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Clima derruba produtividade da soja e força revisão da safra

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Chuvas irregulares e períodos de calor entre janeiro e fevereiro, fase decisiva para o enchimento de grãos, levaram o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), a revisar a safra paranaense de soja 2025/26 para 21,88 milhões de toneladas. Em fevereiro, o próprio Deral ainda trabalhava com produção acima de 22 milhões de toneladas e participação de cerca de 13% na safra nacional, mantendo o Estado como o segundo maior produtor de soja do país.

Com colheita em 82% da área de 5,77 milhões de hectares, a produção estimada fica levemente abaixo das projeções iniciais da safra, que superavam 22 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume permanece acima do ciclo anterior, quando o Paraná colheu cerca de 21 milhões de toneladas, indicando recuperação parcial, mas aquém do potencial observado no início do plantio. Na prática, o ajuste reflete perda de produtividade, e não de área.

Como segundo maior produtor nacional, qualquer variação na safra paranaense tem efeito direto sobre a oferta de soja no país. A redução no volume tende a limitar excedentes em relação ao que se projetava inicialmente, com reflexos potenciais sobre o ritmo de comercialização, o abastecimento interno e a formação de preços, sobretudo em um cenário de margens mais ajustadas.

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Para o produtor, o recuo reforça o peso do clima na definição de resultado. A irregularidade das chuvas no período crítico voltou a comprometer o rendimento por hectare, principalmente em regiões mais expostas ao estresse hídrico. O efeito prático aparece na conta final: mesmo com área estável e avanço da colheita, a safra entrega menos do que o esperado.

No ranking nacional, o Paraná segue em posição de destaque. Segundo o próprio Deral, o Estado continua como o segundo maior produtor brasileiro de soja nesta safra, atrás de Mato Grosso. Essa colocação ajuda a entender por que qualquer revisão no Paraná tem peso além das divisas estaduais: mexe com oferta, logística, esmagamento e formação de preços em uma das áreas mais relevantes da cadeia da oleaginosa no país.

Fonte: Pensar Agro

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Regularização ambiental vira fator determinante para viabilidade financeira

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Com mais de 7 milhões de registros ativos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Brasil enfrenta um desafio estrutural que impacta diretamente a competitividade do produtor rural: a incidência de pendências no sistema. Atualmente, a conformidade ambiental de uma propriedade não é mais apenas uma questão burocrática, mas um critério decisivo na análise de risco das instituições financeiras.

O rigor do crédito bancário Ao solicitar financiamento — seja para custeio, investimento ou linhas de crédito sustentável —, o histórico de pagamento do cliente deixou de ser o único indicador de risco. O setor financeiro, operando sob diretrizes rigorosas do Manual de Crédito Rural (MCR) e normas do Banco Central, utiliza o CAR como um filtro automático.

Sistemas bancários realizam consultas em tempo real para detectar inconformidades. Caso o CAR apresente sobreposição com terras indígenas, unidades de conservação ou indícios de desmatamento irregular, o crédito é negado automaticamente. Segundo especialistas, quando um órgão ambiental aponta uma pendência, a propriedade passa para o status de “análise” ou “pendente”, o que é interpretado pelas instituições financeiras como um risco inaceitável, gerando uma “trava” imediata na operação.

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Impacto financeiro e exclusão do crédito verde A ausência de regularidade ambiental impõe um custo financeiro direto e relevante. Produtores com o CAR validado acessam o chamado “Crédito Verde” ou linhas de crédito sustentáveis, que oferecem taxas de juros subsidiadas. A presença de divergências no cadastro exclui o produtor dessas condições vantajosas, forçando o acesso ao crédito convencional, cujas taxas de mercado são significativamente mais elevadas.

Além da restrição ao crédito, a falta de regularidade compromete o ciclo produtivo em três frentes críticas:

  • Acesso ao Plano Safra: Bloqueio de recursos oficiais essenciais para a safra.

  • Risco comercial: Tradings e indústrias, sob pressão de cadeias de custódia e auditorias internacionais, têm recusado produtos oriundos de áreas com passivos ambientais para evitar sanções e embargos.

  • Liquidez dos ativos: Imóveis com pendências jurídicas ou ambientais sofrem depreciação de valor, uma vez que o passivo desencoraja novos investimentos ou aquisições.

Estratégias para a conformidade Embora não haja um prazo fatal para o encerramento do sistema, a urgência da regularização é crescente. A recomendação técnica é que o produtor antecipe a análise de sua propriedade antes que ocorram negativas bancárias ou notificações de órgãos ambientais.

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O roteiro de regularização envolve:

  1. Diagnóstico Georreferenciado: Realização de levantamento técnico para cruzar a base do CAR com a realidade física da propriedade. Muitas pendências são decorrentes de erros de desenho (sobreposições digitais), passíveis de correção via retificação.

  2. Adesão ao PRA: Em casos de necessidade de recomposição de Reserva Legal ou Áreas de Preservação Permanente (APP), a formalização da adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) suspende sanções administrativas durante o período de recuperação.

  3. Certificação: A busca pela Certidão de Regularidade Ambiental atua, hoje, como a principal ferramenta para a negociação de taxas de juros competitivas.

Em um mercado global que exige rastreabilidade total, a conformidade ambiental consolidou-se como o principal pilar para a longevidade da exploração rural, garantindo que a propriedade permaneça como um ativo produtivo e comercializável a longo prazo.

Fonte: Pensar Agro

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