AGRONEGÓCIO

Começa hoje em Criciúma, a 13ª edição da feira AgroPonte

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Começa nesta quarta-feira (14.08), na cidade de Criciúma, a maior feira do agronegócio em Santa Catarina, a AgroPonte. O evento reúne mais de 250 expositores de diversas regiões do Brasil, incluindo Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A expectativa é que, ao longo dos cinco dias de feira, cerca de 80 mil visitantes passem pelo local.

A AgroPonte, já consolidada como o principal evento do setor em Santa Catarina, promete movimentar significativamente a economia da região carbonífera e de todo o estado. O diretor da NossaCasa Feiras & Eventos e idealizador da AgroPonte, Willi Backes, destaca a importância do evento: “A AgroPonte é um marco para a economia do Sul catarinense, impactando a economia local antes, durante e depois da feira. Este ano, voltamos com atrações como o julgamento da Raça Bovina Brahman, além de eventos dedicados à Raça Crioula, o que reflete o crescimento e consolidação da feira ao longo dos anos”.

A preparação para a 13ª edição da AgroPonte envolveu mais de mil profissionais, que atuaram na montagem e organização da feira por mais de 20 dias. Jaqueline Backes, diretora comercial da NossaCasa Feiras & Eventos, reforça o impacto contínuo da feira: “Os negócios gerados pela AgroPonte começam muito antes da abertura dos portões e continuam após o encerramento do evento. Estamos em constante crescimento, ano após ano”.

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A feira não apenas se destaca pela grandiosidade, mas também pela diversidade de setores que abrange. Serão 42 cooperativas da agricultura familiar presentes, além de indústrias, concessionárias de máquinas e equipamentos, e revendas de insumos. O público poderá conhecer as mais recentes tecnologias e inovações em máquinas agrícolas, tratores, colheitadeiras e outros equipamentos essenciais para a produção no campo.

Edson Borba Teixeira, gerente regional da Epagri em Criciúma, enfatiza a importância da feira para os pequenos produtores: “A AgroPonte é uma excelente oportunidade para os agricultores familiares ganharem visibilidade e expandirem seus canais de comercialização. O evento cresce a cada ano, tanto em público quanto em qualidade, destacando-se como uma plataforma vital para o agronegócio catarinense”.

A programação da AgroPonte 2024 inclui uma série de palestras, seminários, rodadas de negócios, e exposições de animais de alta qualidade genética, como os bovinos das Raças Brahman e Crioula. Este ano, a feira contará com 220 bovinos PO (Puro de Origem) e PC (Puro por Cruza), além de ovinos, caprinos, equinos e cunicultores. Uma das atrações principais será o boi da Raça Brahman mais pesado do Brasil, que promete atrair muitos visitantes.

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“A programação foi cuidadosamente planejada para proporcionar uma experiência rica em conhecimento e oportunidades de negócios”, afirma Jaqueline Backes. “Este é o momento para os expositores e visitantes se conectarem, aprenderem e fecharem negócios importantes para o setor”.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural

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Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.

O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.

A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.

A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.

“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.

A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.

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O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.

Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.

“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.

O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.

A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.

Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.

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O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.

“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.

Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.

Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.

O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.

A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.

Fonte: Pensar Agro

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