AGRONEGÓCIO

Exportações de soja disparam em novembro e impulsionam o agronegócio

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As exportações brasileiras de soja registraram forte aceleração em novembro de 2025, segundo o relatório semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Instituto informou que o país embarcou 4,20 milhões de toneladas no mês, crescimento de 64,40% em relação a novembro de 2024. No acumulado de janeiro a novembro, o volume exportado chegou a 104,80 milhões de toneladas, alta de 6,06% frente ao mesmo período do ano anterior.

O grande destaque, porém, veio de Mato Grosso, que novamente exerceu papel determinante no ritmo das vendas externas. O Estado exportou 898,68 mil toneladas de soja em novembro — um salto expressivo de 840,25% em relação a 2024, conforme aponta o Imea. Esse avanço elevou o desempenho anual: entre janeiro e novembro, as remessas mato-grossenses somaram 31,12 milhões de toneladas, crescimento de 26,26%, o que representa 29,69% de toda a soja enviada ao exterior pelo Brasil em 2025.

De acordo com o Instituto, o movimento é resultado direto da maior produção colhida na safra 2024/25, combinada à demanda firme do principal parceiro comercial. A China manteve-se como maior destino da oleaginosa produzida no Estado, responsável pela aquisição de 70,34% dos embarques no ano — o equivalente a 21,89 milhões de toneladas.

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As projeções do Imea indicam continuidade do ritmo acelerado. Para a safra 2024/25, a expectativa é de que Mato Grosso encerre o ciclo com 31,40 milhões de toneladas exportadas, um avanço de 26,99% sobre a temporada anterior. Se confirmado, o resultado reforçará o peso do Estado no abastecimento global e sua relevância estratégica para o agronegócio brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

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A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

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O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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