prolongada pode reduzir a janela disponível para o milho e o algodão de segunda safra. Isso pode levar parte das áreas a ser semeada em período de maior risco climático.

Ainda é cedo, porém, para projetar perda de produção ou redução generalizada da área. O ritmo costuma ganhar força entre o fim de setembro e a primeira quinzena de outubro, desde que as chuvas se regularizem no Centro-Oeste e o excesso de umidade diminua no Sul.

Neste momento, a estratégia mais segura é ajustar o plantio às condições de cada talhão. Em áreas secas, precipitações isoladas não garantem umidade suficiente para o estabelecimento da lavoura. Onde há excesso de água, entrar antes da hora pode comprometer a estrutura do solo e a qualidade da semeadura.

Os próximos dias serão decisivos para determinar se a diferença atual será rapidamente recuperada. Mais do que acelerar as máquinas, o produtor precisará preservar a qualidade do plantio, porque uma lavoura implantada fora das condições adequadas pode carregar falhas até a colheita.

Fonte: Pensar Agro

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